‘Ossos’ e ‘Casa de Lava’ são exibidos na RTP2

29 MAIO, 2017 -

O verdadeiro serviço público faz-se na RTP! Sendo assim, e porque faz todo o sentido darmos destaque aos filmes e aos assuntos que estes abordam, elaborámos este artigo para reforçar e dar visibilidade ao trabalho feito pela estação pública portuguesa. Dia 3 de Junho, próximo Sábado, podes ver  “Ossos“, já a 10 de Junho tens a possibilidade de ver “Casa de Lava“, ambos realizados pelo português Pedro Costa.

Fica agora sinopses (retiradas do site da RTP2) e os respectivos trailers dos filmes:

Pedro Costa assina um dos filmes portugueses mais incómodos de sempre, que constitui um surpreendente manifesto sobre o estado de pobreza

Num bairro crioulo de Lisboa, um bebé sobrevive a várias mortes. A sua jovem mãe, Tina, desespera e liga o gás. Socorrido pelo pai, dorme na rua e bebe leite da caridade. Por duas vezes, quase que é vendido. Mas Tina não o esquece e procura vingança.

Num dos miseráveis bairros de lata de Lisboa, Clotilde e a sua família partilham uma barraca com Tina e o seu companheiro. Clotilde, como todas as manhãs, deixa o bairro para trabalhar como mulher a dias, enquanto Tina dá à luz numa maternidade. O seu companheiro não a vai buscar e é Clotilde que acompanha Tina a casa. Esta tenta suicidar-se com gás, na companhia do bebé, e o seu companheiro leva a criança com ele, na esperança de conseguir mais atenção nas ruas de Lisboa, onde pede esmola. Conhece Eduarda, uma enfermeira de meia idade que decide ajudá-lo e a quem ele tenta vender o bebé. Por fim encontra uma nova mãe para a criança na pessoa de uma prostituta, enquanto Clotilde e Tina se amparam e ajudam no seu quotidiano de miséria.
Premiado em Veneza e Belfort, “Ossos”, de Pedro Costa, é um dos mais singulares e impressionantes filmes portugueses de sempre. Crónica urbana de miséria e tristeza, “Ossos” está filmado em atmosfera de documentário forjado, onde Pedro Costa, com espantosa economia narrativa, se limita, quase, a filmar comportamentos até aos limites do suportável. Raramente se terá captado com tanta crueza e violência emocional a dolorosa apatia dos sem recursos, sem estatuto, sem cidadania e sem perspetivas. Um surpreendente “manifesto naturalista” sobre os estados de pobreza dos nossos dias, filmado com inteligência e sensibilidade, onde se refletem todas as contradições da sociedade urbana portuguesa. Um filme incómodo, sombrio e quase provocador, no vergonhoso e preciso retrato que dá da realidade quotidiana de um país europeu no limiar do século XXI.

“Ossos” é exibido a 3 de Junho, na RTP2, pelas 23h05.

Casa de Lava é a segunda longa-metragem de Pedro Costa, foi rodada na Ilha do Fogo e conta no elenco com Inês de Medeiros, Isaach de Bankolé, Pedro Hestnes e Edith Scob

No início é o ruído, o desespero e o abuso.
Mariana quer sair do Inferno.
Estende a mão a um homem meio morto, Leão.
Mariana, plena de vida, pensa que talvez possam escapar juntos do inferno.
Acredita que pode trazer o homem morto para o mundo dos vivos.
Sete dias e sete noites mais tarde percebe que estava enganada.
Trouxe um homem vivo para o meio dos mortos.

Pedro Costa, revelado alguns anos antes com «O Sangue», confirmou com «Casa de Lava» todas as expectativas criadas por esse primeiro filme (no entanto, completamente diferente). Na paisagem vulcânica de Cabo Verde, filmada como se toda a vida (animal, vegetal ou mineral) tivesse sido coberta por um lençol de cinzas, «Casa de Lava» é outra história de dor e de sangue, vivida por “zombies” e outros seres amaldiçoados. Muita da estranheza vem do facto de Cabo Verde ser igualmente tratada como uma paisagem “linguística”, onde o vincar de uma identidade se confunde com o seu fechamento.

“Casa de Lava” é exibido a 10 de Junho, na RTP2, pelas 23h10.

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