The Bold Type: quando a mentalidade atual e progressista ganha relevo

13 AGOSTO, 2017 -

Look Fantastic PT 180X150
Womens Bags PT 300 x 250

Cinema nunca deve ser afetado pelo politicamente correto, mesmo com o risco de ofender ou chocar uma certa percentagem da população. Vivemos num mundo cada vez mais evoluído, e esta evolução deve afetar cada vez mais gente, deixando para trás valores ultrapassados. Aqui, insere-se a arte e, neste caso em concreto, o cinema, este sendo uma forma de mostrar o que é que deve ser o objetivo das sociedades de hoje em dia, assim como as séries televisionadas que se lhe sucederam.

Assim, The Bold Type entra bastante no espírito referido no paragráfo inicial. Teve a sua premiere no dia 20 de Junho deste ano na Freeform, e, portanto, é um produto ainda com pouco alcance dentro do público.
Mas esse último ponto é algo que penso que, com o tempo irá mudar, e o porquê paira no ar. No enquadramento da apresentação deste projeto, digamos que representa bastantes valores que deviam já ser tidos como uniformes nos dias de hoje nas sociedades desenvolvidas.

Inspirada na vida da ex-chefe de redação da Cosmopolitan, Joanna Coles, a série foca-se na vida de um grupo de três melhores amigas. Jane (Katie Stevens, muitos poderão se recordar dela ao visualizarem a série por ter aparecido no American Idol de 2010), Kat (Aisha Dee) e Sutton (Meghann Fahy) que trabalham na Scarlet, uma revista feminina com um alcance global.

Desde o início da série que a mesma demonstra uma abertura fantástica na forma como retrata as tais vidas. Não demonstra qualquer pudor, abordando temas como a sexualidade do sexo feminino de forma livre, tal como a orientação sexual é abertamente discutida durante vários diálogos, sendo mesmo um dos focos de uma das protagonistas durante todos os episódios até agora transmitidos. A própria discriminação, por motivos de raça e religião, é um foco de uma das personagens muito cedo introduzida na série, e que já teve o seu destaque nos media por uma combinação de atributos muito peculiar numa só personagem (a nível de religão, raça e sexualidade).

Resultado de imagem para the bold type

No entanto, mesmo além desses temas mais edgy, retrata problemas que todos nós temos, como os nossos sonhos e objetivos de vida, em que, por vezes, questionamos se não vale a pena optar pelo lado mais material e monetário de uma profissão, em vez de irmos à procura do nosso real sonho, mesmo que esse não traga os mesmo proveitos financeiros. Por outro lado, quando conseguirmos, realmente, alcançar o nosso sonho, se temos capacidade para vencer os nosso medos, e arriscar para se subir a outro patamar, não nos deixando acomodar. Isto tudo, enquanto a série mantém uma química absolutamente genial entre as três protagonistas, e entre elas e todas as personagens com as quais elas se relacionam, sejam a sua chefe (Jacqueline), os namorados/as, amigos ou colegas de trabalho, e retrata a força que as mulheres têm, e que em nada se revelam e se evidenciam de forma inferior aos homens.

A série não deixa, também, de apresentar algumas críticas subtis à forma como se usa a tecnologia em todos os locais, mesmo em momentos mais intímos. A consequência expressa-se, por vezes através do uso da mesma, e do retratar das relações, dos seus dramas, questões, problemas inerentes, para além de como formam e se modificam de algo casual para algo mais sério. Aqui, surge à tona o facto de todos nós sermos diferentes, reagindo, cada uma das protagonistas, de uma forma diferente às situações, embora mantendo uma química que as complementa em todos os episódios, ajudando-se mutuamente através de um contraste de pontos de vista e atitudes, mesmo que às vezes isso crie atritos temporários entre elas. Porém, não há relação humana que assim não seja.

Em nenhum momento durante a visualização dos ainda breves seis episódios fiquei com a sensação que alguma relação, alguma história contada fosse forçada, ou que, em algum momento, a pessoa que a visualiza não pudesse ter alguma espécie de ligação à mesma, seja por retratar algo semelhante pelo qual passou ou ainda passa, ou pelo sentimento de reality que a série transmite. É ficção, mas tudo é tão fluído, tão real, que parece mesmo que estamos a ver/ler um diário de três amigas que realmente existem num local deste planeta, e esta é, para mim, a grande qualidade da série, além dos temas que retrata.

Está longe de ser mainstream, mas, quanto maior for o alcance de Bold Type, melhor será para as sociedades em que vivemos, pois retrata tudo aquilo de correto que as mesmas devem ter, com as suas protagonistas a representar valores progressistas que deviam de ser contagiantes. Uma série que todos nós deviamos ver, independentemente dos princípios assumidos por cada um, porque a série, apesar de, realmente, se focar muito no lado feminino, os valores que traz durante os episódios são universalmente aplicáveis, sendo, sem dúvida, uma das agradáveis supresas de 2017.

Artigo de: Pedro Monteiro

 

Comentários

Artigos que poderão ser do teu interesse

ARTIGOS RELACIONADOS

Manel Cruz regressa aos palcos com “novo material e arranjos diferentes” de ca

Desde 2013, ano de lançamento das primeiras faixas via Soundcloud

'An Inconvenient Truth' estreou em 2006 e agora, 10 anos depois, ficámos a saber

Aos 32 anos, Lana del Rey chega ao seu quarto álbum de estúdio, sendo o sucessor