Revelados novos detalhes de “Voyage of Time”, novo filme de Terrence Malick

17 AGOSTO, 2016 -

Após um trabalho de décadas, eventualmente sincronizado com outros projetos, o realizador Terrence Malick prepara-se para finalmente ver o seu documentário “Voyage of Time” estrear-se. Esta debute decorrerá no festival internacional de Venice, sendo que o seu trabalho saltará para os ecrãs IMAX a 7 de outubro.

“Voyage of Time” bifurca-se em duas experiências distintas. Uma será narrada por Cate Blanchett e tem a duração de 90 minutos. De nome “Voyage of Time: Life’s Journey“, trata-se de uma procura urgente, de uma pergunta proposta pela criança da terra à mãe de todos. A outra, narrada por Brad Pitt, conta com 40 minutos e com a designação de “Voyage of Time: The IMAX Experience“, apresenta-se como um projeto mais explanatório e explicativo, embora não difira muito do outro no que toca à imersão de impressões e emoções suscitada.

Como sinopse, o documentário traz uma gradual descoberta do universo por parte da mente e da alma, importando esta constante novidade a partir dos sentidos. Aflorando o passado planetário a partir de uma direção cronológica, trata-se de uma procura sistemática da posição do ser humano no futuro. Reportando à energia do núcleo da natureza, este questionário imposto ao ser das coisas percorre não só o tempo mas também todas as formas de vida, desde os fenómenos e das primeiras células até aos seres e respetivos habitats. Tudo isto sem esquecer um vigor visual proporcionado pelos efeitos especiais incutidos nesta linha de pensamento espelhado no grande ecrã que convida inevitavelmente o sujeito a entregar-se a toda esta corrente existencialista.  Na fusão de um hino à vida, à natureza e ao universo, o resultado sugerido é o de, para cada pessoa que assiste e se embrenha no documentário, uma experiência diferente, consequência das diferentes mentalidades, experiências, convicções e cognições.

Inicialmente sem um argumento, o cineasta tratou de enviar duas frases de dois prodígios da ciência que norteariam o desenvolvimento do projetos aos produtores Sarah Green e Nick Gonda. Estas tinham como autoria Richard Feynman e Albert Einstein. A primeira, de Feynman, questionava a inspiração proporcionada pelo estado atual do universo, destacando o ainda pouco divulgado valor da ciência por parte dos artistas e dos poetas. Já a de Einstein punha a tónica na beleza do mistério, referenciando-a como lugar de proveniência de toda a arte e ciência, e a importância da emoção na vida.

Enquanto Malick coordenava esforços com docentes e investigadores de diversas instituições conceituadas, como a Universidade de Berkeley, de Cambridge e até o MIT (Massachusetts Institute of Technology), o seu conselheiro científico principal foi o Dr. Andrew Knoll, professor de História Natural na Universidade de Harvard e consultor na NASA. Resumindo a sua participação neste projeto, o docente referiu que a missão do realizador tratava-se de percecionar a linha de pensamento de cada um dos seres humanos perante o processo de evolução longo e continuado. Articulando o seu rigor científico com a ambição criativa de Malick, Knoll aludiu às várias discussões concetuais entre ambos e ao desprimor pelas questões de critério temporal, importando a viagem pela evolução da forma de vida, sendo este o objetivo do artista.

Outro parecer provém do físico e também conselheiro científico Lee Smolin, do Perimeter Institute. Este enaltece a estrutura científica imaculada do projeto, desde as simulações iniciais do universo até à formação planetária e estelar. Sem esquecer a beleza e a inspiração proveniente deste documentário, o físico destaca a pertinência de cruzar cenas intergeracionais, de forma a clarificar as questões valorísticas (o quê e como) do Homem, das demais formas de vida e do universo onde se posicionam.

Para conferir os efeitos visuais ao trabalho, Malick contou com Dan Glass, que conta com experiência nas séries de filmes “Mission: Impossible” e “Matrix” e com quem colaborou em “The Tree of Life”. Os quatro grandes desafios neste departamento passaram pela criação imagética do ambiente astrofísico no pré-sistema solar e a sucessiva conceção a partir das teorias mais recentes sobre o destino cósmico; pela representação do disco celestial a partir do qual se formou o sistema solar e todos os seus planetas; pela configuração das primeiras formas unicelulares de vida e respetiva complexificação até aos organismos conhecidos atualmente; e a recomposição de animais que já não habitam no planeta Terra, estabelecendo equivalências com os que existem hoje a partir da sua linhagem.

Na consolidação deste processo, os dois fizeram experiências químicas com vários líquidos, corantes, fluídos e gases, desde vidros, máquinas de fumo e espécies de gel. Designado por eles como “Skunkworks“, estas experimentações foram filmadas em alta velocidade e permitiram a criação de uma vasta gama de efeitos especiais.

Uma inspiração pictórica proveio do trabalho do pintor prussiano Albert Bierstadt, essencialmente no que toca à riqueza do pormenor desenhado e apresentado. Essa minúcia permitiu facilitar e inspirar a configuração visual do cosmos e das várias partículas flutuantes em cada uma das suas camadas. Para além desse, muitos outros pintores e artesãos foram considerados num corpo artístico que permitiu enrobustecer o desenvolvimento do projeto, tais como o norte-americano Thomas Cole e a sua série de quadros também designada por “Voyage of Time” (1842).

“The Voyage of Life: Old Age” (1842), de Thomas Cole

“Storm in the Mountains” (c. 1870), de Albert Bierstadt

Quanto à banda sonora, Malick contou com os técnicos Joel Dougherty e Lauren Mikus para desenvolver uma atmosfera sonora natural e especulativa com uma envolvência instrumental variada. Tudo isto para possibilitar a representação multifacetada da energia de vida numa escala ampla, capaz de se equivaler à grandeza criativa do trabalho do cineasta. Algumas das peças musicais usadas pela equipa apresentam-se abaixo, tais como os compositores Gustav Mahler e Johann Sebastian Bach.

De seguida, apresenta-se o trailer do documentário cuja estreia, como mencionado acima, está prevista para o final deste ano. O culminar de décadas de tentar criar uma representação material à escala da profundidade da vida mais essencial.

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