Primeira e última homenagem do Irão a Abbas Kiarostami

11 JULHO, 2016 -

Kiarostami foi o expoente máximo da chamada “nova vaga” do cinema iraniano. O realizador e fotógrafo iraniano, nascido em Teerão, venceu inúmeros prémios ao longo da sua carreia, tais como: uma Palma de Ouro no Festival de Cannes com o filme Taste of Cherry, em 1997, ou um Leão de Ouro no Festival de Veneza, em 1999, com o filme The Wind Will Carry Us.

O funeral do cineasta realizou-se ontem, nos arredores de Teerão, mais de uma semana depois da sua morte em Paris, a 4 de Julho, aos 76 anos de idade.

Milhares de pessoas participaram na cerimónia fúnebre, em Lavasa, a primeira e a última homenagem a ser realizada no país, para o homem que levou o cinema iraniano às salas de cinema um pouco por todo mundo.

Martin Scorsese foi um dos demonstrar publicamente, através de um comunicado, o carinho que nutria por Abbas Kiarostami. Além de admirador confesso do trabalho do realizador asiático, Scorsese já havia homenageado Kiarostami noutras alturas, como por exemplo no Festival de Cinema Internacional de Marrakesh, no Marrocos, em 2005, quando entregou um prémio ao cineasta pelo conjunto da sua obra.

Alguns referem-se aos seus filmes comominimalistas, mas na verdade é o oposto. Cada cena de Taste of Cherry ou Where is the Friends Home transbordam beleza e surpresa. A paciência é capturada de forma requintada“, disse Scorsese num comunicado à imprensa.

O cineasta norte-americano disse ainda: “Conheci Abbas ao longo dos últimos 10 ou 15 anos. Ele era um ser humano muito especial: quieto, elegante, modesto, articulado e muito atento. Os nossos caminhos cruzavam-se muito raramente e eu ficava sempre feliz quando isso acontecia. Ele era um verdadeiro cavalheiro e um de nossos maiores artistas.

Algumas das pessoas presentes no funeral de Kiarostami tinham cartazes com a frase, “primeiro acolhimento e último adeus”.

Para mim e para todos aqueles que estão aqui, Abbas Kiarostami foi um dos maiores realizadores do mundo, ele promoveu o Irão na fotografia e no cinema”.

Ele enfrentou algumas limitações, o que não quer dizer que não estivesse autorizado a filmar no Irão, mas ele não trabalhou no país e as pessoas seguiam as notícias sobre ele fora do país e a sua morte foi uma notícia importante para todo o povo iraniano”.

Ahmad, um dos filhos do icónico realizador, foi proibido de assistir ao funeral por colaborar com organizações consideradas dissidentes pelo governo iraniano.

Kiarostami parte, mas o cinema continua, ele fez ressoar o nome do Irão no mundo inteiro”, afirmou o responsável governamental pela pasta do cinema iraniano, Hojattollah Ayoubi.

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