Web Summit: Tudo o que se sabe a um mês de Lisboa receber ‘Davos para Geeks’

7 OUTUBRO, 2016 -

Lisboa está precisamente a um mês de ser palco da Web Summit, o encontro mais importante de ‘start-ups’ do mundo e já chamado de ‘Davos para Geeks’, substituindo Dublin e vencendo concorrentes de peso como Berlim, Londres e Amesterdão.

Lisboa, 07 out – Lisboa está precisamente a um mês de ser palco da Web Summit, o encontro mais importante de ‘start-ups’ do mundo e já chamado de “Davos para Geeks”, substituindo Dublin e vencendo concorrentes de peso como Berlim, Londres e Amesterdão.

Na manhã de 23 de setembro de 2015 surgiu o anúncio oficial. Paulo Portas, então vice primeiro-ministro português, tirou a gravata, numa tentativa de aproximação à ‘t-shirt’ de Paddy Cosgrave, o ‘pai’ da Web Summit, e avançou: “Portugal como país e Lisboa como cidade serão a sede do maior evento de ‘start-ups’ [empresas em início de atividade] e do maior encontro global de tecnologia em 2016, 2017 e 2018”.

Juntaram-se as vozes do próprio Paddy Cosgrave, do secretário de Estado Adjunto e da Economia da altura, Leonardo Mathias, do presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, e de outras personalidades com ligação ao evento que vai trazer a Lisboa mais de 50 mil pessoas.

Rapidamente chegaram os detalhes: possibilidade de realização da Web Summit por mais dois outros anos, até 2020, uma expectativa de retorno financeiro a rondar os 175 milhões de euros na edição de 2016 e a assinatura de um contrato entre o Turismo de Portugal, o Turismo de Lisboa e a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), prevendo um financiamento conjunto de 1,3 milhões de euros, para logística, modernização de estruturas de ‘wifi’ e incentivos à vinda de media internacionais ou apoio a empresas menores.

Referindo-se a Lisboa como “uma cidade mágica e vibrante”, Paddy Cosgrave não hesitou sobre os motivos da escolha: “A resposta óbvia é sempre em primeiro lugar a infraestrutura, trata-se de um evento que precisa de uma cidade com grande escala”.

Depois centrou-se na “combinação de grande valor” da capital portuguesa, entre aeroporto, ligações de transporte e a localização da própria cidade, combinação de recursos humanos altamente qualificados e vontade política, mas também a “grande comunidade”, o movimento nas redes sociais, a quantidade de pessoas que se juntaram para trazer o evento para Lisboa e o ecossistema de ‘startups’ e investidores que olham para a capital.

Deixou até um exemplo: “A quantidade de atividade que vi no Twitter [rede social] e nas comunidades, nunca a vi noutras cidades, coisas tão pequenas como estas trazem um grande impacto na decisão. Lancei a pergunta sobre onde devia ser a Web Summit e recebi centenas de respostas, 95% das quais de que devia ir para Lisboa, não sei de onde veio isso, mas isso teve um impacto muito grande”.

Eis as principais informações que já se conhecem sobre a Web Summit:

+++ Fundação da Web Summit +++

Fundada em 2010 por Paddy Cosgrave e os cofundadores Daire Hickey e David Kelly. Em menos de seis anos, a Web Summit evoluiu de uma equipa de apenas três pessoas para uma empresa com mais de 150 colaboradores, até este momento todos na sede em Dublin, trabalhando quer nesta iniciativa quer nos seus outros eventos internacionais, como RISE, Collision e MoneyConf.

+++ Edição de 2016 +++

Lisboa: Meo Arena e Feira Internacional de Lisboa (FIL), de 07 a 10 de novembro;

+++ São aguardados +++

– Cerca de 50.000 participantes, dos quais 5.000 portugueses. Além dos que vêm da área tecnológica, a curiosidade é que muitos vêm de setores tradicionais como retalho, construção, escritórios de advogados e agricultura;

– Mais de 40.000 participantes já registados;

– Oriundos de mais de 150 países;

– Mais de 20.000 empresas;

– 2.000 ‘start-ups’, 150 delas nacionais de topo;

– 600 oradores;

– 1.500 investidores;

– 7.000 presidentes executivos de empresas de tecnologia, desporto, moda, música e saúde;

– 2.000 jornalistas internacionais;

– 15 palcos temáticos;

– 21 cimeiras temáticas: código, dados, conteúdo, design, empresas, moda, tecnologia de saúde, marketing, dinheiro, música, sociedade e universidade ‘start-up’ e máquina.

– 2.000 voluntários;

– Preços dos bilhetes variam entre 700 euros e 5.100 euros;

+++ Alguns dos oradores presentes +++

– John Chambers, presidente Cisco Systems;

– Sean Rad, cofundador e presidente executivo (CEO) da Tinder;

– Peggy Johnson, vice-presidente executiva Microsoft;

– Mike Schroepfer, CTO (responsável pela área de tecnologia) do Facebook;

– Werner Vogels, CTO Amazon.com;

– Carlos Ghosn, CEO (presidente executivo) Renault-Nissan Alliance;

– Roberto Azevêdo, diretor-geral da Organização Mundial do Comércio;

– Sarah Friar, CFO (administrador financeiro) Square;

– Gary Vaynerchuk, CEO e fundadora VaynerMedia;

– Mogens Lykketoft, presidente da Assembleia-Geral das Nações Unidas;

– Joseph Gordon Levitt, ator (protagonista do filme “Snowden”) e fundador da HiREcord;

– Theresia Gouw, fundadora Aspect Ventures;

– Andrew McAfee, líder académico do MIT;

– Tom Hulme, sócio Google Ventures;

– Dave McClure, sócio fundador 500 Startups;

– Harry Nelis, investidor de capital de risco Accel;

– Jan Hammen, sócio Index Ventures;

– Ronaldinho, futebolista e investidor, Zoome;

– Garrett McNamara, surfou a maior onda do mundo na praia da Nazaré, em Portugal;

– Tinie Tempah, rapper britânico, compositor e produtor musical;

– Andreja Pejic, modelo australiana de etnia bósnia croata e bósnia sérvia que se assume como mulher transgénero;

– Algumas presenças portuguesas: Durão Barroso, ex-presidente da Comissão Europeia, António Costa, primeiro-ministro de Portugal, José Neves, presidente da Farfetch, os futebolistas Luís Figo e Rui Costa;

+++ Momentos do evento (com 67,2% da agenda completa) +++

– Dia 7 – Abertura marcada para as 18:00.

– Dia 8 — O dia começa com o desafio de imaginar o Facebook daqui a 10 anos, com Mike Schroepfer, diretor-chefe de tecnologia (CTO) do gigante das redes sociais, enquanto o antigo presidente da Comissão Europeia Durão Barroso participa no painel sobre se é um casamento no inferno aquele envolve governos e empresários.

Outros ‘cabeças-de-cartaz’ são Carlos Ghosn, presidente da aliança Renault-Nissan, John Chambers, diretor executivo da Cisco, o comissário europeu responsável pelo Mercado Digital Único Europeu, Andrus Ansip, a ministra francesa com as pastas da Economia, Indústria e Assuntos Digitais, Axelle Lemaire, e o secretário-geral da Amnistia Internacional, Salil Shetty.

Marcam ainda presença ‘estrelas’ como Ronaldinho, futebolista brasileiro, o CEO da Nasdaq, Bob Greifeld, e a presidente do Booking.com, Gillian Tans.

A lista de portugueses a intervir neste dia inclui Carlos Moedas, responsável no executivo comunitário pela Inovação; três dirigentes do Benfica – Rui Costa, Domingos Oliveira e Nuno Gomes -; dois fundadores da Dream Factory Network Luís Figo e João Guerra; o surfista Tiago Pires; o fundador da Farfetch José Neves; o CEO da Veniam, João Barros e o CEO da Polaris Sport, Luís Correia.

– Dia 9 – Entre os principais oradores destacam-se Alex Stamos do Facebook, Sean Rad, diretor do Tinder (aplicação de encontros), um dos fundadores do Reddit Alexis Ohanian, e altos dirigentes da Sony, Adblock Plus, 500 Startups, Cirque do Soleil, Cadillac, Aston Martin, Groupon, Samsung, Mozilla, We Transfer, Adobe, Magnum Photos, e o astronauta Mike Massimino

Em português vão falar o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, Américo Silva (Shell) e Diogo Mónica (Docker/IEEE).

– Dia 10 — O palco principal receberá gente da música como os artistas Tinie Tempah e Ne-Yo, além de ‘patrões’ do Deezer e Sound Cloud, e também especialistas da área da Saúde, do ‘open source’ – com intervenções de representantes da Google, Linux, jQuery – e da área dos jogos eletrónicos.

Esta versão da agenda inclui ainda os primeiros-ministros da Estónia e Luxemburgo, Taavi Roinas e Xavier Bettel, respetivamente.

O programa do último dia conta também com David Neeleman, um dos donos da TAP, e portugueses a falar sobre Saúde: Pedro Oliveira, Helena Canhão e Francisco Veloso.

Por agora, o último compromisso do dia é a revelação do vencedor do Pitch2016, a competição de ‘start-ups’.

+++ Eventos paralelos +++

– Venture Summit – Traz os investidores mais influentes dos principais fundos internacionais, ‘business angels’ de topo e aceleradores num evento de apenas um dia.

– Marketing X — Evento apenas por convite destinado aos líderes do marketing (diretores de marketing e diretores de empresas fornecedoras de serviços d emarketing), para ‘networking’.

– Enterprise X — Evento apenas por convite destinado a altos responsáveis das tecnologias de informação (diretores de informática ou diretores de empresas de tecnologias de informação), para ‘networking’.

– Money X — Evento apenas por convite destinado a altos responsáveis financeiros (diretores financeiros, controladores e diretores de empresas de serviços financeiros), para ‘networking’.

– Surf Summit (dias 5 e 6) – A um mês do evento, a organização anunciou que para responder à procura alargou para 50 ‘spots’ a capacidade para esta cimeira que decorrerá nas praias em redor de Lisboa no fim-de-semana que antecede a realização da Web Summit. O aviso já foi deixado: “Não precisas de surfar. A maioria das pessoas vai para conviver”.

– City Summit — Reúne presidentes da câmara de várias cidades do mundo com legisladores, académicos, engenheiros e especialistas em tecnologia. Foca-se nos principais desafios das cidades futures: Transportes, smart cities, energia e sustentabilidade e urbanismo.

– Night Summit e Pub Summit (ao longo dos três dias). “Não estavas a pensar dormir, pois não?” é a pergunta lançada pela organização. Estes são eventos onde a noite e os bares podem resumir aquilo que é o ‘networking’. A Web Summit apresenta-se como não sendo a típica conferência das 9:00 às 5:00 (da tarde), mas toda uma rede que continua a trabalhar pela noite dentro. Vai acontecer em três áreas da cidade: Cais do Sodré, Rua Cor-de-Rosa e Bairro Alto.

No que diz respeito ao Pub Summit, o músico Bono e o ‘rei’Joffrey da Guerra dos Tronos já foram guias desta outra cimeira noturna.

+++ Iniciativas +++

– Mentor Hours (Horas de Mentoria) – São uma oportunidade para as ‘start-ups’ poderem discutir e solucionar problemas com veteranos da indústria em sessões de aconselhamento personalizado sobre os vários aspetos de gestão de um negócio. Entre os mentores estão investidores de capital de risco, presidentes executivos de empresas e profissionais de meios de comunicação social de todo o mundo. Na Web Summit 2016, deverão realizar-se mais de 1.300 ‘Mentor Hours’.

– Office Hours (Horas de Escritório) – Horário de atendimento é uma forma das ‘start-ups’ conhecerem alguns dos investidores presentes. A organização vai pré-organizar e facilitar a realização de 2.160 reuniões no local, com mais de 160 responsáveis da área do capital de risco, decorrendo 30 reuniões a cada 15 minutos. Nove meses após a edição de 2014, 40 ‘start-ups’ que participaram no evento levantaram mais de mil milhões de dólares (cerca de 900 milhões de euros).

– PITCH competition – foi uma das iniciativas eleitas pela Forbes como uma das melhores competições de ‘start-ups’ do mundo. É aberta a todas as ‘start-ups’ presentes no evento, desde que tenha recebido menos de 3 milhões de dólares em financiamento até à data e que não tenha tido uma mudança percetível no modelo de negócios nos últimos três anos. As 200 maiores terão de fazer uma apresentação breve da sua empresa perante investidores de topo, jornalistas influentes e milhares de participantes. Ao longo de três dias, estas ‘start-ups’ vão digladiar-se para conquistar a ida ao Palco Central (Centre Stage), onde vai ser coroado o “Vencedor do PITCH 2016″.

+++ A ‘App’ +++

Criada na anterior edição da Web Summit, a organização continua a disponibilizar uma ‘app’ (aplicação) que classifica como o ‘estado da arte” do ‘networking’, já que permite aos participantes encontrar as pessoas certas dentro do recinto.

A aplicação funciona nos ‘smartphones’ com os sistemas operativos iOS e Android, serve como bilhete de entrada e atualiza em tempo real o programa do evento, mas mais do que tudo recomenda em que discussões deve estar presente e as pessoas indicadas para falar e conhecer, sejam eles investidores, ‘start-ups’ ou oradores.

Quanto mais dados foram compartilhados e mais ativo for o utilizador na aplicação, mais recomendações receberá, naquele que é caracterizado como um “esforço colaborativo”. Além disso, os participantes também poderão comunicar uns com os outros através da possibilidade de ‘chat’ (diálogo) da aplicação.

+++ Escritório em Lisboa +++

– Lisboa eleita para abertura do primeiro escritório fora da Irlanda logo após a edição de 2016 do evento, no Hub Criativo do Beato, em Lisboa.

“Vamos abrir o nosso primeiro escritório fora de Dublin em Portugal” anunciou a 21 de setembro Paddy Cosgrave em entrevista à Lusa.

+++ Contratações +++

– Contratação de mais de uma dúzia de colaboradores “imediatamente depois” do evento, nas áreas de vendas, engenharia, gestão de produtos e de eventos. Entrevistas já começaram.

Texto de Lusa

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