Odyssey Os Argonautas: Um mundo de sons a explorar

7 MARÇO, 2017 -

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É por meio de uma lente caleidoscópica que somos apresentados aos Odyssey Os Argonautas. A live session hoje lançada, filmada num só take, revela-nos uma aventura que percorre sonoridades geograficamente sugestivas, envolvidas num manto de rock psicadélico. Trata-se do projecto de João Alves (também teclista dos Hércules): compositor, multi-instrumentista, e produtor de tudo o que faz em estúdio. Um projecto luminoso, que trilha universos distantes e quer contar histórias. As duas primeiras músicas do projecto podem ser ouvidas no bandcamp; e, para breve, podemos esperar o lançamento do primeiro álbum.

Por vezes fazendo recordar inspirados momentos dos Pink Floyd, noutros personificando o psicadelismo dos primeiros tempos de Tame Impala e de Temples, ou ainda evocando a música do mundo e as tonalidades arábicas, como Django Django chegam a fazer tão bem no seu primeiro álbum. Mas, acima de tudo, Odyssey Os Argonautas assume-se com uma identidade própria, de sentido cénico muito forte e carregado de intencionalidade. Propõe múltiplas odisseias ao ouvinte, que é desafiado a ser o próprio argonauta. Na live session hoje lançada percebe-se que também ao vivo estas músicas têm o condão de nos ensinar a sonhar. A CCA quis conhecer melhor o mentor desta viagem.

Como nasceu o projecto?

Começou na faculdade. Eu tirei a licenciatura em Escultura; mas sempre andei no conservatório, desde os seis anos. Não cheguei a acabar, ficou por completar. Mas ao mesmo tempo, na faculdade, fazíamos imensas jams. A certa altura comecei um projecto com o Alexandre Guerreiro, o principal mentor da banda Hércules, e ainda hoje toco teclas na banda dele. Comecei a tocar com ele, começámos a dar concertos, e dessa experiência surgiu a minha vontade de criar um projecto. Tive uma ideia de algo que queria, com um estilo diferente de Hércules embora partilhando influências. E foi assim que criei Odyssey Os Argonautas, no meu home studio, com a guitarra, o piano… eu estudei percussão no conservatório: mais focado na parte rítmica, mas também aprendemos a teoria musical. A partir daí aprendi a tocar guitarra e piano, foi só descobrir os acordes e as posições das teclas.

Para além de tocares todos os instrumentos do projecto, também te encarregas da produção.

Sim, também mixo os meus próprios sons. Depois da licenciatura, tirei um curso de som na Restart, e foi aí que aprendi toda a parte de mixagem, de gravação. Foi nesse ano que comecei a montar o home studio: comprei colunas, interface, pedais para poder criar as sonoridades que uso – reverbs, phasers…

No duplo single que lançaste no bandcamp, percebe-se que o projecto investe em sonoridades algo orientais, tonalidades arábicas. E o nome Odyssey Os Argonautas faz-nos pensar em viagem. É este o universo que queres transmitir?

Dei este nome ao projecto pelos cenários de uma história muito grande que ainda estou a criar. Isso é o que quero mais explorar. Não vou ficar-me apenas pelo som indiano, desértico. Eu gosto de explorar este tipo de escala arábica, que traz aquela sonoridade. Mas nos próximos sons irei avançar para algo diferente. Não terão tanto a mesma base oriental, serão mais jazzy. Ao mesmo tempo continuo a explorar o lado psicadélico, as várias camadas sonoras dos instrumentos.

O projecto é apenas instrumental. Como é que descreves o processo criativo de quem compõe música sem a moleta das palavras?

Eu sinto que as minhas músicas são muito cinematográficas. Não há palavras, mas o que tento explorar é o lado cerebral das pessoas (embora toda a música o faça). Quero apresentar cenários, pelo andamento das próprias músicas. Quero transmitir uma imagética. Com letras seria mais fácil, mas desta forma deixo tudo em aberto. Há um mundo gigante que o próprio som explora. Assim, cada um irá fazer a sua viagem, a sua própria odisseia. A pessoa que ouve também é o próprio argonauta.

Se em estúdio és compositor, multi-instrumentista, produtor; como foi a passagem para os concertos ao vivo?

Senti a necessidade de começar a tocar ao vivo, e foi quando precisei de arranjar uma banda. Chamei uns amigos meus: o Alexandre Guerreiro, que toca baixo no meu projecto; o João Carvalho na bateria; a Beatriz Diniz na guitarra, que também tem o seu projecto a nascer; e o Gabriel Pepe, que toca guitarra e flauta no vídeo da live session. Adorei a equipa que reuni. Criou-se rapidamente uma grande energia entre nós, o que é excelente numa banda.

Que concertos têm tido nos últimos meses?

O primeiro foi logo no Festival Indieota, no Montijo. Depois tive um convite para tocar no Sabotage, no Warm-Up Black Bass, que me deu uma grande projecção. O Tiago Castro, da SBSR FM, estava presente nesse concerto, gostou bastante, passou-nos na rádio, e disse palavras que sintetizam bastante bem o projecto. Depois tive outro concerto, em que abrimos para Dreamweapon, em Cascais. E toquei com Jasmim, na Casa dos Amigos do Minho. E andamos a ver se fazemos mais concertos ao vivo.

Acabam de lançar este vídeo da live session. Podes falar-nos um pouco acerca dele?

Foi uma ideia que tive. Queria criar uma atmosfera que fosse captada num one take shot. Tocámos três sons: dois são os que já tenho na internet, o outro ainda não tenho; esta versão ao vivo está um pouco diferente da versão de estúdio, na maneira que tocámos. Quem filmou foi o Martim Braz Teixeira (dos Mighty Sands, o teclista de Jasmim), com uma lente caleidoscópio, e fez um excelente plano. Aquele feito traz ao vídeo partes surreais, em que ficamos a pensar que é praticamente impossível não ter havido edição de imagem – mas, efectivamente, foi tudo feito no momento, a colocação da lente e daqueles efeitos, à medida que sentia a música. A nossa performance também correu bem. E criou-se aquela imagética e cenário, que espero que as pessoas gostem.

Teremos o primeiro álbum para breve?

Sim, neste momento estamos nesse ponto. Quero lançar o álbum. Só não está já pronto porque não tem sido fácil coordenar o meu tempo, entre o meu trabalho e dois projectos (recentemente também estive em processo de gravação com Hércules). Mas quero lançar o meu primeiro álbum o mais rapidamente possível. Os sons em si já estão feitos, já tenho a demo, tenho definidas todas as partes. Só falta mesmo acabar de gravar e fazer a mix.

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