‘The Dark Star Trilogy’: Marlon James anuncia trilogia de fantasia épica

12 JANEIRO, 2017 -

O escritor jamaicano Marlon James, vencedor do prémio Man Booker 2015, anunciou que o seu próximo projeto é uma trilogia de fantasia épica, a ser publicada pela Riverhead Books, já descrita como “a Guerra dos Tronos africana“.

De acordo com uma entrevista dada à Entertainment Weekly, o projeto, intitulado ‘The Dark Star Trilogy‘, engloba três novelas – ‘Black Leopard, Red Wolf‘, ‘Moon Witch, Night Devil‘ e ‘The Boy and the Dark Star‘ – e segue três personagens: ‘The Tracker‘, ‘The Moon Witch‘ e ‘The boy‘.

Marlon James, que venceu o Booker com ‘Breve História de Sete Assassinatos‘ (publicado em Portugal no final do ano passado pela Relógio d’Água), o seu terceiro romance, assume que as sagas da ‘Guerra dos Tronos‘ e de ‘O Senhor dos Anéis’, bem como os contos da mitologia antiga africana servem de inspiração para esta série.

Esta ‘Dark Star Trilogy‘ começa com uma busca falhada por uma criança desaparecida, antes de se expandir para um épico imbuído de mitologia africana e criaturas fantásticas, tais como bruxas, monstros e seres que mudam de forma.

Quanto ao facto de a editora classificar já esta trilogia como uma ‘Guerra dos Tronos africana‘, Marlon James assume que lhe agrada a alusão, no sentido de um mundo de maravilha que não tem medo de se tornar incrivelmente negro de amargo.

De acordo com o resumo oficial da história, as personagens principais estão “trancadas numa masmorra no castelo de um rei moribundo, a aguardar tortura e julgamento pela morte de uma criança”.

Eram três dos oito mercenários contratados para encontrar a criança. A busca, que se esperava durasse dois meses, demorou nove anos. No final, cinco dos oito mercenários, assim como a criança, estavam mortos”, pode ler-se na sinopse.

Os três romances irão desvendar a história do que aconteceu a cada personagem durante esses nove anos – uma por livro – à medida que James constrói um mundo repleto de mitos e lendas africanas.

A ideia para a trilogia surgiu de uma discussão que Marlon James teve sobre diversidade e inclusão, a propósito do elenco escolhido para ‘O Hobbit‘ e as personagens de ‘O Senhor dos Anéis‘.

Fez-me perceber que havia este enorme universo de história e mitologia africanas, histórias loucas, bestas fantásticas e assim por diante, que estava ali à espera. E eu sou um grande ‘nerd’ de ficção científica – adoro o meu ‘Senhor dos Anéis’, amo a minha Angela Carter [escritora inglesa conhecida pelo seu trabalho de realismo mágico e ficção cientifica] e o meu ‘O dragão do lago do fogo’ [filme de Matthew Robbins, no original, ‘Dragonslayer’]“, afirmou o escritor.

No entanto, Marlon James aponta outras influências, como a do pintor surrealista Salvador Dalí, da banda desenhada ‘Fábulas’, da autoria de Bill Willingham, e do escritor colombiano Gabriel García Márquez.

Eu queria um mundo que, de certa maneira, não faça qualquer sentido, ou que não é realmente o nosso plano de existência, porque em muitas histórias africanas verdadeiras, não há separação entre realidade e sonho, ou realidade e fantasia, ou entre mortos e vivos. Essa distinção não é feita“, explicou o autor.

Afastando a ideia de um tipo de romance respeitável e politicamente correto, Marlon James afirma que, em vez disso, deseja que crianças de 12 anos leiam o livro.

Quanto a previsões para lançamento do primeiro volume, Marlon James diz ter o final deste ano como limite para acabar de o escrever, de forma a que possa estar à venda nas livrarias no outono de 2018.

Texto de Lusa e CCA

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