‘Rogue One’ não corre riscos desnecessários e cumpre expectativas

20 DEZEMBRO, 2016 -

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Realizado por Gareth Edwards, o mesmo que conseguiu de forma meritória (re)despertar Godzilla em 2014, Rogue One tinha a árdua tarefa de passar incólume pelas vozes contestatárias que nesta altura se levantam face ao aproveitamento do Universo de George Lucas por parte da Disney. Este novo filme baliza-se das mesmas não correndo riscos desnecessários e tendo a capacidade de satisfazer expectativas, o que é uma novidade tendo em conta alguns dos blockbusters que nos últimos tempos têm ficado aquém das mesmas (neste aspecto, recordamos Suicide Squad e o seu rasto de desilusão).

Além dessa necessidade de satisfazer expectativas, Rogue One tinha ainda um difícil papel que não pode ser desconsiderado. Ao contrário dos outros filmes da saga, a Rogue One pede-se que sobressaia sozinho, sem títulos posteriores (ou anteriores) que tapem os seus buracos e prossigam a sua caminhada. Prova disso é também a banda sonora, desta vez a cargo de Michael Giacchino, a primeira dentro da saga a não a cargo de John Williams. Se Rogue One se presta a fazer tudo isto, muito o deve a Felicity Jones, ou melhor, Jyn Erso.

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A protagonista deste novo Star Wars movie tem a capacidade inegável para carregar às costas o protagonismo do filme (não desconsiderado outras caras conhecidas, mas ainda assim, em segundo plano). A fazer lembrar Sigourney Weaver nessas obras de culto sci-fi que são os filmes Alien (fiquemos apenas pelos dois primeiros títulos esquecendo a desilusão que se seguiu aos mesmos), Felicity Jones tem a força (no pun intended), a sagacidade e a subtileza necessária para ser a cara de um título com a responsabilidade deste.

Desde os primeiros segundos que a história nos prende ao ecrã e, sem nunca perder o seu foco, acompanhamos então Jyn Erso, afastada do seu pai, o cientista do Império Galen Erso (um saudoso Mads Mikkelsen) desde criança por parte do Comandande Orson Krennic (uma fabulosa interpretação de Ben Mendelsohn, protagonista em Animal Kingdom e na soberba série Bloodline, entre outros) que o levou para construir a Death Star.

A jovem Jyn é criada por Saw Guerrera, um extremista rebelde interpretado por Forest Whitaker, até que este a abandona, para seu próprio bem, já no final da adolescência. Mais tarde Jyn cruza-se com a Aliança e tentará roubar os planos para destruir a Death Star, que tem em si uma falha criada pelo seu pai. Com a ajuda do Capitão Rebelde Cassian Andor (Diego Luna), o seu sarcástico droid sidekick K-2SO (que consegue preencher o vazio de R2D2 e C3PO, ou o mais recente BB-8), assim como um piloto que se rebeliou do Império (Riz Ahmed), um monge guerreiro, cego e “strong with the force” chamado Chirrut Îmwe (interpretado por Donnie Yen) e o seu companheiro, Baze Malbus (Jiang Wen), Jyn Erso e o restante grupo de voluntários rebeldes combaterão as forças do Império numa cativante e bem construída batalha final. Este Rogue One tem de resto algumas das melhores sequências de acção da saga inteira.

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A maior parte dos personagens referidos não chega a ter o tempo de ecrã que necessitava para que pudessem criar mais impacto ou sequer deixar saudade. Mas, sob pena de arrastar o filme por demasiado tempo e que este posteriormente lhe retirasse o foco, compreende-se a decisão de não dar maior espaço a personagens com aparições únicas dentro da saga. Se por um lado poderia ser um erro dar demasiada importância a personagens sem a relevância necessária para isso, é, ainda assim, inevitável que fique um sabor a pouco no final das contas. No entanto, o objectivo não é fazer deste Rogue One meramente “carne para canhão” e prova disso são algumas aparições de personagens reconhecidas, a atmosfera que se mantém e a importância da expansão da história, levada a cabo fortemente por Felicity Jones e a sua carismática presença e demanda por vingança.

Os produtores e o realizador Gareth Edwards tiveram a inteligência e sensatez de saber criar um espaço próprio para Rogue One: A Star Wars Story dentro do universo Star Wars, reconhecendo de antemão que não tinham material para que este filme se sobrepusesse a alguns dos anteriores (e futuros) títulos, nem era suposto que o fizesse.  Se em algum momento Rogue One conseguisse singrar por si mesmo, a segunda parte do seu título estava lá para impor a sua marca.

Haverá sempre vozes mais criticas que se levantam e Rogue One não é, obviamente, à prova das mesmas. Com conteúdo narrativo que não foge a alguns clichés expectáveis, este filme pode considerar-se “entretenimento fácil”. No entanto, há que dar valor a uma obra que cumpre tão bem a premissa a que se propõe, sobretudo se a mesma for a de entreter um público que será constituído tanto pelos mais devotos fãs de longa data da saga, como a novos seguidores da “Força”. Esperemos, ainda assim, que o uso desta “fórmula”, que foi efectivamente capaz de produzir efeitos positivos neste filme, não signifique o início de uma Marvelização dos filmes Star Wars, com títulos previstos no final de todos os anos até 2020.

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