Quinze filmes obrigatórios de língua alemã

17 JUNHO, 2016 -

É uma das mais complexas e completas indústrias cinematográficas do mundo. A indústria de língua alemã é bastante contrária à norma, quando comparada a outras indústrias, como as italiana, francesa ou espanhola. Há cinco diferentes eras que completam esta indústria, assumindo uma história de 100 anos, iniciada a partir de 1915.

De 1915 a 1930: a indústria alemã era composta por filmes mudos, à semelhança com outras indústrias, que inovava e revolucionava o mundo do Cinema. Principalmente, composta por filmes de terror, experimentais/expressionistas e de ficção científica; arrisco-me a dizer que era a melhor indústria do mundo, nesta altura. De 1931 a 1945: formada por Thrillers, Comédias, com o início dos filmes falados que mostravam a realidade da Alemanha, na época, mas também composta por filmes de propaganda. De 1946 a 1970: houve o surgimento dos filmes a cores e é demarcada por uma apatia geral da indústria, contrastando com os ‘anos dourados’ das indústrias italiana, espanhola ou francesa; arrisco-me a dizer que esta foi a pior época do Cinema alemão. De 1971 a 1994: época demarcada pelos seus filmes dramáticos e com uma forte tendência filosófica com Fassbinder e Wenders como principais realizadores e Klaus Kinski e Bruno Ganz como principais mestres da representação. A partir de 1995: é uma época de diversidade com vários tipos de filmes, desde os filosóficos aos históricos, das comédias aos dramas.

Por esta razão, a indústria alemã é das mais ricas e completas do mundo cinematográfico. Apesar de apática, após a Segunda Guerra Mundial em termos de produção cinematográfica, talvez assustada pelas consequências da guerra, a indústria foi capaz de se ‘erguer dos escombros’ e continuar um caminho de sucesso, a partir de 1970.

Outros filmes estariam nesta lista, se não fosse limitada a quinze títulos: Der zerbrochene Krug (1937), Das Experiment (2001), Die Brücke (1959), Die Fälscher (2007), Christiane F. (1981), Die Abenteuer des Prinzen Achmed (1926), Die Blechtrommel (1979), Road Movie Trilogy (1974-1976), Angst essen Seele auf (1974), Das Leben der Anderen (2006), Sophie Scholl (2005), Europa, Europa (1990), Nirgendwo in Afrika (2001), Der Himmel über Berlin (1987), Die Ehe der Maria Braun (1979).

15 – Good Bye Lenin! (Wolfgang Becker, 2003)

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É um filme que se foca na Alemanha dividida e na Alemanha comunista e respectivos costumes. Apesar de apresentar aspectos diferentes, quando comparado com “Das Leben der Anderen,” este filme apresenta uma perspectiva diferente sobre a RDA, misturando a seriedade da queda do regime com momentos bastante emocionantes e cómicos. É uma comédia dramática que marcou a diferença, aquando do seu lançamento, tornando-se num dos filmes mais vendidos do Cinema alemão.

Daniel Brühl interpreta Alexander Kerner, um jovem que tenta esconder da Mãe o facto de que a Alemanha comunista, que ela tanto adora, já não existe após a queda do Muro de Berlim. Após estar num coma durante meses, a Mãe de Kerner é protegida da realidade, de forma a não lhe provocar um enorme choque que poderá provar-se fatal. Juntamente com a sua irmã e o namorado dela, eles fazem a sua casa regressar aos tempos da Alemanha comunista, tendo a sorte do facto da sua Mãe não poder sair da cama e os esforços terem de ser feitos, essencialmente, dentro de casa. Durante o filme, Alex apaixona-se e esta comédia acaba por se tornar num drama muito emocional com uma mensagem e uma moral bem pronunciadas.

14 – Der letzte Mann (F. W. Murnau, 1924)

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Conta a história de um porteiro bem-sucedido de um importante hotel da cidade, que perde o trabalho e que se torna alvo de chacota de uma sociedade desesperada e desrespeitosa. É um dos mais bem-sucedidos trabalhos de Murnau. Foi capaz de transmitir a realidade da sociedade alemã que precisava de um empurrão, que veio infelizmente das mãos de Adolf Hitler e do seu regime Nazi, em 1933. Havia muita fome e tinham dificuldades, sentindo que o país não acudia as suas necessidades mais ‘primitivas’. Murnau entendeu esses problemas e usou um idoso acabado de ser despedido como veículo de todos esses sentimentos de desespero, fome e inadaptação. Emil Jannings, a lenda do Cinema alemão, tem aqui um dos seus melhores desempenhos que o ajudou a tornar-se numa lenda ainda maior e uma futura referência cinematográfica. Felizmente, Murnau gostou da personagem que ajudou a criar, dando-lhe um final feliz e pouco provável.

13 – Vampyr (Carl Theodor Dreyer, 1932)

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Foi recebido de uma forma muito mista, principalmente negativa. O filme só se tornou num dos filmes mais influentes de sempre, após largos anos do seu lançamento. “Vampyr” conta a história de um ‘vagabundo’ obcecado pelo oculto que entra numa vila, que está sob feitiço de um vampiro. Foi o primeiro filme falado de Dreyer e foi gravado e dobrado em três línguas diferentes. Há muito poucas cenas faladas e diálogo. A diferença de opinião entre a crítica clássica e moderna é demarcada pelas críticas da lenta velocidade da acção e pela forma como o filme foi filmada. Muito viram-no como um ‘insulto’ para os filmes do género, mas com o tempo foi sendo respeitado pela crítica, chegando a ser comparada com clássicos como “Nosferatu” ou “Das Cabinet des Dr. Caligari,” ambos mencionados nesta lista. A história cativante do filme, juntamente com cenas inovadoras e surpreendentes, ao nível da filmagem e efeitos especiais, fazem desta produção um filme obrigatório no género.

12 – Berlin Alexanderplatz (R. W. Fassbinder, 1980)

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Este épico com 15 horas e meia tornou-se num sucesso assim que começou a ser transmitido. É uma mini-série/filme que conta a história de Franz Biberkopf, um ex-presidiário que tenta levar uma vida normal numa sociedade cheia de desejos carnais e conspurcada pelo crime e a traição. Após ser libertado da prisão, pela morte da sua mulher que foi brutalmente agredida até à morte, Biberkopf tem agora de lidar com os problemas de uma sociedade que vê a subida do regime Nazi como grande inspiração política e social, no início dos anos 30. Biberkopf é, muitas vezes, descrito como mulherengo e como um homem que ‘ferve em pouca água’, fraco e debilitado mentalmente, em algumas situações. No entanto, o público acaba por gostar desta peculiar personagem que, para além de inadaptado, é esforçado, tentando sempre corrigir os erros dos que mais próximos estão dele.

O épico foi baseado no livro homónimo, escrito por Alfred Döblin. O grande aplauso vai para Alfred Lamprecht, visto que o seu desempenho é completamente ‘louco’ e totalmente surpreendente, cheio de qualidade; Lamprecht personifica uma nova mente criminosa com o desejo de reforma pessoal, mas com poucos resultados visíveis. O último episódio incorpora todas estas características, mostrando o último fôlego de uma personagem que mais parece pronta a desistir do que a continuar a sua ‘luta’.

11 – Faust (F. W. Murnau, 1926)

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É uma excelente versão e adaptação para o grande ecrã da obra-prima literária de Johann Wolfgang von Goethe. É simbólico porque é o último filme em alemão de F.W. Murnau, antes de se mudar para Hollywood. É a melhor adaptação da obra, a mais genial e fantástica com excelentes pormenores cinematográficos e uma forma de filmagem que foi, na altura, inovadora. Conta a história de um homem entre o Bem e o Mal, entre o Paraíso e o Inferno. Ele tem de escolher um caminho, após vender a sua alma ao Diabo, que apostou com Deus que ele seria capaz de corromper até o mais puro dos homens. Ele é um homem vazio de desejos carnais, sem objectivos de luxúria ou ganância, que apenas presta atenção aos livros e à sua vida académica. O filme lida com problemas sociais tais como pobreza e desigualdade social. “Faust” é uma importante obra cinematográfica, para além da importância literária que tem.

Ver outro lendário filme mudo intitulado Der letzte Mann lançado em 1924 do mesmo realizador.

10 – Nosferatu (F. W. Murnau, 1922)

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É mais uma jogada de génio de Murnau, que teve aqui o seu maior ‘hit’, “Nosferatu” catapultando o realizador para novos picos, dando-lhe um estatuto e posição na indústria do Cinema. O filme foi feito novamente, em 1979, por Werner Herzog, contando com a participação de Bruno Ganz e Klaus Kinski. Este filme de 1922 tornou-se pioneiro, neste tipo de filmes, servindo como base para filmes de vampiros que depois começaram a surgir. Foi baseado no livro, Dracula, escrito por Bram Stoker.

Thomas Hutter é enviado pelo patrão, Knock, a visitar um novo cliente, Count Orlok, que vive na Transylvania. Para isso, Hutter terá que se separar da mulher, durante uns dias, mas está entusiasmado por fazer este trabalho. Na Transylvania existe um conto que um vampiro assusta os habitantes, mas pelo contrário fascina Count Orlok, tornando-o numa personagem mórbida da cidade, muito devido também ao seu aspecto físico. Com o decorrer do filme, o conde interessa-se cada vez mais pela mulher de Hutter. A suspeita do aparecimento de um vírus há muito desaparecido, a praga, assusta os habitantes de Wisborg, cidade onde Hutter e a sua mulher vivem. Apesar da praga real não existir, outra praga aparecerá na cidade, com consequências ainda mais contundentes, principalmente para a mulher de Hutter.

9 – Das Boot (Wolfgang Petersen, 1981)

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É considerado como um dos melhores filmes de guerra de todos os tempos, e justamente. Não só relata uma perspectiva histórica, apesar da existência de uma pequena discrepância histórica, mas também fornece uma perspectiva filosófica das vidas dos soldados alemães dos U-boats. As vidas dos soldados são essencialmente acompanhadas de uma forma filosófica, tendo em conta a importância do esforço de guerra na sobrevivência da Alemanha como país, mas também reconhece a necessidade (ou a falta dela) desta guerra sem fim. Protagonizado por Jürgen Prochnow e o lendário cantor alemão, Herbert Grönemeyer. Os desempenhos são espectaculares e cheias de intenção, nunca desconsiderando o verdadeiro objectivo do filme e a respectiva história. O filme explora as vitórias e as derrotas desta tripulação alemã, que vê o seu próprio país a ser derrotado a ‘olhos vistos’, fornecendo um excelente contraste entre os momentos de vitória e derrota. É o maior lançamento de Petersen e uma referência do Cinema alemão no pós-1970.

8 – Der Untergang (Oliver Hirschbiegel, 2004)

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O filme tem um dos melhores desempenhos dos últimos 30 anos. Se não fosse pelo desempenho de Heath Ledger em “The Dark Knight”, o desempenho de Bruno Ganz seria, claramente, favorito a ocupar a posição de melhor performance. Mais do que um filme, “Der Untergang” é uma peça histórica de elevado valor, representando os últimos dias de Hitler no seu bunker, aquando da previsível e esperada vitória dos Aliados, na Segunda Guerra Mundial. Apesar de algumas inconsistências históricas, principalmente na personagem de Albert Speer, o filme consegue ter uma credibilidade factual quase perfeita, juntando à espectacular performance e produção de um dos melhores filmes do Cinema alemão. O filme descreve os últimos dias de Hitler e seus funcionários, com especial atenção para as suas secretárias e empregadas pessoais e consequente relação desenvolvida entre elas e Eva Braun. O filme inicia-se com uma entrevista real de uma das empregadas de Hitler que viveu o acontecimento. Chamo a vossa atenção para a credibilidade histórica e precisão do desempenho dos actores participantes.

7 – Das Cabinet des Dr. Caligari (Robert Wiene, 1920)

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É um dos primeiros ‘hits’ da indústria alemã e um dos primeiros filmes de terror. Foi um filme assustador, na altura, muito devido ao seu forte conteúdo gráfico e muitas vezes asqueroso que surpreendeu a crítica. O filme ainda mantém uma posição de respeito no meio. Werner Krauss, uma lenda do Cinema alemão, interpreta um hipnotista que usa um sonambulista para cometer assassínios e espalhar o medo e desconfiança pela cidade. O filme lida com temas como autoridade e alguns traços de autocracia. O hipnotista exerce uma posição de domínio sobre outrem e daí se retira semelhanças com a situação política verificada na Alemanha, uns anos depois. Muitos dizem que o filme prevê essa situação, apesar de não concordar com essa ‘vidência’, e de nem achar que o filme tem essa intenção. Consegue, e muito bem, lidar com temas relativamente tabu como insanidade e comportamento psicótico e autocrático. É um dos melhores filmes expressionistas de todos os tempos e uma referência do Cinema alemão, bem como um dos melhores filmes de F. W. Murnau.

6 – Das weiße Band (Michael Haneke, 2009)

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É a obra-prima de Haneke e um dos mais difíceis e duros lançamentos da história do Cinema, no que respeita aos temas abordados. “Das weiße Band” é o protótipo perfeito de um filme de Haneke, abordando temas tabu que aquecem a opinião pública e a crítica. A intenção do realizador é retratar o mal e as suas consequências na vida de uma família rica numa pequena cidade alemã, após a Primeira Guerra Mundial. O título fornece uma ideia de inocência ao público, considerando que a cor branca simboliza a inocência, juntamente com a utilização de crianças para as personagens principais. “Das weiße Band” retrata uma inocência que não existe e que nem tudo o que aparenta é. Os temas abordados são, de facto, chocantes: incesto, pedofilia, assassínio e violência. O filme é narrado por um idoso desconhecido, iniciando a sua narração desde o início do filme, contando a história de uma aparente inocente cidade alemã.

5 – Aguirre, der Zorn Gottes (Werner Herzog, 1972)

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Nunca fui um fã de Werner Herzog, não sei porquê, apesar da sua reputação e importância para a indústria mundial do Cinema, como maior figura do Cinema alemão após 1970. No entanto, mesmo um céptico como eu tem de aceitar a importância e a qualidade magistral de uma obra-prima como esta, “Aguirre, der Zorn Gottes”. O realizador tem neste filme a sua maior produção e maior golpe de génio, colocando-se no topo da ‘cadeia alimentar’, em termos de realização cinematográfica mundial. O filme é baseado, ligeiramente, em Aguirre mas com muito da mente de Herzog. o realizador escolheu o já peculiar e estranho, Klaus Kinski, para interpretar o papel de outra peculiar personagem. Apesar das divergências que ambos tiveram nas filmagens deste filme, o realizador e actor continuariam a trabalhar juntos em outras produções, após este filme. Aguirre lidera um grupo de conquistadores que procuram a cidade do ouro, El Dorado. O filme tem pouco diálogo, mas utiliza a fotografia e a imagem de uma forma genial, justificando a ausência de diálogo pela diversidade colorida do sentimento e da natureza. Ao longo do filme, Aguirre é descrito como um louco e mentecapto, no entanto um génio e extremamente ambicioso, fazendo o que for necessário para atingir o seu objectivo.

Está filmado de uma forma magnífica, descrevendo Aguirre como um anti-herói e um revolucionário, louco o suficiente para atravessar o rio Amazonas. O instável e imprevisível Klaus Kinski encaixa na perfeição na personagem do conquistador espanhol. O filme cala os cépticos, eu incluído, que muitas vezes criticam a exagerada mente imaginativa do realizador, que passa dos limites em muitos dos seus filmes. O desempenho de Kinski é o melhor da sua carreira, encaixando na perfeição. É um dos filmes mais vistos de todos os tempos e um marco para o Cinema. Está, talvez injustamente, colocado em quinto lugar.

4 – Germania Anno Zero (Roberto Rossellini, 1948)

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É um dos poucos filmes de guerra que abordam a Segunda Guerra Mundial, realizados em alemão, após o fim dessa mesma guerra. Dos períodos mencionados acima, esta é provavelmente a pior era do Cinema alemão, pelas razões abordadas acima. O medo em abordar estes assuntos pode ter tirado a coragem aos realizadores alemães, que se sentiram amedrontados em confrontar um tema tão sensível para o povo alemão. Os filmes da guerra começaram a ser realizados, após 1970, em larga escala, apesar de haver um ou outro filme de destaque antes desse período que aborda o tema de forma contundente.

Realizado por um realizador italiano, Roberto Rossellini, “Germania Anno Zero” é ainda hoje um dos mais controversos filmes de todos os tempos, e um dos mais difíceis de visualizar, muito fruto da sua crua abordagem a um tema tão contundente para a sociedade alemã. É um filme muito realista, que não é de todo admirado por quem o viveu, e que foi largamente criticado aquando do seu lançamento. Foi uma novidade na indústria alemã ver uma cidade do país destruída e aterrorizada pela fome, sofrimento e depressão.

É um filme tabu, magnificando problemas que até então ninguém se atreveria a divulgar. Rossellini teve essa coragem e o facto de ser um realizador italiano a realizar este filme diz muito da apatia que a indústria alemã teve ao longo desta era (1946-1970). Explora a história de Edmund Kohler, uma criança de 13 anos, que luta pela sobrevivência numa Alemanha destruída. Ele tem de lidar com os problemas da rua e sustentar a família, cuidando do seu pai que se cinge a uma cama, sem dela poder sair. O fim do filme é simbólico, representando a perda de esperança e a fatalidade do povo alemão, após a Segunda Guerra Mundial.

3 – Dr. Mabuse Series (Fritz Lang, 1922-1960)

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É uma das mais longas séries do Cinema, em termos de anos, não em termos de quantidade de filmes. É uma trilogia, todos os filmes são reconhecidos pela sua importância para a indústria e para a redefinição do género. O mais reconhecido e o meu preferido da trilogia é o segundo filme, que é um filme obrigatório no género, aumentando a faísca de qualidade, na época. É ainda hoje reconhecido como um dos mais importantes filmes de todos os tempos, principalmente no género de crime/mistério com uma história acelerada, peculiar e um pouco experimental. Os filmes exploram a personagem de Dr. Mabuse, um talentoso mestre do disfarce e um génio do Mal que quer controlar a cidade através dos seus poderes de hipnotismo e manipulação. O primeiro filme – “Dr. Mabuse” – é um épico de quatro horas que apresenta os pormenores psicológicos da personagem, Dr. Mabuse. O médico e professor tem muito poder e dinheiro, mas que quer conquistar mais poder e dinheiro para chegar aos seus objectivos de domínio da cidade; o professor utiliza o jogo e a bolsa de valores como veículos para esse domínio. “Das Testament des Dr. Mabuse” é a obra-prima da trilogia, caracterizando Dr. Mabuse como o misterioso assassino e criminoso de diversos crimes violentos. O terceiro – “Die 1000 Augen des Dr. Mabuse” – lançado em 1960, é o último da trilogia, explora uma série de crimes que podem levar à ressuscitação de Dr. Mabuse.

2 – Metropolis (Fritz Lang, 1927)

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É o filme mais influente de todos os tempos, apresentando uma perspectiva mais ‘fresca’ e experimental dos filmes deste género. É ainda hoje, o filme que mais se destaca nesta área experimental e expressionista, mas também a mais forte referência da ficção científica, juntamente com “2001: A Space Odyssey”, de Stanley Kubrick. É uma das primeiras longas-metragens da história do Cinema, durando quase três horas. O filme lida com pobreza e desigualdade social, tecnologia e inovação, construindo uma distopia futurística, onde só os ricos prosperam. O facto de ter sido lançado em 1927 surpreende ainda mais. É uma das poucas obras-primas do Cinema e um obrigatório. A construção e o retrato de Maria como o derradeiro profeta e salvadora da Humanidade é a cereja no topo do bolo. A mulher-máquina pode ter uma componente metafórica que se pode transpor para a realidade da altura. A tentativa de diminuir o ‘gap’ entre os ricos e pobres, na distopia, enquanto o amor de dois homens consumem a tentativa de ambos para conquistar o amor que é comum aos dois, e que consequentemente provocam a queda e destruição da cidade (sociedade).

1 – M – Eine Stadt sucht einen Mörder (Fritz Lang, 1931)

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“M” é o meu filme favorito da história do Cinema, desde a primeira vez que o vi e a segunda vez que revi, há uns anos atrás. Tomou a indústria cinematográfica de surpresa, criando uma base muito forte para a crítica, abordando temas como a pedofilia e o assassínio. Ambos os temas são ainda hoje tabu, principalmente o tema da pedofilia. Lida com a justiça social e a necessidade de fazer justiça pelas próprias mãos. Lang junta a esta equação um sequestrador, pedófilo e assassino que se diz doente, psicologicamente e fisicamente. Peter Lorre interpreta este criminoso que acode por ajuda, aquando do seu julgamento, liderado e executado pelo próprio povo da cidade. É um dos maiores lançamentos da história do Cinema, tornando-se muito rapidamente numa influência para os realizadores e actores que se seguiram a este filme. Fritz Lang tem neste filme, juntamente com “Metropolis”, o seu maior lançamento que o ajudou a tornar-se num dos realizadores mais inovadores e inteligentes de todos os tempos. O realizador aborda as dificuldades sociais vividas, por parte de um povo em dificuldades que precisa urgentemente de reformas, de forma a torná-lo mais equitativo e justo. Os desempenhos dos actores, ainda hoje, marcam a indústria cinematográfica, sendo referência para qualquer actor que quer ser tido em conta na sua carreira.

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