‘The OA’, a série mística do subconsciente

18 JULHO, 2017 -

Brit Marling volta a extasiar-nos com o seu brilhantismo. Dentro e fora do ecrã a actriz de Another Earth e I Origins (tendo também trabalhado no argumento do primeiro), transcende expectativas traçadas e não traçadas, envolvendo-nos com o ímpeto da sua performance e a força mística dos temas que aborda.

Atentando ao seu percurso, a correlação entre a crença e a ciência é o tema de eleição abordado nos projectos da actriz. Em The OA, em parceria com o realizador e também argumentista Zal Batmanglij, uma temática espiritual toma conta daquilo que inicialmente parecia desenrolar-se num drama/mistério, só voltando a ser posta em cheque no final que, pouco claro, deixa em aberto uma série de possíveis interpretações.

A história começa com o reaparecimento de Prairie (Brit Marling), cujo paradeiro se encontrava desconhecido nos últimos sete anos. Percebemos que os pais (adoptivos) e a polícia há muito que procuravam Prairie, tendo como principal suspeita o pressuposto de um rapto. Mas rapidamente damos conta que o plot tende a florescer para algo mais misterioso e esotérico, não só pelo facto de Prairie ter recuperado a visão que perdera quando criança, como pelo facto de se negar a falar das circunstâncias do seu cativeiro.

Determinada em pôr em marcha um plano que desesperadamente tem vindo a elaborar (e cuja finalidade é totalmente desconhecida para o espectador nos primeiros episódios), conhece primeiro Steve (Patrick Gibson), um adolescente problemático, marginalizado tanto por um pai austero, como pela escola e professores, que há muito desistiram de lutar por alcançá-lo. Apesar de um começo atribulado, em grande parte devido ao temperamento revolto de Steve, as duas personagens comprometem-se a ajudar-se mutuamente. A esta dupla juntam-se progressivamente mais três outros adolescentes e uma professora, que de comum partilham um isolamento e desajustamento em relação a si próprios e ao mundo em que se inserem. E assim começa a jornada pelo passado de Prairie, que vai detalhadamente narrando tudo aquilo por que passou até aquele instante.

Mais que um percurso enigmático, que nos conduz continuamente por entre a ténue linha que separa a vida e a morte, aquilo que realmente nos fascina é o carisma de Prairie. Da mesma forma que captou a atenção daquele grupo improvável, que agora lhe é totalmente devoto, de igual modo nos prendeu a nós, espectadores, que mesmo perante o bizarro de algumas situações e cenários, não perdemos a fé nem a vontade em desvendar a narrativa insólita que nos acompanha ao longo dos sete episódios.
É, no entanto, o final que nos força a colocar toda a narrativa em perspectiva, deixando em aberto a própria essência da série. O que se desenrolou como um manifesto drama de ficção científica, tem agora fortes probabilidades de se apresentar como uma análise objectiva ao subconsciente humano.

O imaginário combinado de Marling e Batmanglij resulta a todos os níveis, sustentando a dose certa de magia e sobriedade e certamente amparando as nossas expectativas na continuação desta jornada de cariz inexplicável.

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