Relógio d’Água vai reeditar ‘Poemas e canções’ de Leonard Cohen

11 NOVEMBRO, 2016 -

A Relógio d’Água editará em 2017 uma nova edição, aumentada, da antologia “Poemas e canções”, do músico canadiano Leonard Cohen, “um grande poeta” que morreu aos 82 anos, disse à Lusa o editor Francico Vale.

A morte do autor canadiano foi anunciada na quinta-feira, já madrugada de hoje em Lisboa, através da página de Facebook. “Perdemos um dos visionários mais prolíficos e respeitados do mundo da música”, lê-se na declaração online.

Conhecido sobretudo como músico, na verdade Leonard Cohen começou por se dar a conhecer primeiro como escritor. Nos anos 1960, ainda antes de editar o álbum de estreia, ‘Songs of Leonard Cohen’, publicou poesia e dois romances.

Em Portugal estão editados esses romances iniciais, intitulados ‘O jogo favorito’ (1963) e ‘Vencidos da vida’ (1966), ambos pela Alfaguara, o livro de poesia e desenhos ‘Livro do desejo’ (Quasi) e as antologias ‘Filhos da neve’ (Assírio & Alvim) e ‘Poemas e canções’ (Relógio d’Água).

Francisco Vale, da Relógio d’Água, editou nos anos 1990 o segundo romance de Cohen, com o título “Belos vencidos”, e traduziu, com Margarida Vale de Gato, a antologia de poemas e canções que conta agora reeditar, ampliada.

“Os romances são um pouco datados, mas os poemas não. O Leonard Cohen foi um poeta que depois escreveu canções. Esse salto da poesia para a canção aconteceu quando se mudou para Hydra [ilha grega]. (…) Tem um tom bastante coloquial e intimista, fala sobretudo sobre o amor, a intimidade amorosa, algumas vezes sobre as implicações sociais. Gostei de o traduzir”, disse o editor.

Para Francisco Vale, Leonard Cohen só não ganhou há um mês o Nobel da Literatura – atribuído a Bob Dylan -, “porque a Academia Sueca tem sempre esse princípio de alternância de nacionalidade. A escritora canadiana Alice Munro tinha sido distinguida há pouco tempo”.

A 21 de setembro, Leonard Cohen festejou os 82 anos com um novo álbum, “You Want It Darker”, no qual refletia sobre sua própria mortalidade e, com a sua voz grave, interrogava-se sobre a natureza do homem e de um Deus todo-poderoso.

Semanas antes, em entrevista à revista New Yorker, afirmava-se preparado para a morte.

Segundo o comunicado divulgado na Internet, o músico terá um funeral privado, numa data não revelada, e “a família pede respeito pela sua intimidade” neste momento.

Texto de Lusa

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