Sofar Sounds Lisbon: há dois anos a promover a música emergente

16 MAIO, 2016 -

Sofar Sounds, Sounds from a room. Fixem este nome como o último e quase único factor surpresa que ainda existe no que toca a concertos. O conceito é simples, uma plataforma onde se inscrevem artistas e espectadores, uma data, um local que só é anunciado no dia anterior e três bandas que só são conhecidas na hora do início da respectiva actuação. A única garantia é que será uma actuação intimista e exclusiva, mas sempre, sempre surpreendente. Com início em Londres em 2009, a Sofar Sounds é já o segredo mais bem guardado em mais de 240 cidades e pelos palcos têm passado artistas como a Karen O (em Nova Iorque), Bastille (Londres), entre muitos outros.

A edição de Lisboa da Sofar Sounds já vai na 20.ª edição, sempre com lotação esgotada (o número de inscrições chega a ser 5 a 6 vezes superior à lotação da sala). Mais de 50 artistas passaram pelo palco português da Sofar Sounds, entre os quais D’Alva, Cícero (Brasil), A Jigsaw, Benjamim, Salvador Sobral.

Neste sábado assistimos à 20.ª edição da Sofar Sounds Lisbon. Queres saber como foi? Vamos lá.

Depois de um ligeiro atraso, entrámos num estúdio na Restart – Instituto de Criatividade e de Novas Tecnologias onde alunos da mesma escola criaram um cenário que poderia ser a sala de estar de qualquer um de nós. Luís Severo foi o primeiro artista e, com as suas canções despojadas de pretensiosismos mas com letras bastante interessantes, agarrou o público desde o início. O facto de não ter sido acompanhado pela banda não comprometeu, de forma alguma, a sua actuação que terminou com Canto diferente do trabalho Cara d’Anjo, disponível em várias plataformas de streaming.

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Surma /Débora Umbelino

Foi depois a vez dos Flying Cages de Coimbra. Quatro elementos, duas guitarras, um baixo e um, passo a citar, bongo que tinham lá por casa e que deve ser da Imaginarium. Vindos directamente da Queima das Fitas de Coimbra, os elementos estavam algo cansados, mas com uma boa disposição extravasante. Depois de umas acrobacias com o microfone na primeira canção, e com uma roadie de última hora a segurar o microfone, os Flying Cages surpreenderam-nos com temas extraordinariamente bem construídos, com uma belíssima voz e com uma sonoridade a fazer lembrar uns Arctic Monkeys acústicos. Os temas de Lalochezia, o álbum da banda, soaram muito bem nesta configuração e cresce uma enorme curiosidade para os ver ao vivo no registo habitual.

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Flying Cages e Surma

Por fim, Surma. E o que dizer de uma miúda franzina que monta uma parafernália impressionante de pedais e sintetizadores e mais seis milhões de coisas em 15 minutos? Tudo. Num registo mais electrónico do que os outros artistas da tarde, Surma inunda-nos de sons e melodias que nos fazem sentir bem. Débora Umbelino, natural de Leiria, enche o palco e a sua voz, quase inaudível, quase angelical, mas absolutamente essencial, é complemento perfeito para os sons que cria.

Os cerca de 30 minutos para cada banda souberam a pouco. Mas foram suficientes para comprovarmos que há muito talento por aí, há iniciativas, que ainda conseguem ter um factor surpresa e que nos permitem conhecer novas bandas, e há público. A sala cheia da Sofar Sounds e as músicas que se ouviram são o perfeito exemplo disso.

A próxima edição da Sofar Sounds Lisbon é já no dia 22 de Maio (esgotada) e haverá mais em Junho. A não perder!

Texto e Fotografias Linda Formiga

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