‘The Blues Experience’: Quando o blues vai ao encontro do jazz

19 MARÇO, 2017 -

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Dois anos após o lançamento do seu último álbum, os Budda Power Blues voltaram ao estúdio e, desta feita, fizeram-se acompanhar de Maria João, célebre voz do jazz português. A parceria foi anuncia à imprensa em 2016, sendo que o álbum viria a ser lançado em Março de 2017.

The Blues Experience começa com «Troubled Mind», numa mistura que invoca a suavidade de algumas vozes do jazz, como as de Sarah Vaughan, Dinah Washington ou Ella Fitzgerald, acompanhada de B.B. King, Jimi Hendrix, Buddy Guy e os Chicago Blues no seu maior esplendor, num arranque monumental de um álbum que já aqui promete ser uma experiência singular. Convidando Maria João, voz sonante do jazz português, os Budda Power Blues, criam um álbum onde os seus blues vão ao encontro do jazz que ecoa na voz de Maria João, numa união celestial. Segue-se «I Feel So Blessed», uma balada que nos envolve na suavidade da voz de Maria João ao mesmo tempo que os acordes nos transportam algures para um lugar utópico onde a música é o oxigénio que nos mantém vivos. «I Lost A Friend» traz-nos uma sonoridade de blues que remonta aos anos 60, com os acordes da guitarra a relembrarem algo de Eric Clapton por entre a genialidade da doce voz de Maria João. Segue-se «Ain’t No Place Like Home», que pode ser considerada um hino à perfeita união entre os blues e o jazz. Uma fusão singular que nos leva a pensar no que teria sido uma parceria entre Dinah Washington e Muddy Waters. Certamente esta parceria entre Budda Power Blues e Maria João assemelha-se à monumentalidade daquilo que aqui imaginamos. «Happy Birthday Blues», como indica o nome, é a felicitação numa forma de blues. A sonoridade já célebre da guitarra de Budda Guedes toma aqui destaque e remonta ao final dos anos 60, lembrando algo que ecoaria nos festivais Woodstock ou Monterey Pop, junto de nomes como Jimi Hendrix e Janis Joplin.

O mesmo acontece com «By Your Side», uma perfeita fusão entre os blues de Budda e Nico Guedes e a suavidade de Maria João. «Roger» por sua vez parece uma obra inspirada na música de Janis Joplin, mas com uma versão feminina da voz de Otis Redding na interpretação. Uma verdadeira utopia musical. Com «Excited & Confused», quase que nos é possível vislumbrar Ella Fitzgerald na voz de Maria João, numa tão doce balada e com uma tão doce gargalhada no final. Embora sempre presente o toque de blues, esta balada aproxima-se mais do registo de jazz que Maria João traz ao álbum. Com o aproximar do final do álbum, já não restam dúvidas de que esta é de facto uma experiência de blues singular. Segue-se «Hole In My Soul», um dueto entre Budda Guedes e Maria João e uma sonoridade a que os Budda Power Blues nos têm vindo a habituar. Um blues de hoje que remonta aos dias de glória dos blues no passado, deixando a sua chama acesa e presente. O álbum termina com «Happy Days Are Gone», uma colossal despedida de um álbum que nos levou numa singular viagem pelos blues e jazz e que aqui nos deixa, mais ricos, mais livres, mais nós.

Os Budda Power Blues já nos têm habituado a uma sonoridade belíssima, a um blues de monumental qualidade, talvez do melhor que se cria em Portugal, sendo sempre um deleite poder ouvir a banda e os seus arranjos. Esta sua nova experiência, fazendo-se acompanhar de uma voz do jazz, cria um álbum que se apresenta como uma obra de arte onde o jazz e os blues se fundem numa união singular e que solidifica a premissa de que Budda Power Blues são dos nomes mais importantes do panorama musical português, criando e recriando o blues, mas acima de tudo mantendo o blues vivo a cada acorde.

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