Os filmes ‘Lost in Translation’ e ‘Her’ comunicam-se

31 MAIO, 2016 -

“Lost in Translation” (2003), escrito e dirigido por Sofia Coppola, e “Her” (2013), escrito e dirigido por Spike Jonze, comunicam-se. Ambos têm a mesma temática: a solidão.

Em “Lost in Translation” Sofia Coppola expõe a solidão quase como um privilégio dos que vão além ao reflectirem sobre a própria vida, e por vezes apoia os seus personagens na fragilidade dos outros. Um dos elementos que torna o filme interessante é o facto de o espectador não entender – assim como Bob, personagem principal, interpretada por Bill Murray – o que há entre as personagens, isso deve-se em muito boa parte pela diferença de idades.

1349304407_1339010681_lost_in_translation_03 Lost-in-Translation-2

Esta é também uma das maiores barreiras entre as duas personagens principais, Charlotte, (Scarlett Johansson) e Bob Harris (Bill Murray). Embora não fiquem juntos o filme joga-nos para uma velha banalidade das comédias românticas: não importa o quão diferente tu sejas, ou, o quanto perdido tu estejas, o que importa é que as coisas estão acontecer. Mesmo que não tenham ficados juntos, como seria de esperar numa comédia romântica banal, as suas vidas aparentemente seguiram o seu rumo normalmente. A consumação é desnecessária e entregue à vontade do espectador.

No filme “Her” a solidão é abordada de um ponto de vista comum, e não só. Spike Jonze insere Theodore num contexto de solidão urbana, uma solidão que sentimos quando estamos rodeados de desconhecidos e que retrata uma solidão que não é dramática, mas sim uma solidão a que já estamos acostumados todos os dias.

Her-Movie-siri-operating-system-ftr

No entanto nos diálogos de Theodore com Samantha – o OS –, o realizador parece expor os seus sentimentos e pensamentos durante a crise do seu casamento com Sofia Coppola e o período posterior, o de aceitação.

“Her” não deve ser visto como uma resposta objectiva a “Lost in Translation”, no entanto relaciona-se, certamente, com a vida pessoal do realizador neste sentido, já que foi escrito pelo próprio, mas não se resume a isto. Existe também uma reflexão sobre a sociedade contemporânea, Spike Jonze conversa connosco sobre a nossa solidão. Theodore diz-nos mais do que as suas reflexões sobre o relacionamento com Sofia Coppola em concreto; passando por ele, é uma reflexão sobre a própria vida do realizador, incluindo a sua profissão. They’re just letters. Trata-se de um mundo onde as pessoas formam as suas próprias ilhas. E é neste mundo que hoje vivemos, um mundo todo conectado mas feito por ilhas.

Comentários

Artigos que poderão ser do teu interesse

ARTIGOS RELACIONADOS

Inicialmente, e em grande parte devido às limitações gráficas e visuais, os videojogos eram mer

O Festival de Cinema Argentino, dedicado ao novo cinema argentino, 

As obras são da autoria de Fernando Reza da Fro Design Company para a su

É uma das mais complexas e completas indústrias cinematográficas