Mark Knopfler: uma noite onde se celebrou a harmonia do rock

Mark Knopfler © REX/Shutterstock

Foi nesta terça-feira, dia 30 de Abril, que o Altice Arena recebeu um dos mais conceituados músicos rock de sempre. Quase quatro anos depois da sua última em passagem por Portugal, Mark Knopfler prometeu apresentar-se com energias renovadas exibindo grande parte do seu reportório bem como as ilustres canções que compôs e interpretou enquanto líder dos Dire Straits.

Desta vez com um novo álbum de originais na bagagem, Down the Road Wherever lançado em Novembro de 2018, Mark Knopfler prometia vir a dar um concerto enérgico e sedutor. Prestes a celebrar 70 anos de vida, o músico britânico iniciou a sua tour, intitulada com o nome do seu mais recente álbum, em Espanha numa rápida passagem por Barcelona, seguindo-se Valência, Madrid e Córdoba. Depois desta maratona chegaria a vez de fazer uma visita a Lisboa onde lhe esperaria um pavilhão cheio e um público com vontade de presenciar mais do que uma grande noite de rock, uma noite onde a guitarra eléctrica se pudesse juntar a outros instrumentos musicais criando uma harmonia plena. Tal feito só foi possível graças às enormíssimas qualidades de Mark Knopfler enquanto guitarrista bem como a sua banda que, através dos instrumentos de sopro, contrabaixo, piano e bateria, conseguiu transformar esta noite amena de fim de Abril numa ovação à música no seu todo.

Numa setlist algo alternativa, com temas que não foram exibidos em tours anteriores, Mark Knopfler fez por essencialmente mostrar o seu mais recente trabalho. Enérgico e com um sentido de humor apurado, o próprio fez questão de demonstrar o seu carinho e apreço pela cidade de Lisboa, para além de também ter recordado com alguma nostalgia os seus tempos de juventude. Para quem em miúdo queria apenas uma guitarra e hoje tem todas as guitarras que quer, esta é a prova que o trabalho e o talento são as grandes chaves para o sucesso. Estar à porta dos 70 e ainda numa vida de estrada, sempre com públicos receptivos por onde quer que vá, demonstram uma juventude que poucos possuem. Ao juntar a esta juventude novas ideias e tendências que geram novas melodias, são mais do que argumentos suficientes para provar que a idade dos músicos é apenas e só um número. Daí que Nobody Does That, My Bacon Roll, Matchstick Manizeramfizeram parte do leque das novas canções que Mark Knopler fez questão de exibir perante um público português que se mostrava entusiasmado com tais novidades musicais. Ainda com ilustres temas de outros álbuns anteriores a solo tais como Corned Beef City, Sailing to Philadelphia, Done With Bonaparte, Heart Full of Holes, She’s Gone, Silvertown Blues, Postcards from Paraguaye Speedway at Nazarethtornavam esta numa noite onde o músico conseguia puxar pela plateia composta por uma enorme variabilidade de idades.

Seja qual for o concerto, tour ou aparição musical de Mark Knopfler, o rock dos Dire Straits é presença obrigatória. Desta vez, presenciámos com Once Upon a Time in the West, a famosa balada Romeo and Julietbem como também Your Latest Trick, On Every Streete o extenso Telegraph Road, canções que ajudaram a colocar os Dire Straits na eternidade da música rock. No encore não poderia faltar o emblemático Money For Nothing, canção que já fora tocada nos concertos em Espanha e que não era introduzida nas tours de Mark Knopfler desde 2005. O concerto terminaria com Going Home que, juntamente com os aplausos incansáveis do público, seria a despedida de um dos maiores nomes da música rock que se mostrava encantado por Lisboa e que assim partiria para a continuação da sua extensa tour pela Europa fora.

Esperar-se-ia provavelmente, e tendo em conta o reportório que se encontra inevitavelmente conectado a Mark Knopfler, uma maior variedade dos conteúdos apresentados, com uma maior ênfase nas canções dos Dire Straits. Todavia, a setlist exibida demonstra a capacidade de Mark Knopfler ter seguido com projectos independentes, compondo novas canções que o permitem ainda hoje estar no activo.

Esta terá sido provavelmente a última passagem do músico por Portugal, tendo admitido recentemente que esta seria a sua última tour. De qualquer forma, o público português estará certamente grato por uma noite onde mais do que uma enorme lição de um mestre da guitarra foi também uma demonstração de que a harmonia do rock é possível graças à conjuntura com diferentes instrumentos musicais que não façam intrinsecamente parte dele. Mark Knopfler conseguiu assim alcançar tal feito que muitos poucos conseguem. E o rock estar-lhe-á assim eternamente grato por isso.

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