‘Violência e Islão’ é o novo livro de Adonis, um dos maiores poetas e pensadores do mundo árabe

6 SETEMBRO, 2016 -

Violência e Islão” é o novo livro de Adonis que a Porto Editora irá publicar na próxima quinta-feira, dia 8 de Setembro. O poeta já recebeu vários prémios, entre eles: Goethe PrizeSpiros Vergos Prize for Freedom of Expression, Bjørnson Prize ou o International Nâzim Hikmet Poetry Award. E, é actualmente uma das personalidades favoritas ao Prémio Nobel da Literatura.

Adonis vive actualmente em França, desde os anos 1980, e é um dos mais importantes poetas e pensadores da idade contemporânea, é uma voz de referência no debate sobre o islamismo e sobre o mundo árabe. O poeta costuma dizer que a arte é o melhor forma de diálogo entre culturas, acrescentando ainda que é um crítico de todos os monoteísmos, seja ele muçulmano, judaico ou cristão. Adonis considera-os “essencialmente antidemocráticos” e “fundados na violência”, pois acreditam ser os donos da “verdade última”.

Sinopse do livro
O extremismo islâmico, no seu discurso e na sua acção, ostenta a bandeira de um Islão em permanente agonia, que mantém os seus fiéis na escuridão e incute na sociedade árabe uma conduta de violência, analfabetismo, misoginia e ignorância. Um obscurantismo e uma barbárie que duram há quinze séculos e que hoje se fazem sentir um pouco por todo o mundo, de Palmyra a Paris, do fracasso da Primavera Árabe ao ressurgimento do Estado Islâmico, e dos quais o Ocidente não pode ser ilibado de culpas.
Perante o silêncio e a hipocrisia que se instalaram tanto no Médio Oriente quanto no Ocidente, levanta-se a voz de um dos maiores poetas e pensadores do mundo árabe, Adonis, que, num conjunto de entrevistas dedicadas à temática da violência como elemento constitutivo do Islão, reflecte sobre a necessidade urgente de uma releitura e debate livres no seio da sociedade árabe, um novo tempo que do passado apenas invoque a luta pelo direito à diversidade e que condene o confronto. Um tempo de reconciliação.

Excertos do livro
«Descobri que toda a nossa história estava falseada, que ela fora inventada, e que aqueles que tinham criado a civilização árabe e a sua grandeza foram banidos, condenados, rejeitados, encarcerados e até crucificados. É necessário voltar a ler essa civilização de um modo diferente: com um novo olhar e com uma nova humanidade

«A minha esperança é que o Daesh seja o último estertor desse Islão. Como uma vela que, nos seus últimos instantes, tem um sobressalto antes de se extinguir.»

«Por isso, nessa perspectiva [a do Estado Islâmico], o sentido e a essência do homem não advêm da sua humanidade, mas da religião – a saber: o Islão. E se um muçulmano abjura a sua religião, perde essa essência humana. Será condenado, será morto. O homem é criado para ser muçulmano e servir o Islão.»

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