‘Pulp Fiction’: os close-ups que marcaram uma geração

3 OUTUBRO, 2016 -

Mais de vinte anos depois de estrear em Cannes, onde venceu a Palma de Ouro, a 12 maio de 1994, Pulp Fiction contínua a ser catalogado por muitos como a obra-prima de Quentin Tarantino. Conhecido pelos seus diálogos, uma mistura irónica de humor e violência e pela sua narrativa não-linear, a obra será ainda assim marcada principalmente pelas referências à cultura pop.

Quem gosta de cinema, terá sempre algo a dizer sobre Pulp Fiction. Mark Fraser, cineasta americano, deu uso a esse mesmo direito e fê-lo de uma forma prática, num ensaio que nos mostra o uso dos grandes planos (close-ups) na construção da narrativa de Pulp Fiction. Assumindo as referências Pop, Fraser prefere assim dar um maior ênfase aos objectos em detrimento dos actores, mostrando como o pormenor do detalhe dá textura ao pensamento e emoção à experiência do espectador. Tarantino esconde desta forma muitas das mensagens subliminares que podemos encontrar em Pulp Fiction. Uma fórmula em tempo defendida por Alfred Hitchcock, que dizia que “os grandes planos são a pontuação dramática numa história, são toques de címbalos”.

Tarantino constrói mundos excêntricos. As suas imagens são pungentes e os detalhes visuais peculiares de Pulp Fiction – como este ensaio nos mostra – fazem com que seja difícil imaginar o cinema sem o impacto cultural desta obra. O realizador norte-americano conseguiu criar a sensação de dualidade entre um mundo real que parece um faz-de-conta e um faz-de-conta que parece real. Voltando a Hitchcock, este dizia, perversamente, que os filmes não deviam ser sobre a vida, pois estes são mais fortes do que o realismo. Talvez esta tenha sido a forma que Tarantino arranjou para nos passar a sua ideia sobre fantasia, realismo e a forma com as duas coisas se cruzam.

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