Vodafone Paredes de Coura 2017: as nossas sugestões

12 AGOSTO, 2017 -

O icónico Vodafone Paredes de Coura volta este ano às margens do rio Coura, no espaço da Praia Fluvial do Taboão, para a sua 25ª edição. Em ano de bodas de prata, o festival volta com uma edição consistente e aliciante. O elenco integra desde estreias absolutas (os monstros do pós-hardcore At the Drive-In e a banda instrumental de hip-hop jazzy BadBadNotGood), a regressos de artistas muito acarinhados pelo público português (Beach House, Ty Segall, Foals, Nick Murphy), passando por uma forte representação portuguesa (os estandartes Mão Morta e Manel Cruz, assim como o sangue novo de Bruno Pernadas, Throes + the Shine ou Cave Story) e mais umas apostas ganhas em termos de sucesso crítico (Car Seat Headrest, Future IslandsKing KruleJapandroids).

O entusiasmo que se vai acumulando ao longo do ano está patente na horda de tendas que povoam o campismo semanas antes de o festival começar. A organização, ciente desse facto, antecipa o evento principal ao fazer subir o festival até à pequena vila de Paredes de Coura, que se dinamiza largamente ao longo deste enorme evento que continua a emanar uma sensação de intimismo. Os concertos que decorrerão na vila, entre 12 e 15 de Agosto, são uma showcase de artistas portugueses, entre os quais se incluem The Sunflowers, Nice Weather for Ducks, Stone Dead e Alek Rein.

A vontade de ir pisar a relva verde daquele auditório natural onde se ouvem as canções das nossas vidas, de viver o bucolismo que nos invade nas águas geladas do rio e de experienciar o ambiente único deste festival atinge agora o seu pico. Como tal, deixamos-te aqui as nossas sugestões para não te perderes na boa onda que se vai fazer sentir entre os próximos dias 16 e 19 de Agosto, no Vodafone Paredes de Coura.

Beach House

Depois de relaxar nas margens da Praia Fluvial do Taboão ou de uma amena cavaqueira no campismo, chega-nos a hora do concerto de Beach House. O duo já nos habituou a uma atmosfera ideal ao ambiente de Coura: utópico. Se houvesse banda sonora para acompanhar o início deste parágrafo decerto que os Beach House seriam responsáveis por ela, e o quão bem ficaria entregue! Vêm ainda na senda dos dois álbuns que lançaram em 2015, Depression Cherry Thank Your Lucky Stars, aos quais se juntam os lados B e outros presentes para os fãs, lançados pela banda no álbum compilatório B-Sides and Rarities.

Benjamin Clementine

À décima passagem por Portugal, o artista britânico vai finalmente actuar no local que se adequa melhor à sua música “clássica” e “angelical”. A sua voz versátil e a sua entrega quase declamada encontram no meio da bonita flora de Coura um palco à altura. Traz consigo At Least for Now, o seu encantador álbum de estreia, em que mostra o seu estilo caricato e a sua astúcia musical acoplada a melodias carismáticas e poesia tornada canto, sempre fielmente acompanhada por um piano habilmente tocado, de execução interessante. É certo que será um dos espectáculos mais entusiasmantes e familiares desta edição, rodeado pela natureza que a música de Clementine emula.

Car Seat Headrest

O jovem Will Toledo já conta com doze álbuns lançado em nome próprio sendo que a sua estreia oficial com selo da Matador Records, Teens of Denial, surgiu o ano passado. Este álbum soa quase como o culminar da longa carreira (não) oficial de Toledo. Há uma garra jovial inerente à sabedoria das suas letras e muita genica nas guitarradas que complementam fielmente a juventude descrita, uma frescura na energia do indie rock. Sentem-se as influências de The Strokes, ou a juventude rebelde de Alex Turner, e a maneira astuta e inteligente de descrever o mundo à sua volta em Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not dos Arctic Monkeys. Depois de um concerto aguerrido na edição de 2016 do NOS Primavera Sound, é garantido que o seu som electrificante e possante vai arrebatar o público e incentivar à expressão da emoção. Crescer nunca soou tão explosivo e com tanto ímpeto.

Foals

Já pouco estranhos ao público português, são os Foals. A banda britânica é uma das boas constantes dos nossos festivais de verão e a cada concerto mostram o porquê de nunca nos cansarmos deles e querermos sempre mais e mais. Concertos frenéticos, muita dança e uma atmosfera vibrante é o que podemos esperar em Coura. A banda traz os seus quatro álbuns de estúdio, dos quais o último, What Went Down, foi lançado em 2015. Com a sua prolificidade, esperamos ter direito a ouvir algum material novo, se bem que estandartes como “My Number” ou “Spanish Sahara” farão bem o seu papel.

Future Islands

O trio proveniente de Baltimore é já famoso por todas as bandas, pela inconfundível presença em palco do seu vocalista Sam Herring – dada a conhecer ao mundo na performance que fizeram no Letterman há uns anos atrás, e que deixou o apresentador perplexo. Os sentimentos transmitidos pela ríspida voz de Herring fazem-se ouvir desde 2008, mas foi Singles, o quarto LP, de 2014, que lhes trouxe maior sucesso e reconhecimento, com os arranjos e melodias do baixo e teclas a complementarem-se, criando um ambiente de nostalgia e saudade – difícil de esconder a emoção evocada por “Seasons (Waiting on You)” ou “A Song for Our Grandfathers”. Este ano, regressam com o novo The Far Field, coleção de desabafos e angústias num ritmo mais brando, mas que não por isso deixam de ser menos significativas. Esperamos ouvir em Paredes de Coura “Through the Roses” e “North Star”, cuja transição define a mudança de rumo do álbum, e esperamos que o concerto induza tantas danças, gritos e lágrimas como o fez o concerto de 2014 no MusicBox, em Lisboa.

King Krule

Archy Marchall está imerso na indústria musical desde muito cedo; ainda na escola começou a lançar música sob pseudónimo de Zoo Kid, tendo deste evoluído para King Krule, nome pelo qual se identifica atualmente, e que concilia com a mísica que lança sob nome próprio. O tom grave da sua voz é absolutamente distinguível, bem como o género de música que produz, e que traduziu no aclamado 6 Feet Beneath the Moon: fusão de elementos de jazz, funk e ambiente com rock, desde as guitarras solarengas e romantizadas de “Baby Blue” à combinação saxofone-bateria de “A Lizard State”. Apresenta-se, agoram, pela primeira vez em Portugal desde que lançou o primeiro – e único – LP sob King Krule, e qual outro melhor panorama para o receber que não o anfiteatro natural de Coura.

Nick Murphy

Ao entoar o nome de Nick Murphy, talvez poucos se apercebam que estamos a falar do ex-Chet Faker, o artista que vagueia entre o downtempo, o R&B electrónico e a música ambiente. Mas apesar do nome ter sido alterado, espera-se a mesma sonoridade ‘contida’ e aprazível com que presenteou o público português aquando da sua última passagem por Portugal, no NOS Alive 2015. Apesar de Missing Link, o seu primeiro lançamento em nome próprio, ter sido desapontante, o artista que nos trouxe “Talk is Cheap”, “Blush”  ou a fantástica cover de “No Diggity” continua vivo, e certamente que vai mostrar o seu doce estilo relaxado de fazer música que fará sempre parte do percurso do músico.

Timber Timbre

Os canadianos Timber Timbre trazem na bagagem o mais recente Sincerely, Future Pollution, em que levam os seus blues do deserto dos anos 50 para o corrupio citadino dos anos 80, infundindo-os de teclas. As qualidades cinemáticas da sua música estão agora carregadas de um smog sedutor, bem patente nos sintetizadores que ancoram as canções constantes e esparsas. Esperamos um concerto que ainda pisque o olho a outras fases da banda, desde o blues rock minimalista do álbum homónimo (em “Magic Arrow”, canção que já figurou em várias séries, incluindo Breaking Bad ou The Good Wife) ao rock desértico e seco de Hot Dreams, cuja canção homónima é uma delícia.

Ty Segall

Ty Segall é a prova viva de que, por vezes, a quantidade é proporcional à qualidade. Desde que iniciou a sua carreira em 2008 lançou álbuns praticamente todos os anos. É a sexta vez que pisa terras lusas e a segunda vez no festival Paredes de Coura, depois de ter feito a festa em 2015 com a distorção carregada de Fuzz, banda da qual é baterista. Traz consigo Ty Segall, o segundo com o seu nome lançado no início deste ano, e Emotional Mugger, lançado o ano passado, um álbum corrido repleto de momentos de fuzz no seu máximo e um caos com princípio, meio e fim. O frenesim do garage rock e a apelativa sonoridade da música lo-fi vai com certeza ser fielmente transmitida na actuação do artista.

You Can’t Win, Charlie Brown

Os You Can’t Win, Charlie Brown estão de volta ao Festival Paredes de Coura, desta vez trazendo consigo o álbum Marrow, lançado o ano passado. A sonoridade deste sexteto português começou por flutuar pelo mundo do folk que caracteriza os seus primeiros lançamentos, gravitando depois para uma união entre o rock e a música electrónica, num universo em que só os seus membros sabem caminhar, demonstrado uma simbiose que por vezes se revela bastante interessante. As suas músicas mostram muita coisa a soar, sons empilhados em cima de sons firmemente conjugados num produto final agradável. Certamente que será uma experiência interessante observar como é que a meia dúzia de membros funciona em palco, tocando temas como “Above the Wall”, “Mute” ou Bones.

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