Sofar Sounds: A magia da música em sessões intimistas

24 MAIO, 2016 -

Campo de Ourique, um dos bairros mais emblemáticos de Lisboa e o palco da 21.ª edição da Sofar Sounds. Desta feita, não foi num espaço comercial, não foi num cenário, foi na sala de alguém que abriu as portas aos músicos e a todos aqueles que quiseram ser surpreendidos mais uma vez. A recepção não poderia ter sido melhor, cerveja no frigorífico, uns amendoins para acompanhar e ainda um salame de chocolate feito pela vizinha.

O primeiro músico foi o estreante Miguel Ropio. Cantautor inspirado por Zeca Afonso, Branco e Fausto, o Miguel é dono de uma voz grave e de um dom para as palavras que surpreende, honrando exemplarmente as inspirações que o levaram a fazer as canções que nos apresentou. O nervosismo do primeiro concerto só se fazia sentir nos intervalos das músicas, porque enquanto actuava Miguel nunca o deixou transparecer. Há algo de estranhamente cativante em Miguel Ropio, provavelmente a dicotomia entre a pessoa que vemos, um jovem nos seus vinte e poucos anos, e a maturidade revelada nas canções, que vão beber às músicas de intervenção, aos blues, ao folk. O EP Lamentos e Suspiros Cantados com Prazer, disponível em todas as plataformas de streaming, merece ser ouvido e reflectido, analisado, interiorizado e dado a ouvir a todos aqueles que acreditam que a música portuguesa tem de ser de consumo rápido. A acompanhar.

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A segunda actuação foi um assombro, no bom sentido. Quando chegámos percebemos logo que havia ali uma “onda” diferente, e era Lemoskine, um projecto a solo de Rodrigo Lemos (ex-A Banda mais bonita da Cidade) com banda de 4 elementos, originários de Curitiba, Brasil. Com direito a alguns improvisos logísticos, nomeadamente o banco do baterista que era a própria mala de viagem, Lemoskine fecharam com chave de ouro a mini digressão que fizeram no nosso país, passando por Lisboa, Braga e Porto. E fizeram-no de coração aberto, mostrando temas próprios bastante interessantes e que várias pessoas fizeram questão de querer acompanhar ao comprar o disco Pangea I Palace II no local. Como surpresa deste final de tarde, uma interpretação fantástica do Capitão Romance dos nossos Ornatos Violeta. Não é fácil interpretar Ornatos Violeta, em especial quando os fãs de Ornatos estão por toda a parte e têm alergia a versões de Ornatos (incluindo esta que vos escreve), mas Lemoskine fê-lo tão bem, com uma interpretação tão própria, que todos nós ficámos a gostar ainda mais do Capitão Romance e muito de Lemoskine.

Por fim, Ditch Days. Não é fácil dar um primeiro concerto depois de Lemoskine, mas esta banda de Lisboa, que tem andado na boca do mundo com o single Melbourne, não se fez rogada e apresentou os temas daquele que será o primeiro álbum previsto para Junho. Sem bateria, os Ditch Days remeteram-nos para um cenário veraneante e descontraído. É uma banda que precisa de estrada e neste Verão vai andar por aí. Ficamos a aguardar.

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Esta edição veio confirmar tudo o que a Sofar tem de melhor, um verdadeiro espírito de comunidade unida em torno da música, a possibilidade de bandas, que nunca tiveram a oportunidade de tocar, saírem da esfera familiar e  começarem a dar-se a conhecer, a consagração de bandas que, de uma forma totalmente despretensiosa, se entregam e marcam o dia de poucas dezenas de pessoas. É um fim de tarde de coração cheio.

Se quiserem ter a possibilidade de viver uma sessão Sofar Sounds, ou se tiverem uma banda, vão ao site www.sofarsounds.com e registem-se. A garantia é de total satisfação.

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Texto e Fotografias Linda Formiga

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