Uma reflexão sobre a informação

12 DEZEMBRO, 2016 -

A informação é poder. A informação é dinheiro. A informação é tudo e mais alguma coisa. Percebe-se cada vez mais a capital importância da informação. Um bem que tanto tem de quantificável como de qualificável. Um bem que é em simultâneo causa, meio e efeito.

São muitos aqueles que subestimam a informação. Desde cedo que assim é. Muitos consideravam-na especulação de desdenhador daquilo que era a realidade. No entanto, foram essas fontes que, por mais conjeturais que o seu conteúdo fosse, fizeram chegar aos nossos dias linhas de orientação sobre as diferentes temáticas que hoje são discutidas e trabalhadas. Desde a ciência à arte, passando pelas áreas que as cruzam, como a história, a política, a filosofia e a oratória.

Em certa altura, a informação começou a assustar. O seu poder começou a desmascarar aquilo que muitos arrogavam possuir ou tomar como a verdade incontestável. Tanto a partir das experiências como das evidências, nasceram posições organizadas e fundamentadas adversas ao poder. Houve a necessidade dos mais poderosos fazerem frente a essa força da informação. Houve a necessidade de se obstar à sua divulgação, criando métodos de repressão e de opressão àqueles que se atreviam a opor. A política do medo e da supressão foi a escolhida para destituir a informação da sua dinâmica ativista.

Filósofos, teóricos e sociólogos estudaram com afinco a exigência de uma sociedade sustentada e estabilizada assente na liberdade de expressão e na proliferação das fontes de conhecimento, nomeadamente livros. Todas as obras, por mais ou menos parciais ou erróneos que sejam os conceitos expostos nestas, possuem o direito de serem divulgados e lidos. Cabe ao juízo de cada um averiguar o valor e o critério certeiro ou não daquilo que é partilhado. Cabe à educação formar e promover posições e atitudes a partir de informação lida e interpretada, reforçando a identidade e o papel de cada um numa sociedade que exige um pouco de tudo em todos.

Agora, em fase plena de democratização da informação, existem novos desafios para os quais não serão só os filósofos, os teóricos ou os sociólogos a prestar as devidas respostas e soluções. Somos também todos nós, gente com acesso às diferentes fontes e com critérios de avaliação definidos, que tembém devemos considerar sobre aquilo que é produzido e desenvolvido. Tendo em conta o valor inerente à informação, importa perceber que esta é facilmente manipulável. Ajustável às pretensões do seu autor ou da organização que a encaminha. A informação deixou de ser independente pela sua massificação e pela criação liberalizada por toda a gente. Muitos potenciaram o potencial carnavalesco da informação para a maquilhar a seu bel-prazer. O argumento de um “prossumidor” (i.e. ao mesmo tempo produtor e consumidor) que se apodera da informação e que, ao mesmo tempo que a compõe, acolhe outras mais com o desdém daquilo que é alheio, mesmo que plenamente sustentado. Um problema que se difundiu e que ainda aguarda por uma resposta concreta e generalizada.

Por ser tão vária e esparsa, a informação tornou-se arma de arremesso de forças contra outras tantas, em distintos contextos e em diferentes ambientes. Comercializou-se, mercantilizou-se. Dois verbos fortes e que retratam aquilo que as tendências fizeram da informação. De um bem privilegiado e reservado para explorações científicas e exposições daquilo que é a realidade de cada um, tornou-se perecível e suscetível à falácia fácil. Entre os prós e contras de uma sociedade global e mais de direitos do que de deveres, a informação banalizou-se. Não obstante isso, o seu poder decisório e mandatório permaneceu intacto. Por si só, tudo se tornou mais instável e imprevisível, alheio à ansiedade da veiculação da verdade.

Escrevo isto porque a informação é talvez o ativo mais valioso numa perspetiva profissional e pessoal. Profissional no sentido em que traduz aquilo que são indicadores-chave para o negócio e para o seu sucesso; pessoal porque é esta que traduz aquilo que se sente e que se pensa, através da linguagem. Porém, merece uma atenta reflexão que a informação tornou-se mais aquilo que uns querem do que é a realidade.

De forma pontual, surgem revelações de documentos que revelam os embustes de uns e de outros, que usaram outro tipo de informação para inquinar a aparência. Porque, nos dias de hoje, a aparência prevalece. São os títulos que saltam à vista. São os tablóides que sensacionalizam e que instalam o impressionismo no público em geral e não os quadros de Monet ou de Degas. São diferentes os meios e, como tal, distintos os efeitos. Nem sempre para melhor mas isso cabe ao juízo de cada um. Escolher aquilo que entende como a realidade, seja ela a sua ou a de todos.

Exorta-se à verdadeira evolução da informação e não a uma regressão que radica num conjunto de congressos favorecendo os progressos. São as ações, as intenções e suas materializações. Que se evolua com cabeça e com a singular mas pensada sentença.

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