Quem é Elon Musk?

19 AGOSTO, 2017 -

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Elon Musk, o visionário fundador da Tesla e da Space X, receia o desenvolvimento sem controlo da Inteligência Artificial, mas acredita que a humanidade será uma civilização colonizadora de outros planetas – a começar por Marte.

A economia mundial deixou uma base de manufatura e caminha para o conhecimento digital. Informação, dados, big data, partilha e flexibilidade são sinónimos dos empregos e trabalho do futuro. Tudo assente em tecnologia. Cada vez mais rápida, mais intensa, mais disruptiva.

Elon Musk é um dos rostos desta economia e um empreendedor perfeitamente confortável na navegação da realidade atual, ao mesmo tempo que traça possíveis caminhos para o futuro da humanidade, tanto a mais curto como a longo prazo.

Musk, 45 anos, tem tripla nacionalidade (sul-africana, canadiana e norte-americana) e acabou de terminar uma relação amorosa com a atriz Amber Herad, antiga mulher de Johnny Depp. O empresário tem seis filhos de três anteriores casamentos. Do primeiro, com a escritora de livros de fantasia Justine Musk, são logo cinco – um par de gémeos e uns trigémeos. Depois deste divórcio, casou-se, divorciou-se e voltou a casar-se com a atriz inglesa Talulah Riley, de quem está separado.

Com uma fortuna avaliada em dez mil milhões de dólares, está presente em muitos projetos e debates sobre o futuro da humanidade. E há um tema sobre o qual é especialmente crítico: o desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA) e da robótica. Desde há três anos que Musk tem mostrado preocupação com a possibilidade de esta tecnologia ficar fora de controlo. Com um conhecimento profundo desta indústria e investimentos em empresas que estão na vanguarda deste desenvolvimento, o empresário teme que mesmo com a melhor das intenções «se possa produzir qualquer coisa maléfica por acidente», como por exemplo «uma armada de robots dotados de inteligência artificial capazes de destruir a humanidade». Um cenário que parece saído de um filme mas que preocupa verdadeiramente o empresário.

Esta posição foi recentemente contestada pelo fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, que apelida os cautelosos em relação ao desenvolvimento da IA – posição também tomada pelo astrofísico inglês Stephen Hawking – de «negacionistas». Zuckerberg diz que estes, alertas de apocalipse são de uma negatividade desnecessária – já Musk revelou que falou com o CEO do Facebook sobre o tema e que o entendimento deste sobre o assunto é «limitado».

Empresário aos 11 anos
A relação próxima do sul-africano com a tecnologia é inata. Com 11 anos, desenvolveu um videojogo e vendeu-o por 500 dólares. Aos 28 anos, depois de se formar em Economia e Física na Universidade da Pensilvânia. Entrou no doutoramento, em Stanford, nesta última área – a experiência durou dois dias.

Seguiu pela vida de empresário e começou por dedicar-se à Zip2, uma empresa de desenvolvimento de conteúdos para portais digitais de notícias. Vendeu-a por 307 milhões de dólares à Compaq. Depois, investiu num novo projeto gestão de pagamentos pela internet de que já terá ouvido falar – a Paypal. Três anos depois, vendeu-a por 1,5 mil milhões de dólares. A sua fortuna crescia e os seus projetos ganhavam nova dimensão e ambição. Transportes, energia, TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação) e exploração espacial foram as próximas áreas de negócio, nas quais se mantém.

Viver em Marte
Uma delas, a Space X– a empresa de Musk de transporte espacial que investe 5% do seu capital em missões de colonização de Marte –, tem como objetivo enviar um milhão de colonos permanentes para Marte a partir de 2025 e durante quatro a dez décadas. «O futuro da humanidade passa fundamentalmente por um de dois caminhos: ou nos vamos tornar numa espécie multiplanetária e numa civilização exploradora do espaço, ou vamos ficar presos num planeta até à extinção», justificou Musk, que defende objetivos comuns a todo o globo e a democratização mundial das tecnologias e informação. Exemplo desse estado de espírito: no final de 2016, a Space X anunciou que pretende lançar 4425 satélites na órbita terrestre, para assegurar que o mundo tem acesso à internet nas mesmas condições e ao mesmo preço, já que, hoje em dia, mais de metade da humanidade está offline.

Os transportes são outro dos negócios de Musk e a Tesla é a joia da coroa deste segmento. Esta empresa de carros elétricos – que se encontra a desenvolver automóveis autónomos –tem como objetivo último tornar esta tecnologia acessível à maioria das pessoas. No final de julho entregou os seus primeiros Model 3, o modelo mais barato da marca e que custa 35 mil dólares. Ainda este ano, a marca vai anunciar qual o país escolhido para instalar uma fábrica na Europa –Portugal é um dos locais possíveis.

Como em todos os projetos arrojados, há retrocessos. Vários dos foguetões da Space X têm explodido – apesar de em dezembro de 2016 a aterragem de um deles ter sido considerada um dos maiores feitos científicos do ano. Em maio, o condutor de um dos veículos autónomos de teste morreu num acidente (o sistema de pilotagem automática da Tesla não foi considerado culpado). Em 2013, Musk apresentou o Hyperloop, uma tecnologia de baixa pressão com cápsulas, transportadas a grande velocidade ao longo de um tubo, que permitirá viajar a quase 1200 km/h. Para tudo isto é preciso energia e a solar é aposta de Musk. Na semana passada, a a sua SolarCity – a maior empresa do género nos EUA – anunciou uma parceria com a Panasonic para o fabrico de painéis solares. Mais uma prova de que os olhos de Musk, mesmo quando de fecham para dormir, não saem do futuro.

Artigo escrito por Magalhães Afonso, publicado no nosso parceiro jornal SOL

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