Super Bock Super Rock: assim foi o primeiro dia

14 JULHO, 2017 -

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No primeiro dia da 23ª edição do Super Bock Super Rock testemunhou-se um final de tarde quente e ventoso, com milhares de pessoas a movimentarem-se pelo Parque das Nações. Outros tantos vestem t-shirts dos Red Hot Chili Peppers, claro. Ninguém está indiferente ao regresso da banda, nem mesmo aqueles que são menos fãs. Afinal, está muito bem representada a geração que cresceu a ouvi-los. Foi essa geração, entre tantos outros, que esgotaram rapidamente este primeiro dia de festival. Mas não é só a banda californiana que torna este dia atraente: o alinhamento recheado de rock do palco EDP ou a promessa de uma late night descontraída pela mão de Xinobi e Moullinex fazem deste início de festival um belo ponto de partida.

Foto de Super Bock Super Rock.

Os americanos The New Power Generation (NPG) abriram o palco Super Bock da melhor maneira possível, com uma alma funk bastante vincada, cheia de energia positiva. A backing band do criativo Prince mostrou que apesar da morte do músico ainda têm muita energia e qualidade para dar. Com a ajuda de Bilal (cantor R&B norte-americano que conta com colaborações com Kendrick Lamar, Jay-Z, ou Beyoncé), NPG transportaram-nos pelo universo que mistura funk, soul, pop e R&B numa união verdadeiramente prazerosa. No meio da diversão, houve ainda tempo para a participação da talentosa cantora Ana Moura no tema “Little Red Corvette”. A portuguesa rivalizou Bilal e mostrou a garra lusa no ambiente soul descontraído. Não podia faltar “Purple Rain”, que certamente ressoou por todo o recinto, uma homenagem sentida a Prince, um homem extraordinário que infelizmente partiu cedo demais.

Foto de Super Bock Super Rock.

Na quarta-feira passada, Megan Duffy “Hand Habits” e Cyrus Gengras (guitarrista e baixista, respectivamente da banda de Kevin Morby) apresentaram os seus projectos a solo na Galeria Zé dos Bois. Nessa noite de véspera, Kevin Morby assistiu ao concerto dos companheiros e aproveitou para demonstrar que não é só um músico especial, mas também uma pessoa peculiar. O macacão e as sandálias demonstravam a descontracção de um artista que fala muito alto, mas não negou a cumprimentar todos aqueles que se dirigiam a ele. No dia seguinte, Morby enverga o mesmo macacão branco e sobe ao palco EDP, em conjunto com a sua backing band. O ex-baixista dos Woods lançou “City Music” no mês passado, e foi mesmo por aí que começou o alinhamento, agarrou a bem composta audiência com o single homónimo. Com isto veio a agitação e muita dança ao som dos acordes mais acelerados de “City Music”. “Crybaby” também do novo trabalho, demonstra que este álbum é consistente e, possivelmente, o melhor até hoje produzido pelo norte-americano. Soa bem ao vivo, muito por força da banda que suporta o compositor, destaque-se Meg Duffy e o seu virtuosismo na guitarra. Já a primeira paragem serve para homenagear os cabeças-de-cartaz da noite, Morby entoa o refrão de “Under The Bridge” e o público corresponde em uníssono. Não foi só de “City Music” que se fez o concerto de Morby, “Parade” e “All Of My Life” fizeram-nos recuar a “Still Life”. Por fim, a despedida foi com “Dorothy” e muita alegria nas faces de quem assistia. Kevin Morby é um tipo – repito – especial e por isso disse o que lhe ia na alma quando se despediu: “Este país é tão bonito. E a cidade é tão bonita. Esta experiência é incrível, obrigado!”

Foto de Super Bock Super Rock.

Depois de New Power Generation ter começado a noite com o pé direito no palco Super Bock Super Rock, era a vez de Tomás Wallenstein e o restante quarteto, que dão forma aos Capitão Fausto, continuarem a maré de sorte. E os rapazes lisboetas não desiludiram. Ao longo de pouco mais de uma hora, tocaram algumas das músicas que os consagraram como uma das bandas mais interessantes do panorama musical português. O álbum Capitão Fausto Têm os Dias Contados foi o que mais se ouviu pela mão de músicas como “Corazón”, “Morro na Praia”, “Mil e Quinze” ou o belíssimo e esperançoso single “Amanhã Tou Melhor” mas Gazela também se fez ouvir. A multidão que os observava era enorme mas a banda não se deixou afectar por isso. Tocaram de forma descontraída, amena, e sempre com grande à vontade com o público. “Obrigado a todos por estarem aqui, vocês são lindos!”, exclamou Tomás a certa altura. Foi um belo aquecimento para Red Hot Chili Peppers. Mas foi mais do que isso: foi mais uma prova de que os Capitão Fausto não têm limites no seu talento.

Foto de Super Bock Super Rock.

Andou pelo deserto da Califórnia para chegar a “Misfit”, e apresentou-o integralmente nesta edição do Super Bock Super Rock. No seu estilo exuberante e rock n’roll, Paulo Furtado ou The Legendary Tigerman tocou para uma plateia muito despida. Contudo, Tigerman não perdoou as cordas da guitarra, naquilo que foi um verdadeiro show de rock n’roll com cheirinho a Joshua Tree. Deixa no ar a curiosidade para perceber como será o disco, porque ao vivo soa lindamente. Com muitos “obrigados” pelo meio das canções, Tigerman vestido de branco e a contrastar com os restantes elementos da banda – vestidos de negro -, sugeriu que o pessoal fosse “acasalar para trás de uma barraca da Super Bock ou para os elevadores do Pavilhão de Portugal”. Terminou com “21st Century Rock” e está completamente levantado o véu de “Misfit”. Agora, resta-nos aguardar por Janeiro de 2018, mês em que será editado o álbum.

A parcos minutos da meia-noite, a imagem que se via na MEO Arena era de facto espantosa: as bancadas estavam praticamente completas e o mar de gente que se amontoava na plateia era arrepiante. Tudo isto para ver uma das maiores bandas rock dos últimos trinta anos. Sim, já passaram trinta  anos. O concerto de Red Hot Chili Peppers (RHCP) era ansiado por milhares (cerca de vinte mil pessoas estiveram presentes) e com razão: foram onze anos de espera pelo retorno dos californianos. Durante cerca de uma hora e meia, os RHCP percorreram a sua discografia, ouvindo-se temas como “Can’t Stop” (logo a entrar a matar no concerto), “Californication”, “Suck my Kiss”, ou “By the Way”. O seu álbum mais recente, The Getaway, lançado o ano passado, também foi representado por “Dark Necessities” ou “Goodbye Angels”, esta última tocado no encore. Para acabar “Give It Away”, que em toda a sua glória foi entoada pela multidão a plenos pulmões. Faltaram várias clássicos mas nem sempre dá para tudo. Esperemos que voltem depressa, com dois concertos marcados pelo sim pelo não. É que com a sua invejável discografia nunca chega só um.

Fotografias retiradas da página oficial do festival no Facebook; fotografia dos Red Hot Chili Peppers de Miguel Manso.

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