Sedrick de Carvalho, eleições angolanas: “O processo é um simulacro eleitoral”

11 JULHO, 2017 -

O que vais ouvir, ler ou ver foi produzido pela equipa do É Apenas Fumaça, um projeto de media independente, e foi originalmente publicado em www.apenasfumaca.pt.

Simulacro eleitoral. É assim que Sedrick de Carvalho define o ato eleitoral que acontecerá em Agosto de 2017 em Angola. As eleições presidenciais, agendadas para o dia 23, marcarão o final da presidência de José Eduardo dos Santos, 38 anos depois de ter sido empossado pela primeira vez em 1979. Pelo MPLA, partido que está atualmente no poder, concorrerá João Lourenço, atual Ministro da Defesa e vice-presidente do partido.

Mas o que vai mudar em Angola?

A repressão – física e judicial – existe desde há muito. Em Portugal, foi notícia o processo “15+2” que levou à prisão de 17 jovens, acusados de tentativa de golpe de estado, porque liam e discutiam um livro. Debatiam diferentes soluções para transitar de um sistema autoritário para uma democracia reforçada. Falavam da Primavera Árabe e das ideologias de desobediência civil não violenta. António Luvualu de Carvalho, embaixador Angolano Itinerante para as questões políticas, classificou o tal livro que liam, “Da Ditadura à Democracia”, de Gene Sharp, como subversivo, enquanto debatia com José Eduardo Agualusa, escritor angolano, na RTP:

-Este livro é altamente subversivo. – dizia Luvualu de Carvalho

-Eu concordo consigo, é um livro altamente subversivo mas em regimes totalitários. Não é subversivo em Democracias. Este livro não leva ao derrube de Democracias. – respondeu José Eduardo Agualusa.

Sedrick de Carvalho é um dos 15+2. Foi acusado em 2015 de crime de “atos preparatórios de rebelião”. Esteve preso durante um ano.

Dois anos depois, a repressão continua. Segundo o estudo lançado pelo Domingos da Cruz este ano, 1 em cada 3 professores angolanos acredita poder ser perseguido ou morto. Jornalistas são condicionados – Rafael Marques do Maka Angola foi acusado de “crime de injúria e ultraje a orgão de soberania” depois de revelar alegadas práticas corruptas desempenhadas pelo Procurador Geral da República. Os canais da SIC foram retirados das plataformas televisivas angolanas DSTV e Zap depois da SIC ter lançado uma série de reportagens sobre a desigualdade, a pobreza, a corrupção e as condições desumanas em que crianças vivem no país (ver aqui e aqui). Ativistas e manifestantes continuam a ser reprimidos fisicamente e até presos – como foi o caso de David Saley, Paulo Mabiala, António Mabiala, Mário André, Nzunzi Zacarias Mabiala, Waldemar Aguinaldo e Adão Bunga, presos durante uma manifestação e condenados a 45 dias de prisão no passado Maio.

Quando falta pouco mais de 1 mês para que os angolanos sejam chamados a votar, começamos a cobrir as eleições angolanas no É Apenas Fumaça. Durante as próximas semanas, teremos várias entrevistas focadas neste tema, procurando aprofundar este assunto antes e depois do dia 23. Hoje conversamos com o Sedrick de Carvalho, jornalista e ativista angolano pela democracia em Angola. Falámos sobre o que se tem passado durante o processo de preparação para as eleições e sobre que expectativas tem ele em relação ao futuro do país.

Ouve aqui o novo episódio com o Sedrick de Carvalho sobre as eleições Angolanas:

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