O regresso a casa do Spider-Man

17 JULHO, 2017 -

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Foi com Tobey Maguire que fui apresentada aos super-heróis e à sensação mágica de ver uma pessoa normal tornar-se extraordinária trepando e saltando de prédio em prédio nas ruas de Nova Iorque.

A partir daí soube que o Homem-Aranha era o meu super-herói preferido e hoje em dia continua a ser. Os filmes de Sam Raimi serão sempre especiais por trazerem boas memórias à minha cinefilia, na altura ainda com muito por explorar. Mais tarde, já com saudades do “friendly neighborhood spider-man”, este regressa na pele de Andrew Garfield, que também trouxe bons momentos, mas infelizmente um guião preguiçoso.
Maguire e Garfield ambos fizeram um papel justo. O primeiro deu um bom Peter Parker, o segundo deu um bom Homem-Aranha, mas sentia-se sempre a falta de algo.
Com a chegada de Tom Holland em Capitão América: Guerra Civil, as expectativas eram altas porque parecia que finalmente tínhamos encontrado a verdadeira reencarnação do herói. E foi isso que o actor conseguiu provar, tanto ao lado dos Avengers como em Homem-Aranha: Regresso a Casa.

Vamos então falar sobre o filme.  

Peter Parker (Tom Holland), ainda incrédulo com a experiência de lutar ao lado (e contra) os Avengers, regressa a sua casa em Queens, Nova Iorque onde vive com a Tia May (Marisa Tomei). Enquanto tenta equilibrar a vida de estudante com a de super-herói, dá por si a tentar provar a Tony Stark (Robert Downey Jr.) que pode ser mais do que um simples herói da vizinhança. Quando uma nova ameaça surge, debate-se entre a vida escolar, um Tony demasiado protector e um novo vilão, o Vulture (Michael Keaton).

Regresso a Casa não é uma história de origem, algo que já vimos anteriormente. Não há aranha radioactiva, a morte do Tio Ben, nem todo o processo da descoberta dos poderes. Parker é apenas um adolescente de 15 anos que já vive com aqueles poderes há meses e agora está a tentar descobrir como vai lidar com eles e as responsabilidades do liceu. 

Tom Holland traz o carisma perfeito, conseguindo ser um Peter Parker “geek” e desajeitado, como também um Homem-Aranha divertido, sempre com vontade de ajudar a vizinhança. A escolha de um actor que realmente parece frequentar o liceu ajudou à credibilidade da personagem. Apesar de Holland ter 21 anos, consegue passar por 15, enquanto que McGuire e Garfield teriam sido ideais para um Peter Parker mais velho.

Jon Watts tocou também numa questão engraçada, que provavelmente muitos fãs já tinham questionado: “Como é que o Homem-Aranha se desloca quando não há prédios à volta?”. Usa os autocarros, comboios ou então corre, o que nos dá a sensação de um filme mais realista.

A falta de experiência que ele ainda tem como super-herói é também explorada de uma forma inteligente, estando constantemente a aprender a utilizar os seus poderes e ainda as várias funções do fato “xpto” oferecido pelo próprio Homem de Ferro.

O problema é quando Parker começa a querer escapar à vida mundana por se sentir mais confortável dentro do fato. E é aí que Tony Stark entra, não como um mentor, mas quase como uma figura paternal que o guia e impede de tomar más decisões: “If you’re nothing without the suit, then you shouldn’t have it.” 

Ao contrário do que foi transmitido através dos trailers e posters promocionais, Stark apenas surge no filme quando necessário não tendo uma presença fixa como deram a entender. O que é bom, pois prova que o Homem-Aranha consegue ser sucedido no seu próprio filme sem ter a presença forçada de um membro dos Avengers. 

Michael Keaton, como o Vulture, é finalmente um vilão com uma motivação tão bem justificada que nós espectadores compreendemos a razão de fazer o que faz. Ele não quer dominar o mundo, como 99% dos vilões. É apenas um pai e marido que precisa de sustentar a família e quando isso lhe é retirado injustamente, revolta-se. O problema é quando os seus interesses incluem sacrificar a vida de inocentes sem quaisquer remorsos.

Regresso a Casa tem um elenco divertido, é inteligente, humano, toca em questões realistas que os filmes de super-heróis esquecem e acima de tudo explora a juventude de Peter Parker e a sua inexperiência como super-herói de uma forma nunca antes vista. 

Apesar dos reboots, parece que Homem-Aranha voltou definitivamente a casa. 

Crítica escrita por Joana Ferreira
Podes ler outra crítica ao filme aqui

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