Rodellus: o festival para quem não tem medo do campo nem de boa música

1 AGOSTO, 2017 -

Em 2015 nascia em Ruílhe, na zona de Braga, o Festival Rodellus. O conceito é inovador e parece ter vindo para se manter por muitos e muitos anos. Segundo o diretor do festival, Jorge Dias, que se disponibilizou para uma troca de palavras connosco, na sua primeira edição o festival contava apenas com um espaço bastante confinado: o palco principal a ser montado no cimento, e uma zona de mato limpa pelos braços da própria organização, no sentido de assegurar um espaço limpo para a realização do evento. Com o tempo, o recinto foi sendo recuperado e remodelado, nunca corrompendo a flora natural composta por campos de milho, girassóis, árvores de fruto e vinha.

Nesta edição, o festival contou com dois palcos, inseridos numa paisagem belíssima que, como diz o cartaz, é para «quem não tem medo do campo». Um Palco Rodellus por entre campos de milho e com girassóis a brilhar ao fundo, e um Palco Eira com vista para a vinha, enfeitada com luzes que brilham pela noite dentro ao compasso da música. Um cenário diferente daquele a que nos fomos habituando nos festivais de verão; e que nos apaixona logo à primeira vista. Segundo Jorge Dias, nada no festival é desaproveitado; tudo é reciclado e usado novamente, nomeadamente para fertilizar os campos que rodeiam o recinto. Há ainda um grande investimento em ecopontos, e este é compensado, com o cenário a manter-se limpo no decorrer de todo o festival. Há ainda uma árvore à entrada, na qual estão penduradas molduras feitas de madeiras que não teriam uso à primeira vista; nelas figuram fotografias das anteriores edições do Rodellus, numa dança perfeita com o sol.

Este ano o cartaz trouxe ao campo grandes nomes da música portuguesa; e se isso, por si só, aliciava qualquer festivaleiro, os concertos que ali tiveram lugar confirmaram o Rodellus ’18 na agenda de quem os ouviu.

O dia zero do festival, a 27 de Julho, deu-se no Palco Rua, perto da zona de Campismo, e foi gratuito. Com nomes como Moon Preachers, O Amante Negro, Conjunto Corona e o DJ Set SBSR.fm w/ Candy Diaz. Assim se deu a recepção ao campista e ao festivaleiro, num aquecimento a preparar para a romaria que se avizinhava no campo nos próximos dois dias.

O Palco Rua foi também o local onde se deu o pontapé do primeiro dia do festival, com os dois vencedores de um concurso que havia decorrido quer em Braga quer em Guimarães. Sardinha Também É Peixe abriu as honras do palco em português, seguidos de Lukkas, ainda com o público tímido debaixo de um sol escaldante. A noite ia caindo, e chegava a hora de Ratete subir ao Palco Eira, com a sua sonoridade a transportar os festivaleiros para danças ainda tímidas mas já a desinibirem o início de uma noite cheia de dança.

Seguiam-se os Twin Transitors no Palco Rodellus, com o seu rock ‘n roll. Pediam ao público que se aproximassem da grade, e o público acedia, ainda que com alguma hesitação. No entanto, muito suor e muita dança saíam dos corpos mais endiabrados, e ouvia-se alguém gritar, no meio do público: «bem-vindos ao campo»; e que bom é cá estar. Subiam de seguida ao palco os First Breath After Coma, e logo se fazia sentir a plateia de fãs que os esperavam ansiosamente, cantando todas as músicas a pulmões cheios, dançando e vibrando a cada segundo.

A fechar o Palco Rodellus, chegavam os rapazes de Alcobaça. Os Stone Dead deram um banho de rock ‘n roll no campo e no fim deixaram o público a pedir por mais e mais. A festa continuava no Palco Eira pela noite dentro, com Ghost Hunt, Mira, Um Lobo!, e Midi b2b Andy Burton, onde os festivaleiros e as bandas se aglomeravam e trocavam passos de danças banhados a finos e dois dedos de conversa, na mais bela essência do festival de verão.

O segundo e último dia já deixava saudade antes de começar. O Palco Rua era novamente o ponto de partida, com The Gypsies, Travo e The Electric Howl. O Palco Rua tem a particularidade de que, enquanto se desfruta de boa música, podemos ainda dar uns mergulhos com o belo sol de Ruílhe a banhar-nos. Caindo a noite, a festa dá-se dentro do recinto, por entre o cenário dos belíssimos campos de milho e da vinha, iluminados por luzinhas e sorrisos. No Palco Rodellus, muito banho de rock com Los Wilds, The Sunflowers, Fai Baba e Go!Zilla. O adeus a Ruílhe dava-se no Palco Eira pela noite dentro com The Japanese Girl, Pé Roto, Atomik Destruktor e Pointlist DJ Setlist, com dança e sorrisos muitos, já de olho no próximo ano.

Uma singularidade a salientar é que do Rodellus não trazemos somente as memórias musicais, mas também lembranças da terra. A organização distribuiu grãos de milho e sementes de girassol, assim como mel da região; pudemos trazer para casa um pouco de Ruílhe.

Fotografias de Joana de Sousa / CCA

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