Produção nacional teve mais estreias, mais interesse e mais divulgação

9 MAIO, 2016 -

O Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), no relatório anual relativo ao ano passado, publicado hoje, realça o crescimento da produção nacional e do interesse internacional demonstrado pelas produções portuguesas.

“Com uma presença fortíssima em festivais, os prémios obtidos em 2015 demonstram o reconhecimento que as obras portuguesas estão a ter junto dos agentes culturais a nível mundial”, lê-se na introdução do relatório, que dá a conhecer as 30 estreias em sala de produções e coproduções portuguesas, previstas para este ano, entre as quais “Cartas de guerra”, de Ivo M. Ferreira, que foi já apresentado no Festival de Berlim, em janeiro, e no festival IndieLisboa, em abril.

Segundo o ICA, “a produção nacional acompanhou” este reconhecimento, o que é demonstrado com “um aumento significativo das obras produzidas” em 2015 (50), relativamente a 2014 (27), de acordo com os mapas do ICA.

Entre as longas-metragens a estrear em sala, este ano, estão previstas as de “O comboio de sal e açúcar”, de Licínio Azevedo, filme que é apresentado como “uma história de amor em tempos de guerra, uma viagem que não leva passageiros, mas pessoas com todas as suas virtudes e fragilidades”.

Outras estreias previstas são as de “Colo”, de Teresa Villaverde, “O grande Circo Místico”, do brasileiro Carlos Diégues, que “conta a história da família Kieps, dona do Grande Circo Kieps”.

“São cinco gerações que viveram ao longo de cem anos no mesmo picadeiro. Único a atravessar todo este período, Celaví, 117 anos, mestre-de-cerimónias, acompanha de perto as histórias de amor, alegrias e tragédias na vida dos Kieps, como um parto no picadeiro, o estupro de uma mulher religiosa e o suicídio de um trapezista”.

O filme é inspirado no poema homónimo de Jorge de Lima e conta com músicas compostas por Chico Buarque e Edu Lobo. A obra foi cofinanciada pelo ICA e conta no elenco com os atores portugueses Luísa Cruz e Nuno Lopes.

Outras estreias previstas são as de “Inner Ghost”, de João Alves, que conta no elenco com as portuguesas Ana Sofia Leite e Patrícia Godinho, “Refrigerantes e canções de amor”, de Luís Galvão Teles, cuja rodagem se iniciou há poucos dias em Lisboa, e “Vazante”, de Daniela Thomas, que “explora as vicissitudes das relações raciais e de género, nas margens violentas do Brasil colonial”, nos inícios do século XIX.

Outra estreia agendada é a de “Zeus”, primeiro filme de Paulo Filipe Monteiro, como realizador, que conta a “história real de Manuel Teixeira Gomes”, “um escritor de ótima literatura erótica, que foi eleito Presidente da República [1923-25]”, autor de “Inventário de junho” e “Sabina Freire”, entre outras obras, que se exilou em Bougie, na Argélia, para onde partiu no navio de nome Zeus.

Quanto a curtas-metragens, estão previstas estreias de “Abismo”, de Leonor Noivo, além das duas obras selecionadas para a Semana da Crítica do Festival de Cannes, “Ascensão”, de Pedro Peralta, e “Campo de víboras”, de Cristéle Alves Meiras, com os atores Ana Padrão, Simão Cayatte e Ana Brito e Cunha.

Outras estreias previstas são “O caso J”, de José Filipe Costa, “O corcunda”, de Gabriel Abrantes e Bem Rivers, distinguida como Melhor Curta Metragem Portuguesa, no festival IndieLisboa, e “Paul”, de Marcelo Félix.

Na área de documentários, o ICA anuncia a estreia, este ano, de “Amateur”, de Olga Ramos, longa-metragem sobre Carlos Relvas, que “tem como objetivo recolocar a fotografia no tempo, integrando-a como objeto de estudo científico e artístico na história da modernização em Portugal”.

“Pioneiro da fotografia no século XIX, Carlos Relvas foi um homem de cultura e inovação que deixou um impressionante legado de, aproximadamente, 12.000 fotografia”. “O filme dá visibilidade ao trabalho técnico e artístico do fotógrafo, através dos seus retratos realizados no estúdio de luz natural na Golegã, e em exteriores no Ribatejo, Lisboa, Porto e no estrangeiro”.

Também a estrear este ano, “Carta ao meu avô”, de Sofia Pinto Coelho, que aborda a figura do diplomata Luís Pinto Coelho e o seu “conflito entre sentimentos e razão, pátria e família”, a partir do momento em que o antigo embaixador português em Madrid se apaixona por uma ‘top model’ norte-americana”, o que motiva este “documentário sobre escolhas, amor e convicções”, escreve o ICA.

O relatório bilingue “Cinema de/from Portugal” foi divulgado hoje, dia em que é apresentada a Festa do Cinema, a decorrer de 16 a 18 de maio, com bilhetes a 2,5 euros, em cerca de 500 salas a nível nacional.

Texto de Lusa
Fotografia de “Cartas d Guerra”, de Ivo M. Ferreira

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