‘Three Billboards Outside Ebbing, Missouri’: este país não é para meninos!

6 SETEMBRO, 2017 -

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Frances McDormand é uma bitch from hell com língua de fogo e a desafiar um país de red necks racistas e misóginos a quem uma nomeação para o Óscar assentará muito bem. Sam Rockwell acaba por ser a combinação ideal em mais um saloio descontrolado nesta comédia negríssima de Martin McDonnagh, com o guião mais incendiário e irresistível de que nos lembramos. Leão de Ouro, Óscar, isso serão meros detalhes. O filme é que tem mesmo de ser visto.

Só quem não ficou convencido ou não se recorda do guião de Em Bruges poderia deixar passar despercebido este filme com o título talvez mais discreto do ano. Só que Three Billboards Outside Ebbing, Missouri é também um filme que deve ser descoberto. Só que depressa se torna real que passa por aqui algum do melhor guionismo da atualidade. Apesar da herança britânica, foi no sul dos Estados Unidos que Martin McDonagh encontrou o seu filão de personagens, algures entre o idiota, o chauvinista, o racista ou oura e simplesmente o imaturo. Em Veneza foi recebido com sucessivos rasgos de palmas durante a sessão, gritos de gargalhadas e uma enorme ovação final. O filme até pode sair de Veneza sem o Leão, já que se trata de uma pequena história demasiado americana e sem o pathos de um prémio desta dimensão. No entanto, talvez tenha disso o que mais nos encheu as medidas.

A ideia ocorreu-lhe há cerca de duas décadas quando ao passear por uma estrada sulista viu dois ou três cartazes na estrada com uma mensagem pessoal. Algo que há cerca de quatro, cinco anos acabou por passar para o papel, inscrevendo também uma história de um crime macabro de violação de uma jovem enquanto morria sem a devida dedicação das forças policiais pouco empenhadas. Ao considerar a presença obrigatória de Sam Rockwell e de escrever o guião também a pensar em Frances McDormand as coisas tornam-se um pouco mais fáceis.

Talvez o grande mérito e eficácia do estilo McDonagh seja mesmo essa feliz combinação entre o humor viperino e uma ação sem limites, temperada por um fio dramático que se equilibra e acrescenta espessura a uma história que já não se perde como puramente tresloucada, embora a alfinetar os diversos ismos que viciam um certo ser do sul. Assim sucede em Three Billboards, em que o equilíbrio de gargalhadas é concorrido com ousadia e virtuosismo. E, claro, impressionantes Frances McDormand, Sam Rockwell a celebrar o nível mais baixo do agente vicioso, bem como Woody Harrelson que terá a carta póstuma mais insólita.

Sim, este país não é para meninos. Há mesmo cenas demasiado provocadoras, como aquela em que Frances dá um chuto na… passarita de uma mulher com quem tem um desaguisado. O melhor que nada soa a gratuito. Como quando Harrelson, o xerife visado com a falta de empenho da polícia nos cartazes, tem um acesso do seu cancro e tosse sangue na cara dela. Diante as desculpas dele, a resposta é terna: eu sei que não foi de propósito, querido.

Artigo escrito por Paulo Portugal / Parceria Insider.pt

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