Raul Martins: “Não podemos transformar todo um bairro num hotel ou num alojamento local”

5 JULHO, 2017 -

O presidente da Associação da Hotelaria de Portugal defende que para que o turismo seja sustentável tem de haver um limite nas zonas que sofrem uma maior  pressão turística.

O turismo tem vindo a bater recordes atrás de recordes. Este crescimento é para se manter?

Acredito que sim, mas temos de ver o que se passa noutras cidades para sabermos até onde é que podemos ir. Mais do que a um país, as pessoas vêm a Portugal por causa das zonas. Certamente que as pessoas vêm a Portugal por um conjunto de razões mas, quando escolhem Lisboa, também poderiam ter escolhido Barcelona, porque é a cidade que em termos de alternativa é a mais comparável. Naturalmente que Barcelona está num estado muito mais maduro em termos de turismo. Lisboa tem cinco milhões, enquanto Barcelona tem 35 milhões de turistas. É claro que nunca poderemos chegar aos 35 milhões porque Lisboa é mais pequena, é cerca de 1/3 da cidade espanhola. Mas Barcelona está um tanto esgotada em termos de capacidade de absorção de turistas e, por isso, tem hoje alguns condicionamentos. Por exemplo, não é possível construir nem ter mais hotéis na zona histórica e, por isso, está condicionada de certa maneira na oferta turística, impedida de receber mais turistas. E por essas e por outras razões, as próprias low-cost, de há uns cinco anos para cá, deixaram de considerar esta cidade como estratégica e optaram por outras alternativas. Lisboa começou a surgir, nessa altura, como uma alternativa porque as duas cidades têm características semelhantes: têm cultura, vivência e caráter. Lisboa ainda tem espaço, quando comparada com outras cidades semelhantes em termos de perfil e de características, para crescer tanto do ponto de vista urbano como de capacidade para absorver mais turistas em termos hoteleiros. Aliás, ainda se estão a construir mais hotéis.

Mais 40 hotéis até ao final do ano…

Sim, mas será em todo o país, abrangendo Lisboa, Porto, Centro e Algarve.

Mas temos capacidade de absorver tantos hotéis?

Há cidades na Europa que definem a possibilidade de construir novos hotéis em função da ocupação dessas cidades. É o caso de Londres, de Paris e de Barcelona. Ainda não faz sentido em cidades como Lisboa ou Porto estarmos a condicionar a construção de novos hotéis. Pode é fazer sentido dizer que a carga que os turistas trazem sobre o tecido urbano pode começar a não ser suportável, e esse limite não está definitivo.

E esse limite devia ser definido?

Devia começar a ser discutido. Barcelona já o fez e em determinas zonas não deixa construir mais hotéis. Esse trabalho, em Lisboa, não está feito, no Porto também não, mas aí já há pessoas a dizer que não precisam de mais hotéis. Mas esse é um debate que tem de ser feito porque, nos planos diretores municipais, a densidade populacional é definida com base no número de habitações. Por exemplo, em determinada zona há mil habitações e em cada habitação estão previstas duas ou três pessoas. Como tal, a capacidade dessa zona são as tais duas ou três pessoas para cada habitação numa capacidade total de mil habitações. Quando passamos essas habitações para hotéis ou para alojamento local, as habitações já não são as tais duas ou três pessoas, são cinco ou seis. Não podemos transformar todo um bairro num hotel ou num alojamento local.

Mas isso já está a acontecer em determinados bairros de Lisboa…

Ora bem, e por isso é que defendo que esse debate tem de ser feito e temos de ter cuidado com essa capacidade, nem que seja para não estragarmos a galinha dos ovos de ouro. E não é por uma questão de capacidade dos hotéis porque esta, felizmente, é suficiente para a sua rentabilidade, é por uma questão do tecido urbano. Quando estamos a falar de tecido urbano estamos a falar de ruas, passeios e infraestruturas comerciais que começam a não suportar tanta gente. E aí o plano diretor tem de ter uma função de regular as capacidades, principalmente em determinadas zonas.

Isso terá de ser imposto pela autarquia?

Sim, porque é a autarquia que desenvolve o plano diretor municipal, que define para uma determinada zona qual é o máximo de capacidade populacional. Quando passamos a habitação para um hotel ou para um alojamento local, o número de pessoas duplica ou triplica.

Daí o atual presidente da câmara estar agora a defender a ideia de turismo sustentável… 

Mas não disse o que vai fazer para que o turismo seja sustentável. Mas posso ajudá-lo. Para que o turismo seja sustentável tem de existir um limite nas zonas que sofrem uma maior pressão porque a pessoa que vem de fora e que vem para uma determinada cidade quer viver como os que vivem naquele local. Os turistas querem ir aos museus, visitar igrejas, ir aos restaurantes, não vão de certeza ao cinema. Quando há uma concentração muito grande de pessoas em determinada zona, essa situação torna-se insustentável. Eu já estive em Barcelona na Páscoa há cinco anos e não volto lá nessa altura.

É caótico?

Não volto lá. Por exemplo, nas Ramblas nem sequer se conseguia andar. Outros poderão ir porque nunca foram lá ou porque têm férias nessa altura, mas é uma experiência que não quero repetir. Agora, se me perguntar se quero voltar a Cartagena das Índias, digo que sim, é um bairro colonial com casas senhoriais transformadas em pequenos hotéis, mas onde não há excesso. Os urbanistas sabem bem o que é que as infraestruturas suportam.

Se não fizermos nada, isso vai ser prejudicial para o turismo?

Corremos o risco de perder a galinha dos ovos de ouro porque, se não fizermos nada, deixamos de ter a qualidade que devemos ter e que cidades como Lisboa e Porto merecem.

Já mostrou essa preocupação ao governo?

Já.

E qual foi a resposta?

Tem de perguntar a eles.

É a tal necessidade do turismo sustentável?

Mas têm de perceber que o turismo sustentável é as cidades não terem mais habitantes do que a sua estrutura permite.

A explosão do alojamento local veio fazer concorrência aos hotéis?

O alojamento local não faz qualquer concorrência aos hotéis, isso é uma falsa questão. E eu explico porquê: as pessoas que vão para o alojamento local querem estar numa condição que não é a mesma dos hotéis. E aqueles que vão para os hotéis não querem ir para os alojamentos locais porque, nos hotéis, todos os quartos têm de ter uma casa de banho. Ou seja, se quiser ir à casa de banho, se quiser tomar banho ou fazer a barba, pode ir a qualquer hora. Isso não acontece no alojamento local, que normalmente tem uma casa de banho para oito pessoas, e aí já tem de perguntar se pode ir à casa de banho, quase que precisa de marcar hora. Sei que há muitas pessoas que vão para o alojamento local que nem gostam de tomar banho, mas são maneiras de ser. Acredito que quem vem para o alojamento local, um dia, há de querer ir para o hotel, mas aqueles que vem para hotéis de certeza que não querem ir para o alojamento local. São produtos completamente diferentes.

Então há mercado para os dois?

Sim, um não tira mercado ao outro. Se disséssemos que os hotéis tinham uma ocupação de 50% e o alojamento local de 80%, até se poderia pensar que faziam concorrência, mas isso não acontece. Os hotéis e o alojamento local apresentam índices de ocupação perfeitamente semelhantes. Mal comparado, é como os voos low-cost: há pessoas que não se importam de vir nesses voos porque não trazem mala ou, se trazem, não se importam de pagar excesso de bagagem porque acham que estão a fazer um negócio fantástico; as viagens são mais baratas e podem gastar o dinheiro que pouparam na viagem no destino que escolheram; até podem pensar que vão mal instalados, mas também pensam que é por duas horas. O mesmo acontece com o alojamento local: querem viver uma experiência sem o mesmo conforto e segurança que um hotel tem.

Em termos de preços faz diferença…

Nem por isso. Há hotéis de três estrelas com preços muito baratos. São é clientes diferentes. Por exemplo, há pessoas que vão passar férias numa rulote e adoram estar na rulote porque estão a dois passos da praia, mas há outras que preferem ir para uma casa de férias mesmo estando longe da praia. E essa decisão nem sequer é tomada por razões financeiras. Outras vezes tem a ver com a questão da idade: quando era jovem também fiz um interrail e andei de comboio pela Europa fora.

E como vê as novas regras para o alojamento local?

As regras já existiam. A lei diz que quem quer ter alojamento local tem de estar registado. Havia era plataformas, nomeadamente a Airbnb, que aceitava tudo e mais alguma coisa; agora, o que se está a dizer é que esta plataforma tem de respeitar as regras existentes.

Disse há pouco que, mesmo com o aparecimento de novos hotéis, a capacidade está assegurada. Mas os valores têm de ser revistos?

A média de preços que está a ser cobrada é inferior ao que devia. Os hotéis de Lisboa têm mais valor do que aquilo que cobram – ainda estamos abaixo dos preços que são praticados em Barcelona, por exemplo. Os preços em Lisboa são metade ou menos de metade dos preços que são cobrados em Barcelona.

O aumento terá de ser feito de forma gradual?

Em Portugal, de uma forma geral, e em Lisboa, no Porto e até em Coimbra, as ocupações estão a aumentar na época baixa, o que é muito interessante porque um dos grandes objetivos tem sido reduzir a sazonalidade, mais do que aumentar os preços. Isso tem sido conseguido por várias razões, nomeadamente pela promoção que tem existido e, por isso, a época baixa nas cidades tem vindo a esbater-se cada vez mais. Também a faturação tem vindo a subir. Entre este primeiro trimestre e o do ano passado, a faturação aumentou 50% em Lisboa. E mesmo o mês de março, sem o efeito Páscoa, aumentou tanto a faturação como a ocupação face ao ano passado, que já contabilizava a Páscoa. Isto significa que o nosso principal objetivo, que era combater a sazonalidade, tem sido conseguido. O segundo objetivo é o aumento do preço que tem sido conseguido nas épocas altas, porque os hotéis aproveitam esta altura para aumentarem os preços. Acredito que, nesta época alta, vamos ter preços mais altos.

Poderá aumentar mais no próximo ano?

Acredito que sim.

Quantos postos de trabalho de trabalho foram criados no último ano?

Cerca de 62 mil no primeiro trimestre, o que corresponde a um aumento de 18% face ao primeiro trimestre do ano anterior.

A ideia é continuar a aumentar?

Sim, mas nós e o Turismo de Portugal temos uma outra preocupação que é aumentar a formação e melhorá-la.

Uma das críticas que são feitas ao setor diz respeito à falta de formação…

Sim, mas tem havido uma grande aposta nesta matéria. Felizmente, hoje há certas profissões na hotelaria que, até há pouco tempo, não eram valorizadas, mas que agora estão na moda. É o caso dos chefes. Atualmente, as profissões na hotelaria são mais exigentes do que eram. As escolas estão cheias e a empregabilidade é de 100%. Então, está na cara que é necessário aumentar a formação. Também apareceram nos últimos anos muitas empresas de animação turística. Vi há pouco tempo que, em dez anos, passámos de 10 para 500, e a animação turística faz falta porque as pessoas não vêm só dormir e jantar. Também os hotéis têm internamente planos de formação e isso é muito importante.

A AHT mostrou alguma resistência à aplicação das taxas turísticas. É uma questão que já está ultrapassada?

Não houve resistência, o problema é que, quando a ideia da taxa turística foi apresentada, era pura e simplesmente para construir um centro de congressos, e a associação, na altura, não sabia se esse centro era ou não era sustentável. O que se conseguiu foi, através do diálogo com o atual presidente, fazer com que as verbas da taxa turística fossem aplicadas na tal sustentabilidade do turismo. Agora já se sabe que a receita proveniente da taxa turística de Lisboa vai ser usada para adaptar a estação do Sul e Sueste, para que os barcos que andavam por aqui e por acolá passem a estar localizados num só destino, e essa adaptação foi totalmente paga pelas taxas turísticas. Outro exemplo é o Palácio da Ajuda, que é uma obra que há dois séculos estava por concluir e que só pode ser concluída por ter havido acordo entre três partes: o Ministério da Cultura, o Ministério do Equipamento e o Turismo. Isto vai fazer com que os turistas se desloquem para lá e, ao deslocarem-se para lá, não estão noutros sítios nem a sobrecarregar outras zonas. Mas há outras situações, como o elevador de observação da Ponte 25 de Abril, assim como os polos para os Descobrimentos. Isto significa que a taxa turística deve servir para criar infraestruturas de forma a tornar o turismo sustentável. Caso contrário, as pessoas chegam a Lisboa e ficam todas na Torre de Belém e no Mosteiro dos Jerónimos, o que faz com que essas zonas fiquem sobrecarregadas. Isso não pode acontecer. A associação não está é de acordo que essa taxa seja aplicada em coisas que não são para o turismo. Há uma câmara no Algarve que procurou fazer isso e queria que a receita da taxa turística fosse usada para construir um pavilhão gimnodesportivo.

Está a falar da Câmara de Vila Real de Santo António?

Exato. Não podíamos estar de acordo com isso. Aplicar a taxa turística numa cidade que tenha uma grande afluência turística faz com que o setor se desenvolva. Não podemos estar de acordo com a aplicação de uma taxa turística só porque há um problema financeiro na autarquia.

Essa negociação também existiu em Cascais?

As câmaras podem implementar as taxas, a associação é que é solicitada pelos seus associados para participar na análise dessas mesmas situações e, quando isso acontece, apresentamos sempre o mesmo modelo: as taxas turísticas devem ser usadas para sustentar o turismo, e não para fazer face pura e simplesmente a situações financeiras. No caso de Cascais há uma falta de receitas do jogo que eram usadas para promover o destino e a taxa turística vem compensar essa perda de receitas, tendo como destino a promoção de Cascais, ou seja, para que a região Cascais não perdesse a sua promoção ou para que a câmara não fosse obrigada a ir buscar outras verbas. É uma situação que se percebe e que faz sentido, não foi tanto para fazer infraestruturas turísticas. Mas há coisas que se fazem a pensar nos turistas, mas que os portugueses também usam. Tenho amigos que, às vezes, andam de tuk-tuk porque acham a maior graça. Já uma feira popular é mais pensada para os portugueses, mas é natural que também receba turistas – não me chocava nada que houvesse um apoio da taxa turística para desenvolver um projeto desses. Também não me chocava nada que a taxa turística de Cascais tivesse sido usada para desenvolver aquele passeio magnífico até ao Guincho, apesar de ser muito usado por residentes. Agora, fazer um campo de futebol com as taxas turísticas é que não, não vejo os turistas a virem para cá para irem jogar futebol, por mais desportistas que sejam.

Como é que os turistas reagiram?

Qualquer que pessoa que viaja pelo mundo não estranha. Os grandes destinos turísticos aplicam há anos taxas turísticas e, por isso, o turista acha a coisa mais normal do mundo pagar. Não acha é normal as ruas estarem sujas, os sem-abrigo estarem no vão do cinema ou do metro.

Então admite que a taxa turística possa ser aplicada para resolver estas questões?

Sim, porque de uma forma indireta está beneficiar o turismo. Ainda este ano contribuímos para compra do equipamento de máquinas de limpeza para as juntas de freguesia com mais turistas. Não podemos é ter turistas a passar por ruas que estejam sujas. Mas, felizmente, essa fase já acabou.

Nem sempre…

Quando somos turistas, às vezes temos comportamentos diferentes e, muitas vezes, eles portam-se de uma forma cá que não se portam no seu país.

É o que tem acontecido em Albufeira?

Pois, mas devia-se fugir desse conceito de tudo incluído a preços baixos.

E porque continua a ser aplicado?

Porque é mais fácil fazer sem qualidade e mais barato do que fazer bem feito.

Mas isso prejudica a imagem de Portugal…

Há pessoas que não estão preocupadas com isso. Estão mais preocupadas em obter receitas de forma imediata.

Há alguma coisa que poderia ser feita do lado do governo para beneficiar o setor?

O setor turístico e hoteleiro, hoje em dia, não tem atividade pública, felizmente. É dos setores mais autónomos e, nesse aspeto, temos de lutar por nós próprios, mas é evidente que não podemos descurar determinadas situações. Por exemplo, os representantes do Turismo de Portugal no mundo em relação ao número de turistas que temos dá um para um milhão. Não faz sentido. Não podemos dormir à sombra desta situação, amanhã certamente teremos mais concorrência de outros destinos e, se não fizermos nada e se não apostarmos na promoção, ninguém a vai fazer por nós. É impensável continuar a ter um número tão reduzido de representantes de Portugal. Por exemplo, temos ainda uma grande capacidade de crescimento junto dos turistas alemães, mas não temos representantes suficientes para promover Portugal como destino turístico na Alemanha. O mesmo acontece nos Estados Unidos, onde só há um representante para um país daquela dimensão. E daqui a três ou a quatro anos, quando houver maior concorrência e também maior oferta, é que vamos dizer ai, ai. Portugal é um país de paz mas, se começarem a existir mais sítios assim, vamos ter de dividir o número de turistas por um maior número de destinos. Claro que a melhor promoção é aquela das pessoas que vêm cá e contam aos seus amigos e familiares, mas, fora essa, tem de existir uma maior aposta na promoção do país.

Além do problema do constrangimento do aeroporto de Lisboa…

Ainda não chegamos à fase de constrangimento mas, em 2018, o aeroporto está esgotado. Claro que a grande razão para o aeroporto estar quase esgotado foi o grande aumento da procura. Não havia ninguém que fosse capaz de prever o que está acontecer, ninguém era capaz de fazer previsões com estes números. O problema é que se foi adiando ou não se foi decidindo o aumento de capacidade do aeroporto.

E continua a discutir-se a localização…

Tem de haver uma decisão racional. O aeroporto da Portela tem uma pista e a situação mais normal era ter uma segunda pista, mas não é possível porque existe uma urbanização que o impede. Então é preciso construir uma segunda pista e o local economicamente mais viável é o Montijo. Há aqueles que acham que, mais cedo ou mais tarde, vai ser necessário construir um aeroporto novo com duas pistas e uma aerogare, mas esse novo aeroporto teria a mesma capacidade que estes dois. E o que se faz ao aeroporto da Portela? Deita-se fora? Além de que a pista do aeroporto do Montijo já está feita, só é preciso alargar e construir uma aerogare. Se virmos isso de uma forma simplista, facilmente se conclui que não pode haver uma solução melhor que a do Montijo do ponto de vista económico. E se as low-cost fizeram com que o nosso destino deixasse de ser periférico, então, se passarmos a ter um aeroporto em Alcochete, onde é preciso contar com mais duas horas de viagem até chegar a Lisboa, voltamos a ser periféricos e isso é outro aspeto negativo. Além disso, para a ANA construir um novo aeroporto vai ter de cobrar taxas mais altas do que aquelas que cobra atualmente, e as taxas de Lisboa ainda são boas em relação a outras cidades. Se duplicarmos as taxas passamos a pagar o mesmo que em Madrid, e aí deixamos de ser competitivos.

Entrevista de Sónia Peres Pinto, publicada no nosso parceiro jornal Sol
Fotografia de João Biscaia

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