Onze livros para leres no Verão

20 JUNHO, 2016 -

O Verão começa hoje e as férias estão aí à porta por isso decidimos sugerir-te algumas novidades, mas nem só, da literatura à venda no nosso país.

No entanto, muitos dos livros que te sugerimos não têm necessariamente a ver com a estação mais quente do ano, ou pelo menos os seus títulos e histórias não fazem justiça ao calor da época. Quisemos sim fazer recomendações escolhidas a dedo para ti e longe dos clichés que o Verão costuma trazer.

Os Vampiros‘ – Filipe Melo e Juan Cavia

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Autores multipremiados da saga ‘Dog Mendonça e Pizzaboy’, Filipe Melo e Juan Cavia voltam a colaborar num romance gráfico, desta vez sobre a guerra colonial.

Guiné, Dezembro de 1972.
Em plena guerra colonial, um grupo de soldados portugueses é destacado para uma operação secreta no Senegal. Porém, à medida que vão sendo consumidos pela paranóia e pelo cansaço, esta missão aparentemente simples vai transformar-se num verdadeiro pesadelo.
Embrenhados na selva, estes homens terão de confrontar sucessivos demónios – os da guerra e os que trouxeram consigo.
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Direito a Ofender
A liberdade de Expressão e o Politicamente Correcto – Mick Hume

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O medo de ofender está a limitar a liberdade de expressão. É legítimo fazê-lo?

«Um livro fulcral, que não podia ser mais relevante neste momento. É convicto, destemido e empenhado em desconstruir os argumentos falaciosos contra a liberdade de expressão, defendendo esse valor sem reservas e com argumentos extremamente convincentes. Neste tempo de fraqueza de espírito, é muito bom lermos uma defesa tão incondicional.» —SALMAN RUSHDIE

O assassínio a sangue-frio dos cartoonistas do «Charlie Hebdo» em Janeiro de 2015 colocou o tema da liberdade de expressão em primeiro plano. Os líderes das democracias de todo o mundo uniram-se para condenar os ataques. Mas, no rescaldo do massacre, muitas vozes começaram a defender a necessidade de delimitar as fronteiras do direito a ofender.
Em contracorrente, o jornalista britânico Mick Hume argumenta que o direito a ofender é parte inalienável do direito à liberdade de expressão — um valor em risco no Ocidente.
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A Dor Concreta‘ – António Carlos Cortez

9baa8633d10fc06c1f559c4ff521e4dd-bigbook«O assunto da poesia é o poema, defendeu Wallace Stevens, citado em epígrafe por António Carlos Cortez. «A Dor Concreta», antologia de década e meia (seguida de inéditos), dedica a essa ideia uma fidelidade ambígua. Por um lado, muitas imagens e referências que surgem nos poemas são de natureza autobiográfica (os anos 80, o eco de certas canções, as idas à praia em família, o tumulto amoroso, a hostilidade das cidades); por outro, encontramos diversas formulações de uma teoria da poesia que recusa a transparência biografista. Para Cortez, a poesia é fábula, alusão: terá havido um acontecimento vivido, um sentimento, uma verdade, mas tudo se perde e se transforma através da linguagem poética. Há um hiato entre o facto e o poema, e esse hiato é o próprio poema. Menos do que poesia sobre a poesia, trata-se de poesia sobre a poetização, que é um esquecimento através do fingimento. Herdeira do neo-classicismo de David Mourão-Ferreira e da austeridade de Gastão Cruz, sem esquecer a lição camoniana, a poesia de António Carlos Cortez é formal, medida, uma poesia do vocábulo, de aliterações, elipses, truques de linguagem que nos ajudam na selva escura.» — Pedro Mexia
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Biblioteca‘ – Pedro Mexia

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O tempo em Santo Agostinho, o desconcerto do mundo em Camões, a questão do sentido em Hofmannsthal, a fé em Kierkegaard, a verdade em Pirandello, a lei em Kafka, a cidade em Balzac, o exílio em Jünger, a traição em Claudel, a misantropia em Cioran, a melancolia em Burton, a amizade em Sarraute. E o amor em Kleist, Dostoiévski ou Cohen.

«Biblioteca» é uma autobiografia por interpostas leituras. Há afinidades electivas, muitas, mas também encontros inesperados, no momento justo. Algumas crónicas surgiram como homenagens ou obituários, nomeadamente a Agustina ou a Herberto. Outras parodiam, através de colagens de textos, a soberba dos sábios (em Camilo), a política como iluminismo e paranóia (nos irmãos Strugatski) ou o espírito vingativo (em Baudelaire).

Do elogio das enciclopédias como «imagem do mundo» a uma elegia sobre a precariedade dos livros, «Biblioteca» é, tal como «Cinemateca» (2013), um catálogo de obsessões, cumplicidades, esperanças e desamparos.
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A Nova Odisseia‘ – Patrick Kingsley

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A Europa está a enfrentar uma vasa de imigração sem precedentes desde a Segunda Grande Guerra, e ninguém expôs a realidade desta crise de forma tão profunda e detalhada como o correspondente do The Guardian, Patrick Kingsley. Durante 2015, Kingsley viajou por 17 países pertencentes à rota destes movimentos migratórios, travando conhecimento com centenas de refugiados e testemunhando as suas odisseias por desertos, mares e montanhas para tentarem desesperadamente alcançar o coração da Europa. Este livro é o relato de quem esses viajantes são. Das razões porque continuam a arriscar a sua vida para chegar à Europa, e de como o fazem. É também sobre os contrabandistas que os ajudam, e sobre a guarda costeira que, com escassos recursos, os tenta auxiliar no final da jornada. É ainda sobre os voluntários que os alimentam, as pessoas que os abrigam, e os guardas das fronteiras que os repelem, e sobre os políticos que viram a cara e não têm coragem de os olhar nos olhos. A Nova Odisseia é um relato corajoso e original, escrito com compaixão e conhecimento de causa por um jornalista que sabe do que fala. «Patrick Kingsley escreve-nos directamente do centro do maior movimento migratório a atingir o Mediterrâneo e a Europa desde a Segunda Grande Guerra (…). Ele distingue o individual das massas. Um feito jornalístico único, que carece de um reconhecimento e entendimento urgentes. Uma chamada de atenção a todos nós que dormimos calmamente à noite nas nossas camas.» [Jon Snow] «Uma leitura obrigatória.» [Yanis Varoufakis] «O livro de Patrick Kingsley é impressionante. Combina uma pesquisa de campo aprofundada, com narrativas individuais de grande interesse: as das pessoas que são apanhadas nestes enormes movimentos de massas (…) Tremendamente impressionante… Repleto de vida, por vezes chocante, mas sempre eficaz… O relato do que se esconde por de trás das notícias sobre o Mediterrâneo raramente foi contado de forma tão marcante.» [Philip Pullman]
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Manifestos do Surrealismo‘ – André Breton

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Neste livro, Breton reúne um conjunto de textos; desde o Primeiro Manifesto, publicado originalmente em 1924, até aos textos sobre a posição política do surrealismo, passando pelo incrível «Peixe Solúvel», uma compilação de textos automáticos.

«O homem põe e dispõe. Só a ele cabe pertencer-se todo inteiro, isto é, manter em estado anárquico a faixa cada vez mais temível dos seus desejos. A poesia ensina-lho. Ela traz consigo a compensação perfeita das misérias que suportamos. Ela pode ser uma ordenadora, também, se sob o efeito de uma decepção menos íntima nos lembrarmos de a tomar ao trágico. Venha o tempo em que ela decrete o fim do dinheiro e só ela parta o pão do céu para a terra! Haverá ainda assembleias nas praças públicas, emovimentos em que não esperastes tomar parte. Adeus, selecções absurdas, sonhos de abismos, rivalidades, longas paciências, fuga das estações, ordem artificial das ideias, rampa do perigo, tempo para tudo! Dêmo­-nos apenas ao trabalho de praticara poesia. Não nos caberá a nós, que já vivemos dela, procurarmos fazer prevalecer o que temos para nossa mais ampla informação?»
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Obra Escrita’, vol I e II – João César Monteiro

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Primeiro volume de uma obra de cinco, que reúne os textos de João César Monteiro – de guiões de filmes a críticas de cinema, passando pela correspondência do realizador. Neste primeiro volume, recolhe-se o que foi escrito por César Monteiro para os filmes «Quem Espera por Sapatos de Defunto Morre Descalço», «Fragmentos de Um Filme-Esmola», «Veredas» e «Silvestre».

Guiões e sinopses dos filmes «À Flor do Mar» e «Recordações da Casa Amarela».
Capa com impressão manual na oficina do Homem do Saco.
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V Vingança‘ – Alan MooreDavid Lloyd

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A Inglaterra mergulhou num regime fascista depois de uma catastrófica guerra nuclear, e todos os opositores ao poder instalado foram exterminados. Neste universo, ao mesmo tempo distópico e familiar, V, um revolucionário anarquista, vai encetar uma complexa campanha revolucionária para deitar abaixo o governo, enquanto inspira uma jovem, Evey Hammond, a continuar a sua luta.

Primeiro grande sucesso de Alan Moore, a história desenhada por David Lloyd e publicada originalmente na revista Warriorno início da década de 80, deu origem a um filme de grande sucesso, produzido pelos irmãos Wachowsky (Matrix) graças ao qual a máscara usada por V se tornou a imagem de marca do grupo Anonymous.
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Mein Kampf – A Minha Luta‘ – Adolf Hitler

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A Minha Luta é, de certa forma, o manifesto do nacional-socialismo tal como Hitler o entendia.

Ditado ao seu fiel secretário Rudolf Hess em 1923, na prisão de Landsberg – onde cumpria uma pena de cinco anos depois do golpe falhado em Munique – A Minha Luta é, de certa forma, o manifesto do nacional-socialismo tal como Hitler o entendia. Apesar do seu estilo errático e por vezes alucinado, a obra contém a sua visão programática para a sociedade alemã – com alusões pouco veladas de eugenismo e uma ênfase obsessiva na questão racial, por exemplo, mas também sobre o papel da mulher alemã ou dos sindicatos –, para uma nova política externa (a referência constante à necessidade de espaço vital, mas também à política de alianças a levar a cabo) e, ainda, premonitoriamente, sobre os judeus.
No fundo, 10 anos antes de chegar ao poder, o que viria a ser a política interna e externa do III Reich levada a cabo por Hitler já estava plasmada em livro. Embora algumas das suas ideias, em termos geopolíticos, reflictam os medos e anseios dos Alemães, fruto da sua posição geográfica no continente europeu – a eterna obsessão com as alianças que pudessem contrariar o «cerco», o aperto entre a França e a Rússia, agora pela mão do bolchevismo – noutros aspectos o texto é mais perturbador, em especial na questão do eugenismo, no futuro dos povos de Leste e, essencialmente, no destino a dar aos judeus.
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Polémicas sobre a reedição de Mein Kampf: The Telegraph, Le Magazine Litteraire, Washington Post, Le Monde, Newsweek, Libération, Deutsch Welle, Bloomberg,Express, The Telegraph (2).

O salão vermelho‘ – August Strindberg

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O salão vermelho
do Berns Salonger é o local onde se reunem diversos personagens que acabam por representar toda a sociedade sueca da sua época. A imagem do salão vermelho é central pois funciona como a câmara vermelha em que se espera uma audiência com a realeza, ou a sala vermelha em que os debutantes esperam a sua apresentação à sociedade, do mesmo modo este é também o espaço onde os actores aguardam a entrada em palco.

A carga simbólica do espaço em si empresta a este retrato de corrupção moral e política de uma Estocolmo em que se movimenta Arvid Falk, o primeiro grande anti-herói da literatura escandinava e um dos primeiros da literatura europeia, homem de fraca estatura moral que navega de forma insegura as águas perigosas da política e da sociedade mas também as franjas do meio boémio e intelectual que se reúne no salão vermelho, uma dimensão literária inigualável.

Esta obra faz parte da lista dos melhores 1000 romances elaborada pelo jornal britânico The Guardian.
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O da Joana‘ – Valério Romão

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Joana  e  Jorge  esperam  por  um  filho  há  oito  anos.  Mudaram  três  vezes  a  cor  do  quarto  da  criança:  a ansiedade  era  muita.  Naquela  noite,  aos  sete  meses  de  gravidez,  quando  rebentam  as  águas  de  Joana, Jorge apanhou-se a pensar que talvez haja males quevêm por bem e que isso significasse um parto mais fácil. O drama explode no hospital quando algo corre mal. Joana pede então ao médico que simule uma normalidade dando início a um longo itinerário interior que a leva, à personagem e a nós, leitores, numa viagem de montanha russa à loucura.
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