Opinião acerca do novo MAAT

6 OUTUBRO, 2016 -

Ontem fui uma de quinze mil pessoas que visitou o novíssimo MAAT, o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, que abriu ao público em Belém. Deixo neste artigo algumas das considerações que tenho a fazer acerca deste espaço.

Em primeiro lugar quero falar da arquitectura. O edifício projectado pela britânica Amanda Levete é sem dúvida um standout na zona ribeirinha lisboeta. Respira modernidade e cria um diálogo interessante, tanto com a novo Museu dos Coches, como com o antigo Museu da Eletricidade. Os seus interiores são espaçosos, a sala oval (reminescente da Turbine Hall do Tate Modern) é espaçosa e tem um tecto moderno, super cool. O miradouro, deveras instagramável, parece ser, para muita gente, o propósito da existência do museu. Confirma-se, é giro.

Infelizmente, é impossível falar da arquitectura sem referir a pobreza dos seus acabamentos. Os mosaicos por limpar, as margens aleatórias na sua aplicação, até as diversas chapas de metal que harmonizam as linhas e que não foram colocadas a tempo da inauguração transparecem isso. Não deixa de me parecer que esta estreia foi apressada.

E como se trata de um museu, é impossível não falar da arte. Esta foi a minha principal desilusão e não é por não ter pinturas (como parecia ser o problema de muitas famílias que visitaram ontem). Uma obra desta envergadura podia ter colocado a sua colecção num novo patamar. Afinal, num contexto público, a arte deve informar, oferecer conhecimento, confronto e reflexão.

Espero fazer-me entender. Megalómano como sou, não acho que faça sentido inaugurar um museu para português ver e para turista encantar com as exposições disponíveis ontem. Gostava de ter visto algum blockbuster da arte, sei lá, Jeff Koons, Alex Katz, Anish Kapoor. Sei que a acham uma antagonista do nosso art-world, mas a Joana tinha aproveitado melhor o espaço. Compreendo as dificuldades de cachet, a obra foi caríssima, mas esta é a minha opinião e eu acho que o calibre das exposições não esteve à altura.

É que… ok, houve concertos, mas não seria melhor termos visto indícios de uma linha curatorial, quer fosse focada em artistas emergentes, em pós-internet, ou no que quer que fosse? Assim fico com a sensação que esta inauguração foi só para encher e ficar bem nos telejornais. É que a arte, essa grande chata, foi apenas secundária.

Obrigado pelo vosso tempo.

Texto de Alexandre S. Couto

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