SonicBlast Moledo: dos reis Valient Thorr aos deuses Truckfighters

17 AGOSTO, 2016 -

O SonicBlast Moledo voltou a premiar os fãs do rock n’ roll, psicadelismo, progressivo e stoner com um cartaz de luxo. Quem se deslocou a Moledo do Minho saiu de lá, certamente, com a barriga cheia de bons concertos. Como é habitual, as bandas entregaram-se de corpo e alma a quem assistia. Em comunhão, público e artistas fizeram uma bonita homenagem ao rock.

No primeiro dia e, para além, do concerto dos experientes Miss Lava, o cartaz compunha-se com três nomes de luxo para o inicio da festa: Sacri Monti, All Them Witches e Valient Thorr. É a primeira vez que saímos de um festival com a sensação que o ratio de quantidade/qualidade dos concertos é quase total. Por isso, deixamos o alerta: este SonicBlast Moledo só teve bons concertos.

Enquanto muitos no exterior aconchegavam o estômago, lá dentro os Sacri Monti começavam a arranhar as primeiras notas. O quinteto da Califórnia não esconde as influências provenientes do rock progressivo e psicadélico dos anos 70. Nma hora de viagem ao passado através de riffs expansivas e com um alinhamento que percorreu grande parte do único álbum de estúdio, os Sacri Monti arrancaram da plateia os primeiros aplausos mais efusivos.

“Boa noite, somos os All Them Witches e vimos de Nashville”, assim se apresentava o quarteto norte-americano. Com ar de quem acabou de largar as pranchas e os skates no backstage, o quarteto foi directo ao assunto com “Funeral For A Great Drunken Bird”. Apesar do fundo anunciar o álbum “Dying Surfer Meets His Maker”, a banda lançou-se pelo mais recente “Lightning At The Door”. O público vibrou e correspondeu, especialmente, em momentos como “Charles William” e “The Marriage Of Coyote Woman”.

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Já era uma espécie de “Crónica de uma Morte Anunciada”, os Valient Thorr foram reis e senhores do primeiro dia do festival. Entram de rompante e tomam de assalto o palco com “Sleeper Awakes”, assim se agitam logo as primeiras filas por entre os empurrões no mosh pit e corpos voadores sobre as cabeças. Lá no cimo, ele mesmo, Valient Himself, bota vermelha de cano alto e a barba ruiva e longa que carrega há anos. Depois de perguntar pelas gentes de Barcelos, Porto e Lisboa, cerra o punho e questiona se estamos prontos para levar uma tareia de rock n’ roll. Estávamos mesmo, porque a partir daí o público aderiu em crescendo a cada música que passava. Num estilo que já lhes é particular e pelo meio das mensagens de cariz social a apoteose fez-se sentir em “Man Behind The Courtain”. No fim, Valient Himself regressa ao palco com o dedo do meio esticado ao alto dedicando o encore aos “polícias espalhados por esse mundo fora”, a cortina cai ao som da revolucionária “Tomorrow Police”.

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Sábado, dia 13 de Agosto, a pequena aldeia de Moledo do Minho acorda cinzenta e mais fria que o normal. O tempo ameno não demoveu quem se preparava para mais um dia de música da boa. A piscina ia ficando composta com o avançar das horas, por lá ouviam-se os primeiros acordes e bebiam-se as primeiras cervejas.

Os catalães Cachemira soltaram os primeiros aplausos mais calorosos. O trio espanhol de look retro e revivalista à Woodstock, ofereceu quase uma hora de rock com muitos ingredientes de Led Zeppellin a Deep Purple, ou dos mais actuais Radio Moscow. A seguir, os vianenses Vircator, viajaram pelo seu “rock de outro espaço” e aqueceram bem a plateia para o concerto dos Spelljammer.

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A banda mais aguardada da tarde, Spelljammer, viajaram da Suécia para agarrarem a audiência pela cabeça e mandá-la contra o chão durante uma hora. O stoner rock do trio escandinavo bebe muito de bandas como Electric Wizard ou Sleep. A presença e competência da banda em cima do palco é inquestionável, o que nos leva a interrogar o porquê de não terem tocado no palco principal.

Dos Spelljamer directos ao palco principal, com intervalo pelo meio à porta do recinto para assistir aos míticos Mr. Miyagi. A banda de Viana do Castelo já faz parte da mobília do festival e, por isso, deram um concerto no skate park junto à entrada do recinto principal. Lá dentro preparavam-se os The Black Wizards, quarteto português que explora as sonoridades do hard rock ao blues rock. Os quatro jovens mostraram que merecem pisar grandes palcos, a maturidade e a atitude com que interpretaram as suas músicas foi surpreendente. Importante realçar que a banda portuguesa foi a única a pisar o palco principal, que apresentou elementos femininos entre a sua formação, a voz bonita de Joana Brito deixaria Janis Joplin orgulhosa. Atrás da bateria, a Helena Peixoto foi surpreendentemente monstruosa, coroando a actuação com um solo de bateria quase ao nível da famosa “Moby Dick”.

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Escutam-se os primeiros acordes de “Electric Mistress” e lá estão eles, Stoned Jesus, carregavam neles as expectativas altas de muitos que os queriam ver. Depois de um concerto menos feliz o ano passado no Reverence Valada, a banda ucraniana encarava o público com a humildade que os caracteriza: “não esperávamos tanta gente para nos ver, assim até nos sentimos os Deep Purple!” Exclamou o frontman, guitarrista e vocalista Igor Sidorenko. Num concerto que foi francamente menos atribulado que o do ano anterior, sendo que o ponto alto se deu na já aclamada “I’m The Mountain”, música cantada em uníssono pelo público presente.

A noite ficou mais arroxeada com os Uncle Acid & The Deadbeats e pedrada na certa dada pelos britânicos. Eles não estavam para grandes conversas, nem interacções, limitaram-se a dar uma lição de rock n’ roll. Não são dados a rótulos, no entanto, as influências de Black Sabbath são inegáveis. Mesmo depois de ser traída pelo som no monitor do guitarrista Yotam Rubinger, – problema resolvido de forma bastante eficaz pela equipa de som do festival – a banda arrancou para uma hora de concerto bem recheado, onde “The Night Creeper” roubou o momento mais fervoroso entre o público.

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Ao longo do dia o recinto enchia-se de t-shirts e bonés dos Truckfighters, eis que chegava o momento de os receber. Então se os Valient Thorr são os reis, os suecos são os deuses do festival e para eles estava guardada a recepção mais apoteótica. Entraram absolutamente imparáveis e o ritmo não desceu até ao final, pelo contrário, foi crescendo. Depois do animal de palco do primeiro dia, Valient Himself, tínhamos pela frente outro: Niklas Källgren. O guitarrista não parou durante pouco mais de uma hora, fez quilómetros em palco, pontapeou o ar, interagiu com fotógrafos e os fãs das primeiras filas. Apesar dos quatro álbuns de estúdio, um deles lançado em 2014, ainda é ao som das malhas de “Gravity X” (2005) que o público corresponde mais. A despedida com a icónica “Desert Cruiser” teve a adesão de toda a plateia que em comunhão com a banda gritou a plenos pulmões: “I’m running out of fuel, I’m runing out of gas!”. Distribuíram palhetas e baquetas, no final, saíram pela porta grande debaixo de efusivos aplausos. Terminou assim a celebração ao stoner/desert rock, para o ano há mais e nós já contamos os dias.

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