Uma viagem por ‘Guidance’, novo álbum dos Russian Circles

19 SETEMBRO, 2016 -

Há dez anos deambulavam entre as bandas mais promissoras da cena post-rock/metal, estatuto confirmado quando na altura lançaram “Enter”. Volvida uma década, os Russian Circles, estabelecem-se no seio das bandas reconhecidas mundialmente dentro do género. Algo que se deve a “Guidance”, sexto álbum da banda, ainda cheira a novo, mas já se pode fazer ouvir na íntegra.

Normalmente, quando se fala num sexto álbum, existem dois pontos incontornáveis: maturidade e evolução. A maturidade não se altera desde “Enter”, na altura a banda norte-americana já apresentava um trabalho com um nível de elaboração acima da média. Uma coisa é certa: o nível de produção mantém-se, como se pode verificar na sonoridade que praticam ao longo desta década. Sendo a sonoridade coerente em todas as dimensões, é de realçar a evolução deste trio. A verdade é que o percurso não tem tido percalços e alcançar a sexta produção sem desvios é obra. Nem mesmo aquando da colaboração com Chelsea Wolfe no último “Memorial” de 2013.

Se viajarmos pelos álbuns anteriores dos Russian Circles, é facilmente compreensível que a banda atinge uma consolidação no seu trajecto. Em “Guidance”, torna-se percetível que as influências são repescadas aos trabalhos anteriores. Uma reinvenção deles próprios, sem ultrapassarem os seus padrões. Se ouvirmos “Mlàdek” do álbum “Empros”, é inevitável a associação a “Death Rides A Horse” de “Enter”. E agora, se ouvirmos “Vorel”, encontram-se mais pontos de convergências entre estas faixas. Por vezes, a simplicidade pode ser o percurso menos engenhoso para a genialidade.

Este sexto trabalho dos Russian Circles destaca-se ainda pela homenagem feita à cidade de Lisboa. A capital portuguesa dá nome à última faixa do álbum, naquela que é, provavelmente, a música mais “post-rock” do álbum, onde a introdução é dada com uma calma e assombrada guitarra até ao típico crescendo. Funciona bem e é um bonito desenho atmosférico da nossa cidade.

Existem milhares de bandas dos géneros post-rock/metal, muitas delas são facilmente confundíveis. E, é de facto complicado demarcar-se tanto de um género, tão vincado nas guitarras cheias de reverb que choram até ao infinito. No entanto, os Russian Circles são das poucas bandas do género perfeitamente reconhecíveis, talvez porque carregam uma bateria muito vincada ou então pelas arrancadas frenéticas e surpreendentes. Apesar do lançamento ter sido no passado mês de Agosto, “Guidance”, possuiu um ambiente invernoso, como aliás já era de se esperar. Dez anos e seis álbuns depois, os Russian Circles, são definitivamente uma identidade de culto na cena do post-metal mundial.

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