Weyes Blood: espirituosa e vulnerável na ZDB

4 DEZEMBRO, 2016 -

Pouco passava das 22h na Galeria Zé dos Bois (ZDB para os amigos) quando vimos Sallim entrar no palco. Microfone e guitarra é tudo o que a jovem cantautora portuguesa precisa para materializar as suas canções e encantar com a sua voz. Entra calma e começa por mostrar quão grata está à galeria por poder tocar para nós naquela noite, uma vez ser fã de Weyes Blood, que se segue.

Dedica o concerto à mãe e começa com uma “quase música”: pouco mais de um verso interrompido repentinamente por um sorriso informativo de que estava finda a canção. Sallim apresenta-nos alguns temas antigos, mas sobretudo músicas do seu álbum Isula, lançado este ano pela Cafetra Records. Na pequena sala da ZDB, a plateia escuta atentamente. A sua música caracteriza-se, para além da forma poética como aborda temas quotidianos e joga com palavras da gíria comum, pela sua voz jovem e inocente que consegue contudo transparecer maturidade na sua expressão e pela simplicidade das melodias que acompanham. Destacam-se dos temas ouvidos “Canção para dizer” e “Não queres entrar”.

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Acabada a sua atuação, que teve direito a mini encore, aguardámos Weyes Blood. Natalie Mering (de nascença), vem apresentar o seu terceiro LP, Front Row Seat to Earth. A sua popularidade neste meio musical tem vindo a crescer desde os seus tempos de colaboração com Ariel Pink, e o seu som a evoluir.

A cantora, acompanhada da banda, entra em palco envergando o seu fato ciano de cetim (mesma indumentaria da capa do mais recente álbum) por entre aplausos e com um sorriso tímido. Mas tímido só mesmo o sorriso, pois Natalie interagiu com o publico com naturalidade e amabilidade, sempre sem despretensiosíssimos, quase entre todas as musicas, quer para nos apresentar a sua banda – destacando o facto do seu baterista (“drummer”, em inglês) ter como apelido Stardrum –, quer para falar jocosamente da sua naturalidade californiana (“We’re from Redondo beach.. dude”).

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Começou com alguns novos temas, “Diary” sendo a primeira, e na quarta música apresentou-nos a antiga “Hang on”. Sendo multi instrumentalista, ao longo das músicas foi alternando entre guitarra acústica e teclado.

Em “Seven Words” o público fez-se ouvir. Este single, que aborda o amor – ou a perda dele – caracteriza-se pelo seu crescendo, e a forma como foi apresentado transpareceu perfeitamente a forma como este evolui de uma primeira metade relativamente calma, culminando solenemente na segunda metade.

“Generation why” é liricamente representativa do lado mais espirituoso da cantora. É brincalhona, o que, para quem ouve Weyes Blood pela primeira vez, se não estiver atento às letras, não é perceptivel, face à seriedade e eloquência da sua voz. Esta música aborda ironicamente o modo como os milenares vivem para a tecnologia e redes sociais, ganhando todo um outro nível de graciosidade por essa mesma forma seria e majestosa como Natalie entoa o refrão “Y-O-L-O, why?”.

Os primeiros sinais de “Do you need my love” fizeram as delícias de uma plateia que claramente aguardava ansiosamente a música, tendo culminado aí o concerto. A música acabou, mas o público queria mais.

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Natalie fica a solo em palco em alguns temas, expondo a vulnerabilidade da sua voz, que é particularmente evidente em “Bad Magic”, que termina o primeiro encore, um tema tão cheio de sentimento que aborda a solidão e a perda de sentido, conseguindo assim deslumbrar o publico, que pede um segundo encore.

No fim da noite, Weyes Blood deixou-nos, mas ficámos com o coração quente. Foi uma noite íntima, que poucos espaços conseguem conferir melhor que a ZDB. Aguardamos um regresso. Iremos de novo, com certeza.

Setlist:
1 – Diary
2 – Used to be
3 – Be Free
4 – Hang on
5 – Seven words
6 – Away above
7 – Generation why
8 – Do you need my love
9 – Cardamon times
Encore 1
10 – A certain kind (Soft Machine cover)
11 – Bad magic
Encore 2
12 – In the beginning

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