O mundo da Arte não é para as mulheres?

5 JANEIRO, 2017 -

Georg Baselitz é um pintor nascido na Alemanha, em 1938, e é professor na Universidade de Artes em Berlim. Em 2009 o alemão foi elogiado pela Royal Academy como um dos maiores artistas vivos.

Em Fevereiro de 2013 Baselitz redigiu um artigo, no Independent, com o tema: ‘What’s the biggest problem with women artists? None of them can actually paint‘, o que levantou uma série de questões sobre o papel das artistas no mundo da arte.

Baselitz afirmava, nesse mesmo artigo, que as mulheres simplesmente não conseguem pintar ou ser tão boas quantos os homens, embora a sua afirmação seja profundamente sexista e perpetue um problema que existe no mundo desde que há registos históricos, pelo menos os conhecidos.

Only few men paint brilliantly and it’s not their masculinity that makes them brilliant. It’s their individuality.”, frase de Griselda Pollock, professora de história social e crítica da arte da Universidade de Leeds.

Há um conjunto de argumentos apresentados por Georg Baselitz que podem suscitar alguma reflexão, relativamente ao porquê do mundo da arte funcionar da forma que funciona.
Segundo Baselitz o mercado não dá tanto valor a artistas femininas, e o mercado tem sempre razão. O que Baselitz diz é verdade, os artistas contemporâneos que estão melhor cotados são na sua grande maioria homens, este facto levanta a dúvida se será preconceito por parte do público ou não. Se a arte fosse anónima será que se verificava este mesmo fenómeno?

O pintor alemão refere também o facto histórico, uma vez que existe uma ausência quase absoluta de grandes mestres da arte e pintoras clássicas. A mulher sempre foi fortemente oprimida na sociedade e portanto poderão ter existido muitos génios da pintura esquecidos, não lembrados propositadamente, por questões de género.
Baselitz admite ainda a existência de exceções, referindo alguns nomes, mas sempre lançando outros nomes masculinos como sendo superiores às suas colegas mulheres.

Um facto interessante, dos dias de hoje, e que é referido pelo professor alemão é o de que a grande maioria das faculdades de Artes estão neste momento ocupadas por mulheres.

Gostávamos assim, em jeito de debate, lançar a questão aos nossos leitores: terá algum fundamento o que é dito por Baselitz? Ou, será tudo isto apenas mais uma síndrome de uma sociedade de desigualdades primitivas?

Este artigo foi originalmente escrito por Diogo Araújo e editado por Rui Soares.

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