‘Space Pigeon’, dos Zanibar Aliens, prova que o rock está vivo e em boas mãos

4 MAIO, 2017 -

Nos primeiros dias de janeiro deste ano, enfiaram-se numa Ford Transit de ’89, e fizeram-se à vida numa viagem que resultou na gravação de um novo álbum. O destino: Inglaterra. Terra dos Beatles, de Robert Plant ou de Tony Iommi. Verdade, podiam ser todos avôs destes miúdos. Agora, com dois discos editados, os Zanibar Aliens, afirmam-se como descendentes de uma corrente que decididamente homenageiam em cada nota que tocam. “Space Pigeon” é mais uma prova que este jovem quinteto nasceu para o rock n’ roll.

O segundo longa duração da banda é, claramente, mais coerente do que “Bela Vista” e eles próprios admitem-no na entrevista que nos concederam. Apesar disso, o disco de estreia é inevitavelmente um excelente álbum de rock. O novo “Space Pigeon” não só mantém a mesma linguagem de “Bela Vista”, como consegue também ser um disco mais maduro no que diz respeito à sonoridade. As referências dos anos 50, 60 e 70 continuam a ser as mais audíveis, no entanto, notam-se outras influências que nos levam por caminhos do blues e do hard rock.

A maturidade que os Zanibar Aliens atingem com este álbum, é bastante clara em faixas que são quase baladas, como é o caso de “Rejoice” ou “Turning Over”. Estas são duas canções que se remetem para um cruzamento de universos tão distintos como os de Mike Patton, Josh Homme ou Eric Clapton. As faixas ganham corpo com arranjos que são, de certa forma, mais elaborados do que noutras malhas.

No entanto, esta banda continua a caracterizar-se por algumas faixas frenéticas, a canção homónima, “Space Pigeon”, para além de orelhuda é uma música carregada de hiperactividade. O mesmo se pode dizer de “Outta Time”, que transporta uma vibe repleta de riffs que se reinventam pelas estradas aceleradas do rock. “Sweet Rita” e “Bobby Hill” podiam ser a banda sonora de um qualquer road movie.  Ouvem-se alguns arranjos mais folk, mas a alma country que carregam, é obviamente bonita.

Ainda ontem soava lá por casa a “Space Cadet”, embora possamos admitir que não é óbvio, “No One Shows” traz-nos um pouco a atmosfera desse clássico dos Kyuss. É verdade que o ambiente desta faixa dos Zanibar Aliens é mais sombrio, quase como se fosse o dark side da “Space Cadet”. Provavelmente, a faixa com mais simbolismo, pelo menos, e certamente que é a mais simples e bela de “Space Pigeon”.

O facto de ter sido gravado e produzido em Inglaterra, dá-lhe um cunho de misticismo. Mesmo que fosse um álbum medíocre, já tinha uma história (retratada em “Sort of a Documentary”) para contar. Um disco que demonstra o claro processo de evolução dos Zanibar Aliens. Deve ouvir-se em repeat, uma vez que, peca pela sua curta duração. Já chegámos a Maio de 2017, e até agora – a par de “Lucifer” dos Poppers – este é o disco mais rock n’ roll editado por cá.

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