Dia 1: Unknown Mortal Orchestra assinaram o melhor concerto do Paredes de Coura

22 AGOSTO, 2016 -

Chegou no dia 17 o momento mais esperado pelos festivaleiros de todo o país: arrancou a todo o gás o Vodafone Paredes de Coura e com ele chegaram algumas das bandas mais esperadas do ano. Com apenas o palco principal a funcionar, coube a We Trust cortar a fita e abrir as festividades no festival do momento. A banda portuguesa abriu o festival juntamente com uma orquestra e coro de nome Coura All Stars com o seu hino ‘We are the Ones, conhecida por este país fora, num momento que prometia marcar o tom para um festival repleto de atuações estelares. Foi um concerto repleto de emoções para esta banda que após o dia 24 deste mês entrará numa pausa indefinida, não sendo certo para já quando voltarão aos palcos, sendo que, segundo os mesmos, «não é um adeus, é um até».

Aos We Trust seguiram-se os também portugueses Best Youth, que celebraram 5 anos de carreira quase no dia exato desta atuação. Foi neste concerto que o anfiteatro natural de Paredes de Coura começou verdadeiramente a encher, com vontade de ver a dupla Ed Rocha/Catarina Salinas. Ed Rocha confessou em palco que devem já ter passado 15 anos desde a sua primeira vez em Paredes de Coura, na altura como espectador. O músico disse que neste destival viu muitos concertos que marcaram a sua vida. Os sons sensuais, baixo irreverente e a curvatura das melodias conseguiu conquistar o público de Paredes de Coura, que entoou com a banda as suas músicas mais conhecidas.

O primeiro dos dois super grupos a atuar neste dia foi Minor Victories. Este projeto é composto por Stuart Braithwaite e restantes membros dos Mogwai, Justin Lockey, dos Editors, tendo como cara e voz do projeto Rachel Goswell, dos Slowdive. Mogwai já tinham visitado o festival por duas vezes e Rachel Goswell faz assim a dobradinha, tendo estado presente com Slowdive na edição de 2015 do festival. Foi um concerto deslumbrante, onde os sons que parecem chegar a Coura de sonhos distantes da banda britânica não deixaram ninguém indiferente. Foi um dos concertos mais bonitos do festival, mostrando-nos que Coura precisa de momentos como este para respirar, momentos de uma intensidade mais baixa, mas com uma qualidade igual ou superior à dos restantes concertos. Momentos como este existiram, mas foram difíceis de encontrar durante o resto do festival.

Seguiram-se os cabeças de cartaz do dia, e o que foi talvez o melhor concerto desta edição do Vodafone Paredes de Coura: Unknown Mortal Orchestra. A apresentar o seu terceiro álbum, de nome Multi-Love, saltaram do palco secundário de Coura, onde tocaram há três anos, para a piscina dos grandes, sendo mesmo cabeças de cartaz deste primeiro dia. Ruban Nielson, nascido na Nova Zelândia, lidera um grupo de virtuosos que deixaram o público de Paredes de Coura boqueaberto. Foi um concerto daqueles que não se vêm muitas vezes e teve de tudo: músicas conhecidas que toda a gente cantou, grandes solos, crowdsurf do vocalista da banda e momentos em que a barreira entre o público e a banda deixou de existir. E digo isto no sentido em que, em certos momentos deste concerto, Ruban Nielson voltava-se de costas para o público e sentava-se no chão do palco virado para o seu trio de músicos, como se de um ensaio se tratasse. De facto tudo isto parecia um ensaio: eles tocavam tanto e quanto lhes apetecia, tornavam as músicas em arranjos semi improvisados que nos mostravam a mestria dos artistas que fazem a banda, onde cada um deles parece ter o seu instrumento como um prolongamento do seu corpo. De facto, quando vemos um concerto que parece um ensaio, isso significa que a banda quebrou uma barreira muito grande que costuma existir, e quando deixamos de nos sentir mais um no meio de milhares e nos sentimos como num sofá numa garagem na Nova Zelândia a ver estes mestres tocar, um calor aconchegante apodera-se do nosso coração, e não houve nada que o público pudesse (ou quisesse) fazer quanto a isto, a não ser sorrir. Os Unknown Mortal Orchestra mostraram neste concerto que para além de conseguirem escrever músicas de sucesso, são dos melhores músicos que se encontram neste género musical (onde se destaca a genialidade de Amber Baker numa bateria que encheu mais o palco do que qualquer das bandas que mais tarde passaria no festival que tinham não uma, mas duas baterias), tendo assinado momentos em que parecia estar a haver em palco um qualquer projeto mais semelhante a Snarky Puppy do que aos autores de ‘So Good at Being in Trouble’.

A noite foi encerrada por outro super grupo: Orelha Negra. O grupo que se gaba de ser o único projeto de hip hop em Portugal sem um vocalista foi o escolhido para encerrar as festividades do primeiro dia desta edição do Vodafone Paredes de Coura. Os sons underground apaixonaram grande parte do público mas notou-se que foram mais as pessoas que saíram do que as que entraram no recinto após Unknown Mortal Orchestra. O grupo de Sam the Kid e companhia fechou este primeiro dia num misto de hip hop underground com ondas de after hours mais modernas, cativando a maioria das pessoas que se encontravam no festival. A festa continuou no recinto após o concerto de Orelha Negra, mas fez-se com amigos: a zona de restauração enchia e as pessoas iam-se conhecendo, conversando sobre os concertos do dia e as preferências de cada um, antes de se fazer a peregrinação típica à zona de acampamento onde se partilham cervejas e outro tipo de substâncias que prosperam em Coura. Foi o primeiro dia do paraíso, e deixou muita água na boca.

Fotografia: Paulo Pimenta / Público

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