Simone de Beauvoir: ‘Não se nasce mulher, torna-se mulher’

13 ABRIL, 2016 -

A 14 de Abril de 1986 falecia em Paris um dos maiores símbolos do movimento filosófico, político e feminista do século XX. Trinta anos volvidos, Simone de Beauvoir continua a ser uma das mentes mais influentes e o seu o pensamento não só ecoa nas salas de Filosofia, como também nas essências revolucionárias que se vão descobrindo na sua existência.

Simone Lucie Ernestine Marie Bertrand de Beauvoir nasceu a 9 de Janeiro de 1908 em Paris, França. Nascida no seio de uma família da aristocracia francesa, estudou no Institut Adeline Désir, uma escola católica privada para meninas, até aos seus 17 anos. Este seria um período marcante para Simone, uma vez que, nestas escolas, as meninas aprendiam que, como mulheres tinham apenas duas alternativas como escolhas possíveis de rumo de vida: o casamento ou o convento, sendo que durante toda a sua vida Simone de Beauvoir desafiará este conceito que lhe haviam tentado impor desde cedo.

Mais tarde ingressou na Universidade de Sorbonne, em Paris, para prosseguir estudos em Filosofia, onde conheceu vários intelectuais da altura, nomeadamente Jean-Paul Sartre. No ano de 1929, aquando de uma apresentação sua sobre Leibniz, Simone de Beauvoir conheceria vários intelectuais da altura como Maurice Merleau-Ponty, e também Jean-Paul Sartre. Também no ano de 1929, aos 21 anos, Simone de Beauvoir tornar-se-ia na pessoa mais jovem a ser aprovada pelo júri de Agrégation no exame de Filosofia, sendo também a nona mulher a receber aprovação até à data. No exame final ficou classificada em segundo lugar, atrás de Jean-Paul Sartre.

Embora não se tenha considerado ela mesma como filósofa, a influência do seu pensamento no movimento filosófico existencialista é inegável a par de nomes como Jean-Paul Sartre, Soren Kierkegaard, Martin Heidegger, Karl Jaspers, Edmund Husserl e Friedrich Nietzsche.

Na sua obra de 1949, O Segundo Sexo, em que a autora faz uma profunda análise sobre o papel da Mulher na sociedade, a abordagem existencialista é iminente. Nascer dá-nos a existência, contudo não nos atribui a nossa essência, ou seja, não nos torna aquilo que somos de fato. Simone de Beauvoir defende também a definição que Sartre havera afirmado «A existência precede e governa a essência», isto é, existimos muito antes de sermos realmente algo em essência. Simone de Beauvoir eterniza esse mesmo existencialismo com a sua célebre frase «Não se nasce Mulher, torna-se Mulher», sendo este um claro exemplo do pensamento existencialista da autora, uma vez que a nossa existência não nos afirma como Mulher ou Homem, mas antes como Ser que existe sem predefinição. É durante a sua existência e à medida que tomamos contato com a experiência que adquirimos a nossa essência, isto é, para a autora a essência não é algo que está com o Ser a priori, mas antes, algo que adquirimos com as experiências que vivemos. Como existencialista, Simone de Beauvoir acreditava que a existência precedia a essência e assim, não se nasce Mulher, a nossa existência não nos afirma como Mulher mas antes, a vivência torna-nos Mulher.

Simone de Beauvoir faleceu a 14 de Abril de 1986, em Paris. Beauvoir está sepultada no mesmo túmulo de Jean-Paul Sartre, que tinha falecido em 1980, no cemitério de Montparnasse, em Paris.

Deixamos-te aqui um documentário, que passou na RTP2. Clica em play, o vídeo funciona:

Texto: Joana de Sousa

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