Vodafone Mexefest: a música mexe, de Portugal para o Mundo

9 NOVEMBRO, 2017 -

O Vodafone Mexefest vai regressar à capital para a sua sétima edição, nos dias 24 e 25 de Novembro. Um festival em constante crescimento, que já está completamente enraizado na cidade de Lisboa. Conta sempre com nomes em ascendência no mundo da música, assim como artistas de carreiras mais bem estabelecidas, que se fundem com a vida da cidade, ao tocarem numa panóplia de locais dispersos pela zona circundante da Avenida da Liberdade. O bulício citadino faz-se sentir no movimento do público, de sítio para sítio, mas cada recinto é um oásis musical onde cada experiência será irrepetível.

O festival mantém em 2017 uma presença massiva de artistas nacionais e, apesar de nem todos cantarem em português, a língua portuguesa terá representação nos seus variados sotaques. Estarão presentes nomes já bastante conhecidos do público, tais como Manel Cruz, indissociável da música portuguesa e pronto a apresentar o projecto Extensão de Serviço. O veterano fadista-punk Paulo Bragança regressou a Portugal e mostrará em Lisboa porque já foi considerado um dos melhores do fado.

O hip-hop português estará bem representado por artistas como Allen HallowenValete, e pelo projecto Orelha Negra. Com álbum novo lançado na segunda metade de 2017, os Orelha Negra preparam-se para fazer a sua estreia no Vodafone Mexefest. A sua junção de hip-hop com estilos musicais como o funk e soul certamente estará à altura da ambiciosa tarefa de meter toda a gente a dançar ao som do seu groove. Será uma óptima ocasião para ouvir os grandes temas que preenchem o mais recente álbum de Orelha Negra, mas êxitos anteriores, como “M.I.R.I.A.M.”, “Throwback” ou “A Cura”, decerto farão parte da setlist desta banda que deixa as samples falar por si, adornando-as de uma atmosfera poderosa a que ninguém fica indiferente.

O cartaz conta ainda com outros nomes da nova leva musical portuguesa. Luís Severo apresentará o seu álbum homónimo de 2017, numa versão despida, ao piano. Num registo mais electrónico, Moullinex irá apresentar o seu mais recente trabalho Hypersex, álbum pronto a ser dançado. O duo Ermo irá apresentar Lo-fi, uma nova aventura experimental da música portuguesa. Benjamin trará ao Mexefest o seu projecto que funde bossa nova e pop anglo-saxónica, 1986, co-criado com o inglês Barnaby Keen, num espectáculo conjunto. O rap crioulo de Karlon, português com origens cabo-verdianas, também se fará ouvir algures na Avenida.

Os El Señor são uma das mais recentes confirmações da edição deste ano. Com o seu primeiro EP, Alvorada Beat, lançado em meados deste ano, têm tocado em várias salas portuguesas, tendo já chegado também a Espanha. A banda vem de Fafe e traz consigo uma sonoridade refrescante, inspirada no rock, surf rock e lo-fi, capaz de encher qualquer sala com crowdsurfing e moshes suados. O seu concerto na Avenida da Liberdade certamente não será excepção.

No português vindo do outro lado do Atlântico, teremos projectos que são acontecimentos no Brasil, exportados agora para Portugal. O concerto de Momo, epíteto de Marcelo Frota, que editou Voá este ano, contará com a participação de Camané no tema “Alfama”; e ainda Liniker e os Caramelows, que trarão o seu disco de estreia Remonta.

Virando-nos agora para o resto do mundo, destacamos três nomes do extenso cartaz. Julia Holter é uma artista em expansão. Da pop intricada confinada às paredes do seu quarto de Tragedy e Ekstasis, para o burburinho nocturno da cidade de Loud City Song, Holter acabou por deixar o sol entrar em Have You in My Wilderness, reconhecido como um dos melhores álbuns de 2015 pela crítica especializada. No entanto, não é preciso ser crítico para se deixar arrebatar pela beleza das canções da artista, que, ao vivo, se rodeiam de uma atmosfera intimista e impactante. No bulício citadino da Avenida da Liberdade, há que haver tempo para parar e escutar o que Julia Holter tem para nos cantar, pois valerá certamente a pena. Quiçá, teremos direito a ouvir novas canções.

Formado em 2007, o quarteto oriundo de Manchester e liderado pelo melódico timbre vocal de Jonathan Higgs certamente trará aos palcos da Avenida da Liberdade a sensibilidade dançável que acrescenta ao seu enérgico indie rock. Com A Fever Dream, lançado há pouco menos de 3 meses, firmemente aplaudido pela crítica, as expectativas estão elevadas para os Everything Everything, naquele que será, de resto, um regresso a territórios portugueses depois de uma ausência de quase 4 anos. Assim sendo, muitos dos fãs dispostos a marcar presença poderão vir a ter a sua primeira experiência ao vivo com as músicas do seu registo de 2015, intitulado Get To Heaven. Com a sua sonoridade dinâmica e explosiva, suportada pelas letras de Higgs e a fusão de estilos que o grupo emprega, o mesmo constituirá uma das principais atracções do Mexefest.

IAMDDB é daquelas artistas que produz por vocação, por oposição a quem o faz apoiado em rigor, práticas várias e técnicas variadas apuradas. Não quer dizer que o seu produto – neste caso, a sua música – seja invariavelmente melhor, nem tendencialmente pior. Mas há uma aura de frescura audível no som e visível nos vídeos. Diana Debrito é inexcedível a nadar em beats de trap e hip-hop. Facto é que esta miúda de 21 anos oriunda de Manchester, com raízes luso-angolanas, ainda agora cá chegou e já parece ter deixado marca própria. Urban jazz é como auto-intitula as melodias que produz, escreve e canta: não espanta que tenha Bob Marley, Nat King Cole ou Boy G Mendes como principais referências. Qual glamoroso talento urbano, a sua forma de estar na indústria recai num bairrismo que alimenta sinergias criativas altamente recomendáveis: livre de constrangimentos editoriais, a sua equipa é composta por fotógrafos, designers e artistas digitais que já pertenciam ao seu círculo íntimo. “Relief, love and fresh vibes”, diz ela. É isso elevado ao expoente máximo da originalidade, e algo que poderemos comprovar no concerto que dará no Vodafone Mexefest.

Apesar do frio outonal que provavelmente se fará sentir nas noites de 24 e 25 de Novembro, o Vodafone Mexefest dá razões mais que suficientes para sair à rua e viver a música na cidade de Lisboa.

Artigo da autoria de Bernardo Crastes, João Jacinto e Samuel Pinho

Fotografia de destaque por Rita Carmo, Blitz / Fotografia de Orelha Negra por Hugo Sousa / Fotografia de Julia Holter por Burak Cingi

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