Salazar e Jack Sparrow surpreendem mas não superam os primeiros filmes da saga

24 MAIO, 2017 -

Decorria o ano de 2003 quando teve início uma das franquias mais rentáveis à face do planeta. Na altura chamou-se A Maldição do Pérola Negra e prendeu-nos ao ecrã com as prestações de  Johnny Depp, Orlando Bloom e Keira Knightley. A história era óptima e coerente, a acção adequada e a banda sonora ideal para cada momento.

Catorze anos depois, Jack Sparrow tornou-se no pirata mais reconhecido e icónico do planeta. Mas também algo cansativo. O que começou por ser um blockbuster aclamado também pela crítica converteu-se gradualmente num produto de marketing. No entanto a franquia volta a ganhar força com este novo filme Dead Men Tell no Tales (Homens Mortos Não Contam Histórias em Portugal), uma alusão à conhecida atracão temática dos parques da Disney.

A história gira em torno da procura do tridente de Poseidon, um artefacto mítico que pode curar todas as maldições marítimas. Em busca dele está Henry Turner (Brenton Thwaites), o filho de Will Turner (Orlando Bloom) e de Elizabeth Swann (Keira Knightley) que tenta resgatar o pai da sua maldição, e Carina Smyth (Kaya Scodelario) por desejo do seu pai desconhecido. Contam com a ajuda do icónico e sarcástico Jack Sparrow e da sua tripulação. Mas nem tudo são rosas e o regresso de um velho inimigo de Sparrow, de nome Salazar (Javier Bardem), também ele amaldiçoado, irá complicar esta aventura por mares nunca antes navegados. Como não pode faltar, temos também a presença de Barbossa (Geoffrey Rush) que troca tantas vezes de lado que a certa altura já nem sabemos o que esperar. Mas como habitual e já esperado, tudo culmina numa épica batalha e com um romance pelo meio, e mais uma vez tudo acaba bem.

Como sempre, a banda sonora cumpre o seu papel, as músicas encaixam poeticamente nos momentos. É o filme em que Depp tem menos tempo de ecrã e ainda assim parece estar bêbedo em mais de metade do tempo, desde sentir-se perdido ao cambalear, não faltarão demonstrações da sua falta de total consciência. Javier Bardem como Salazar é uma boa escolha e uma boa utilização de CGI, no entanto apesar de uma performance razoável fica aquém de Davy Jones interpretado por Bill Nighy, quanto aos novatos Kaya segue as pisadas de Keira e de Penélope Cruz à sua maneira, mas Brenton parece apenas uma cópia barata de Orlando Bloom.

Para nossa surpresa, este filme aposta numa comédia por vezes estafada. E nem sempre com sentido de humor. Para além disso, existem diversas personagens que pouco ou nada acrescentam ao filme e muita acção sucessiva e rápida demais que fazem o filme perder alguma da sua essência.

Temos ainda Jack Sparrow quando era jovem, talvez até uma das melhores cenas do filme. Iremos descobrir o porquê do ódio de Salazar, a razão do nome Sparrow, e como se tornou capitão. Além disto a cena de perseguição e a manobra executada a fazer lembrar os exageros bem executados típicos de filmes ação. Sem limites e impossibilidades, mas cativantes. Preparem-se para algumas surpresas, e para um final sensacional.

É o filme mais e da saga. Desde a surpresa que nos deixará a todos de boca aberta ao final inesperado será uma montanha russa de emoções. Temos ainda o regresso de Orland Bloom e de Keira Knightley ainda que por escassos momentos.  Há também uma cena pós créditos com ambos que pisca o olho a uma nova entrega. Alguém duvidava?

Ainda assim, comparando aos dois últimos filmes da franquia, acaba por ser uma boa surpresa, se bem que longe dos primeiros filmes da saga.

Artigo escrito por André Pisco, publicado no nosso parceiro Insider Film

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