O regresso do fotógrafo

19 AGOSTO, 2016 -

olhar é conhecer. E fotografar é mais do que conhecer; é sentir com os olhos. Algo não revelado se encontra sempre no espaço entre o olho e a objectiva. E, de seguida, o espanto. Porque a seguir ao click o mundo se modifica na foto. Não é possível registar a realidade do mundo com a fotografia. Não só em termos mecânicos, mas, sobretudo, em termos emocionais. O olho emocional do fotógrafo altera o mundo.
Fotografar não é registar. É revelar o que está oculto diante dos olhos.
A fotografia alastrou-se. Toda a gente fotografa com telemóveis, com máquinas digitais de baixo preço; há fotografias impossíveis feitas a partir de drones; fotografias feitas à distância, com dispositivos remotos; há programas de edição de imagem; há de tudo como suporte à fotografia.
A própria selfie é o auto-retrato desfocado da pessoa que se fotografa. É o olho ao contrário.
Há mais fotografias do mundo do que o mundo em si.
A fotografia banalizou-se
Mas o fotógrafo não! O fotógrafo autêntico tem de sobreviver acima dessa banalização. Ele tem de impor um regresso à origem sensitiva da fotografia.
O mundo mudou. Mas o fotógrafo não tem de mudar com a mesma velocidade do mundo.

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