Paul Thomas Anderson e a consciência sombria das relações humanas

7 MAIO, 2016 -

Talentoso como muitos mas ousado como poucos, Paul Thomas Anderson usa-se do seu cinema formalista e contemporâneo para pautar a consciência sombria das relações humanas. A marca registada do cineasta norte-americano em termos estéticos inclui a realização de planos longos através de travellings de steadicam, quase todos de difícil execução logística – como a cena de abertura de Boogie Nights, onde há um plano único que dura mais de três minutos.

Jacob T. Swinney realizou este ensaio com base nos seis primeiros filmes de Paul Thomas Anderson, onde podemos conferir a carga dramática do vazio a que somos expostos quando o realizador norte-americano atira as suas personagens para planos áridos, quase sempre sem pressa. Deixa assim que os seus protagonistas carreguem e assumam o ritmo da narrativa.

Neste ensaio de pouco mais de quatro minutos, Swinney observa que as personagens de Anderson estão muitas vezes “perdidas dentro do quadro do plano e portanto essas mesmas personagens têm problemas para se ligarem consigo mesmas”. Tal facto, diz Swinney, acaba por isolar também o espectador.

As temáticas da solidão e a impossibilidade da comunicação estão muito presentes nos filmes de P. T. Anderson. As personagens complexas a que nos habituou esgotam-se quase que por completo durante os seus filmes. No fim há um sentimento de dever cumprido, como se o protagonista não tivesse mais para dar à personagem e ao público.

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