‘The Assassin’: o perfeccionismo visual a contar-te uma história

18 MARÇO, 2016 -

Considerado o filme do ano para a revista Sight & Sound, uma das mais tradicionais revistas britânicas sobre cinema, fomos finalmente conhecer The Assassin. O filme que tinha data de estreia para Portugal no início do mês de Janeiro marcou também presença o ano passado em Portugal no Festival de Cinema Chinês que teve lugar na Cinemateca Portuguesa e no Cinema Ideal.

Vencedor no Festival de Cannes para melhor realização, o filme foi também nomeado para os BAFTA numa categoria onde haveria de perder para Relatos Selvagens, filme que no ano passado ganhou o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.The Assassin que ficou de fora da cerimónia dos Óscares deste ano, é ainda assim um dos filmes asiáticos mais bem reconhecidos dos últimos anos.

Falemos então do “porquê este filme”, o que realmente interessa e a causa para tanto reconhecimento (merecido).

Ajuda a explicar esse sucesso começarmos por dizer desde já quem é Director de Fotografia, Ping Bin Lee de seu nome. Maestro do perfeccionismo e sedução através da fotografia, quente, com grande ênfase na cor vermelha, cores vivas e temperadas.

Exemplo disso são as suas obras mais reconhecidas por tal como Renoir, Le voyage du ballon rouge e aquela que é porventura a máxima obra em que deixou o seu cunho: In The Mood For Love, uma das mais reconhecidas obras de Wong Kar-wai e o enlevo com que esta nos encosta ao sofá sussurrando ténue e delicadamente as palavras do amor e da paixão.

Em The Assassin, filme de Hou Hsiao-Hsien, Ping Bin Lee volta a ser uma das razões centrais do sucesso da obra além fronteiras. Neste caso, mais do que nunca, a obra baseia-se no que mostra para contar e não no que conta usando a mostra como elemento conexo de auxílio ao objectivo primordial.

A história de Nie Yinniang (Qi Shu) não teria a mesma magia não fosse os tons que a acompanham. Nie é uma mulher afastada dos seus pais desde criança que é treinada exaustivamente e disciplinarmente para que se torne numa assassina. A sua última missão vai no entanto despertar-lhe algo que ela não julgava ter de lidar, o seu interior, os sentimentos. A história não seria nada sem o contexto em que é colocada. O que vemos dita o que acontece e daí seguimos.

A imagem é a alma de toda a narrativa atmosférica de The Assassin. De ritmo lento e constatação que a deve acompanhar ao mesmo ritmo, o espectador deve apreciar aquilo que é o ponto fulcral do filme, o que este tem para mostrar. As cores a absorver, as paisagens a apreciar. Cada segundo é uma foto a roçar a perfeição por parte de Ping Bin Lee.

Podes ver aqui um documentário sobre o Director de Fotografia deste filme que te trazemos:

 

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