O que ‘Stranger Things’ inspira

1 SETEMBRO, 2016 -

Já sabemos que há muito talento por aí. Também sabemos que o talento é frequentemente maximizado por acontecimentos de vida, por livros que se leram, por séries que se vêem.

Nuno Matos, que assina o projecto Tempest, é um DJ/produtor musical do Porto. Fundamentalmente autodidacta, começou com a guitarra, como a grande maioria dos adolescentes, mas é no baixo que actualmente se revê. Tem sido com este autodidactismo que tem aprofundado conhecimentos de teoria musical.

A série Stranger Things da Netflix é uma das séries que tem andado na boca do mundo, pela estranha familiaridade com filmes da década de 80, pela originalidade, pelo suspense e também pela fantástica banda sonora do duo californiano S U R V I V E.

Foi no seguimento de uma maratona de episódios de Stranger Things que Nuno Matos decidiu criar música inspirada na série. À partida este podia ser só um dos casos em que alguém decide fazer alguma coisa porque sim, mas o que ouvimos é música que, sem pretensões de substituir a banda sonora da série, comprova que por vezes são pequenos nadas que nos levam a criar.

Falámos com o Nuno sobre a música que criou na sequência de Stranger Things e sobre a sua carreira musical em geral:

A série Stranger Things tem sido aclamada pela crítica e a banda sonora não tem passado despercebida, é inclusive uma das imagens de marca da série. O duo que a compôs, Kyle Dixon e Michael Stein, S U R V I V E, é conhecido pelas reminiscências dos anos 80, década que, por coincidência ou não, é a da série. Além da série em si, quais são as tuas inspirações?

Acho que tudo o que é “consumido” tem influência no trabalho de um criador. Sempre achei interessante a sonoridade dos anos 80, principalmente no que toca a sintetizadores. Tentei então juntar essa sonoridade com ritmos e baixos mais modernos. (E sim, a banda sonora da série acompanha perfeitamente a genialidade do que é posto em imagens!).

É difícil definir uma linha do que são as minhas inspirações. Mas talvez seja mais fácil se começar pelo porquê do nome “Tempest”. A ideia inicial era quase criar uma banda sonora para dias cinzentos. Dias de tempestade. O ruído de um desses dias como textura de algo que lhe desse alguma cor. E é isso que faço no geral.

É pretensão criar uma banda sonora alternativa para a série?

Seria engraçado, mas a ideia não era essa. Já tinha ouvido trabalhos inspirados na série por parte de outros músicos e foi algo que me chamou à atenção. Criar algo a partir de um “mundo” diferente. A exploração do desconhecido, do que não é “normal” é um boost incrível para qualquer produtor! É dessa forma que a série me inspira. Tentei criar algo sempre com frames da série por trás, algo que se pudesse inserir num momento de um episódio.

Todos nós sabemos que o mercado para a composição de bandas sonoras em Portugal pode ser pequeno (embora não limitado), mas seria algo que gostasses de fazer?

Claro que sim! Creio que seja algo a que qualquer criador não diria que não! Já cheguei a ver filmes apenas porque fui ouvir a banda sonora primeiro. Seria um desafio enorme e para o qual ainda me teria de preparar bastante, mas que eventualmente não recusaria!

Podes ouvir mais do projecto “Tempest” aqui e no Soundcloud.

 

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