Tony Soprano e a Dr. Melfi: Uma relação de 8 anos em silêncios

13 OUTUBRO, 2016 -

Sopranos é uma daquelas séries intemporais que de tempos a tempos são descobertas por novas gerações ou revisitada por quem sente a saudade da sua presença como é o caso do autor da página Beyond The Frame. Mais do que uma série sobre “gangsters”, como uma análise simplista e baseada numa qualquer sinopse poderia fazer crer, Sopranos é uma série sobre os comportamentos e a natureza humana.

No centro da narrativa está um homem, homem de família com a qual nunca se abria e da qual escondia o que podia. Tony Soprano (James Gandolfini, entretanto falecido) é, além disso, alguém habituado a ter tudo o que deseja. Vicissitudes de ser um líder da máfia de Nova Jérsia.

Mas no meio da rotina do “trabalho”, casa, havia uma outra mulher, num outro espaço, o consultório da psicóloga Jennifer Melfi (Lorraine Bracco). Uma mulher capaz de o desarmar e com a qual entrava na imersão que ter de se analisar do exterior e ser confrontado com os seus erros quando todos os outros à sua volta tinham medo de os apontar ou simplesmente desconheciam a existência dos mesmos. Foi a Dr. Jennifer Melfi que durante temporadas entrou no subconsciente de um homem habituado a tratar a violência por “tu”, que tinha tudo quanto queria e que se achava superior a todos, sobretudo às mulheres.

Num vídeo-ensaio feito por Luís Azevedo assistimos a muitos desses momentos de confrontação entre Tony Soprano e a Dr. Melfi. A maioria deles constituídos por mero silêncio – os poucos que existiam nos seus momentos a dois que maioritariamente eram constituídos por conversas. Quando conjugados, esses mesmos silêncios com o espaço em questão – o consultório -, Tony era obrigado a uma auto-análise e auto-examinação sobre as suas acções fora desse mesmo espaço.

O desconforto para Tony Soprano de não só ser obrigado a lidar consigo e com o que é, mas também o facto de ser uma mulher a obrigá-lo a tal, proporcionaram alguns dos grandes momentos de uma série que ficará para sempre na história da TV, ou bem mais perto, ali na nossa estante.

O diálogo (ou falta dele) no vídeo representa não só um olhar entre esses momentos a dois, mas também uma viagem ao longo de todas as temporadas em que os dois partilharam a presença um do outro.

São estes os momentos explorados no vídeo. Os olhares, a roupa, os gestos e a evolução de todos estes pequenos pormenores aqui num vídeo que começa e termina com o mesmo diálogo, e entre isso uma imensidão de experiências.

Vídeo para a página Beyond The Frame de Luís Azevedo

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