‘Please like me’ será um drama ou uma sitcom?

15 FEVEREIRO, 2017 -

Será um drama ou uma sitcom? Please like me é uma série escrita por Josh Thomas, que soma quatro temporadas, e que facilmente passa despercebida por entre a enorme oferta disponível no Netflix.

A série estreou a 28 de Fevereiro de 2013, sendo que a quarta e última temporada estreou no dia 9 de Novembro de 2016. Ao todo são 32 episódios de aproximadamente 25 minutos que se encontram disponíveis em Portugal para quem subscreve o serviço do Netflix.

Josh Thomas é um comediante australiano e também o protagonista da série. Josh baseou a narrativa nas suas experiências pessoais, o que se torna facilmente perceptível pela honestidade dos episódios, longe de pretensiosismos dos dramas actuais. Segundo o autor “There’s just too much of me in my life generally”, e sim, todos nos relacionamos com isto.

A acção desenvolve-se na Austrália, com a cidade de Melbourne como pano de fundo. A tentativa de suicídio da mãe da personagem principal coincide, não estando minimamente relacionada, com o fim da relação amorosa do protagonista. A ex-namorada informa Josh que este é homossexual, e assim se dá o mote para o início de Please like me.

Desde o primeiro episódio é evidente que estamos perante uma série especial. Não é uma série só sobre a homossexualidade do protagonista e como as restantes personagens lidam com isto. Temos desde os pastéis de nata ao MDMA, do aborto a festas na piscina com onesies, problemas psiquiátricos (muitos), suicídio e também a problemática da pilosidade nas axilas. Estes temas não são encarados de modo politicamente correto e com subterfúgios. As DST’s e o aborto são falados e discutidos com franqueza e de modo hilariante. A saúde mental e o suicídio são tratados sem qualquer tipo de preconceito e têm grande destaque durante todas as temporadas. De realçar a performance da atriz Debra Lawrance, no papel de Rose, a mãe suicida do protagonista, que é simplesmente brilhante.

Please like me começou com um orçamento reduzido e sendo independente. Pode assim representar de modo cómico e honesto uma realidade que à primeira vista parece bastante australiana e longínqua mas que não o é.

Não é nem um drama nem uma sitcom. As personagens não pedem para ser gostadas enquanto passam pelos mesmos dilemas que qualquer jovem adulto que ainda tenta encontrar o seu lugar no mundo e tenta lidar com os problemas de gente crescida. Com os pequenos e grandes erros que fazem parte do processo, e é especialmente na representação dos erros que Please like me acerta.

Não agradará a todos mas também não tem que o fazer. Despretensiosa e a pedir para ser odiada, faz o oposto. Uma série sobre os dias de hoje onde todos queremos ser apreciados e estamos longe de ser perfeitos, ao menos fazemo-lo com uma gargalhada.

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