‘Wonder Woman’: O melhor da DC Comics desde a trilogia ‘Batman’ de Christopher Nolan

1 JUNHO, 2017 -

75 anos após a estreia de Wonder Woman nos comics a super heroína mais reconhecida do mundo tem uma adaptação que acompanha a sua icónica presença.

As dúvidas eram muitas. Conseguiria a modelo israelita Gal Gadot, mais conhecida pelo seu papel como Gisele em Velocidade Furiosa, estar à altura do papel que desempenha? Conseguiria o filme mostrar uma versão da Mulher Maravilha, ou em inglês Wonder Woman, num filme de qualidade e ao mesmo tempo demonstrar as diferenças de um filme de super-heróis masculinos? Relembremos também que é apenas a segunda vez na história que uma mulher, neste caso Patty Jenkins, dirige um filme com um financiamento acima dos 100 milhões.

O filme começa com a Mulher Maravilha a ser invadida pela nostalgia ao ver uma foto antiga, enviada das indústrias Wayne. Assim somos remetidos pelas suas memórias a conhecer as suas origens, durante um período que coincide com a Primeira Guerra Mundial.

E assim aterramos numa ilha onde vive o povo de Themyscira. Diana (o nome da Mulher Maravilha) é protegida pela rainha e também sua mãe Hipólita (Connie Nielsen) e pela sua tia Antíope (Robin Wright) que a ensina a combater. Conhecemos também a história destas guerreiras, e a grande luta entra os deuses que levou Zeus a enfrentar Ares, o deus da guerra. O aparecimento do britânico Steve Trevor (Chris Pine) e dos soldados alemães que o perseguem causa um tumulto na ilha. Após uma luta com consequências graves e uma explicação de Trevor sobre o mundo lá fora, Diana decide acompanhá-lo ao achar que a guerra se deve à presença de Ares.

O choque está logo presente na diferença de ambiente entre Themyscira e Londres. A primeira é alegre e cheira de cores, enquanto a segunda é repleta de uma tristeza que assola a cidade, num ambiente que parece retirado de um dos recentes filmes da DC realizados e produzidos por Zack Snyder. A ingenuidade de Diana também leva a algumas situações caricatas já que não compreende que nem tudo pode ser dividido em duas categorias, a do bem e do mal.

Entretanto ao vermos o aborrecimento que causa aos presentes a mera presença de Diana numa sala só com homens, somos confrontados com a diferença entre homens e mulheres vigente na época, bem como o dress code da altura. A criação de uma equipa para enfrentar os alemães constituída pelo árabe Sameer (Saïd Taghmaoui), pelo escocês Charlie (Ewen Bremner) e pelo nativo-americano Chefe (Eugene Brave Rock), que também revela algumas histórias de opressão, é feita de forma ideal já que as características individuais se completam. Os vilões Doutora Veneno e General Ludendorff também são bem representados por Elena Anaya e Danny Huston.

O slow motion durante as cenas de luta é uma característica bem-vinda e que ajuda a demonstrar a diferença de forças entre a Mulher Maravilha e o comum mortal, no entanto algumas das cenas de ação são exageradas parecendo apenas um mero jogo amador. A cena em que Diana sai das trincheiras em toda a sua glória deixando as suas dúvidas para trás em prol das razões porque luta é quando vemos a figura icónica que é a Mulher Maravilha e a importância que terá para quem vê, especialmente para o lado feminino.

Como não podia deixar de ser, o romance também invade a tela, ainda que sem o típico exagero. Há uma subtileza entre a relação de Diana e Trevor que paira no ar a cada contacto entre os dois. Algo natural que vai crescendo ao longo do filme, sem soar forçado.

Infelizmente, é um bom filme que acaba por se perder no final. Não há nenhum foreshadowing que nos leve sequer a pensar no plot twist referente a Ares que acontece à nossa frente e que nos deixa perplexos não num bom sentido, mas só num pensamento do quão absurdo é. Todos os clichés estão presentes, o discurso sentimental, o sacrifício, o relembrar o passado como motivação, o vilão que tem anos e anos de experiência, mas que inevitavelmente acaba por sucumbir para o herói e como não podia faltar as explosões sem medida que contrastam com todo o filme até aqui.

Ainda assim, é o melhor filme da DC desde a trilogia Batman de Christopher Nolan.

Crítica escrita por André pisco, publicada no nosso parceiro Insider Film

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