‘Os Vampiros’: os jogos sanguinários da guerra colonial em banda desenhada

8 JUNHO, 2016 -


A novela gráfica “Os Vampiros” é o mais recente projecto de Filipe Melo e Juan Cavia (que desenhou a obra). Esta BD, ambientada na Guerra Colonial, é uma ficção suportada por factos verdadeiros, tanto no argumento como no desenho.
Tal como o argumento da trilogia de “Dog Mendonça & Pizzaboy“, a história de “Os Vampiros” foi pensada inicialmente para ser um filme, mas acabou por ser uma banda desenhada. Esta nova obra, de capa dura e com 232 páginas, tem o selo da Tinta-da-China e é quase caso único da banda desenhada portuguesa pois aborda a Guerra Colonial. Essa foi uma das principais razões que motivou Filipe Melo, o argumentista, a avançar com o livro:
Não há uma razão especial para ter escolhido a Guerra Colonial. Houve só uma curiosidade crescente. Queria escrever uma história nova e num género muito específico, que era o terror. Comecei a interessar-me por causa do documentário do Joaquim Furtado, depois comecei a ler e a ver mais documentários e a pensar que havia ali um cenário bom para se contar uma história“, disse Filipe Melo à agência Lusa.
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O livro é sobre violência, medo e morte e acompanha uma ficcionada missão de reconhecimento ao Senegal. Tudo acontece na véspera de Natal de 1972 quando um grupo de militares portugueses, em serviço na Guiné-Bissau, fica afectado por trágicos acontecimentos. O desfecho do livro é aberto, portanto, leva o leitor a uma interpretação extremamente pessoal.

Trabalhámos muito ao nível do desenho e do argumento, para contar uma história que confiasse mais no leitor. Com este livro, o que eu gostava era de fazer uma história mais ambiciosa, que desse espaço ao leitor para tirar a sua própria conclusão“, disse Filipe Melo, o argumentista, que atribuiu às personagens uma densidade psicológica, a partir dos testemunhos de ex-combatentes.

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O livro está dividido em três capítulos, ancorados em outras tantas citações – de Padre António Vieira, Herman Melville e José Afonso -, que ajudam a enquadrar o mote do argumento, sobre o carácter cíclico da guerra, sobre as formas e as proporções que o medo pode assumir, sobre a carga simbólica da figura do vampiro.

Fiz esta história porque gosto imenso desse processo, de fazer a história, de ir melhorando. É a coisa que mais gosto de fazer. Passo a vida a ver filmes, a ler. Parece que só encontro sentido para o meu dia-a-dia quando faço isso“, afirmou Filipe Melo, que também é conhecido como pianista ou arranjador.

Capa do Livro:

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Texto Lusa / CCA

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