Son Lux regressa com ‘Remedy’

15 MAIO, 2017 -

Son Lux volta este ano com uma proposta bastante envolvente, contemplando-nos com o seu novo EP; dois anos depois de lançar o sombrio álbum ‘Bones’, e nove após o deslumbrante ‘At War with Walls & Mazes’, um álbum que cria uma ligação intrínseca entre nuances do sombrio e a dinâmica da intemporalidade.

O EP, de seu nome, ‘Remedy’, é composto por quatro faixas, e tem no seu total 18 minutos. Estruturado pelo trio prodígio, Ryan Lott (membro fundador dos Son Lux), Ian Chang e Rfiq Bhatia, propõe-se a transformar a música numa espécie de narração sobre a irreparabilidade da vida sentimental.

A sua música refugia-se nas melodias nebulosas de uma vida sem fuga, esconde-se na ondulação das ondas do mar e deixa-se levar além sentidos.  É um EP que surge também como resposta à angústia sentida no mundo de hoje; foi escrito durante as eleições americanas,  e reflecte por isso mesmo o medo e a preocupação por uma liberdade, basicamente, roubada.

O primeiro single, “Dangerous”, mostra-nos uma electrónica meio experimental, meio dramática. Apresenta-nos uma letra suspensa no tempo, onde o destino se torna incerto, já que o ser humano se engana a si próprio colocando todos os outros em perigo. Perdidos na imensidão sentimental e nas ações políticas que não nos levam além, deixam-nos ficar aqui, sós e esquecidos. 

‘How am I supposed to sing?
Don’t know the melodies
But all the void behind my teeth’

É uma ode soturna e melancólica, que tenta achar-se em si mesma, no meio deste caos político norte americano que se vive actualmente. O medo torna-se omnipresente ao virar de cada esquina.

O segundo single, “Part of this”, é parecido com o primeiro na sua melodia, letra e harmonia. Ryan mantém um estilo intenso e com uma mensagem bem clara, quase de desistência. Os dois primeiros singles são bastantes derrotistas, assustadores, com suaves nuances da voz de Lott, e por vezes com sons bastante ruidosos, transmitindo um pouco uma estética do desespero.

Nas últimas duas faixas parece que há o retorno da sonoridade de Son Lux; para além da mensagem política e social, também existe esta espécie de alerta sobre uma realidade em constante mudança. Como criar, viver e resistir à América de hoje em dia? Torna-se a pergunta principal que rodeia o EP. As pessoas são capturadas nesta teia de incertezas, e Son Lux dá as respostas, não deixando que ninguém pense que isto é a normalidade. 

A importância de encontrar a voz do povo torna-se uma força criativa, explosiva, ruidosa e corajosa, onde não bastam pequenos murmúrios para fazer a diferença. O último single, “Remedy”, fala disso mesmo: uma música composta por 300 vozes no coro, que fazem um pedido em uníssono “Find your voice, in the sea of surging bodies and breath, to form a melody, to find a remedy.”

Um EP com uma mensagem solidária, cuja totalidade das vendas irá reverter para a “Southern Poverty Law Center”, uma organização sem fins lucrativos, dedicada à luta contra o fanatismo e o ódio; privilegia e procura justiça para os membros mais vulneráveis da sociedade americana.

Sem dúvida que o último single é o que mais se destaque de todo o EP; deixa os nossos ouvidos repletos pelas suas melodias, os experimentalismos electrónicos dominam-nos,  e fica-se rendido pela mensagem político-social. Esta procura de remédio para uma sociedade irreparável torna o álbum num cenário de guerra, onde a paz espreita por vezes.

Ficamos na sombra do seu dinamismo, melancolia e rasgos de inspiração, e é assim que permanecemos: meio alterados, assombrados, mas ainda a respirar.

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