O MAAT inaugura duas novas exposições

8 FEVEREIRO, 2017 -

O novo edifício do MAAT – Museu da Arte, Arquitetura e Tecnologia, encontra-se encerrado para obras até ao dia 22 de março. No entanto como o Diretor do Museu, Pedro Gadanho afirmou “ao contrário do que os media ajudaram a difundir, o MAAT está aberto”, e inaugura duas novas exposições na Central Tejo, no dia 9 de fevereiro: Arquivo e Democracia e Dimensões Variáveis – Artistas e Arquitetura.

Arquivo e Democracia, de José Maçãs de Carvalho, conta com a curadoria de Ana Rito que nos propõe um “ensaio audiovisual” através de um conjunto de fotografias e filmagens que o artista realizou entre 2009 e 2012 em Hong Kong. É assim apresentado um dialogo constante entre imagens fotográficas e cinematográficas, que de acordo com o artista, podem ser vistas como uma experiência no tempo. De facto, ao entrarmos no espaço escuro e acolhedor desta exposição é como se “entrássemos numa cápsula, onde o tempo pode parar”, onde o espectador pode “fazer a sua própria montagem, com pausas e replays” segundo a curadora Ana Rito. Existe também um contraponto, entre as fotografias de paisagens, com luminosas skylines e os vídeos que retratam um fenómeno que se se tem vindo a tornar comum em Hong Kong, a junção de uma comunidade empregadas domésticas de origem filipina e tailandesa, nos seus dias de folga, ocupando o distrito financeiro da cidade. Estas mulheres que durante seis dias trabalham nesta cidade, ao sétimo descansam, e manifestam-se no seu espaço, que não só ocupam como transforma, celebrando a sua cultura, e adquirindo visibilidade numa cidade para a qual são invisíveis.

Algo que liga a exposição Arquivo e Democracia patente no espaço Cinzeiro 8, à exposição que podemos encontrar na Central 1, é a reflexão, não só sobre o espaço e a sua arquitetura, como também da sobre a sua habitação. Dimensões Variáveis – Aristas e Arquitetura, com a curadoria de Gregory Lang e Inês Grosso, surge de uma vontade, que Pedro Gadanho espera que se torne uma tradição. O acolhimento de exposições apresentadas em outros contextos e outras instituições europeias, permitindo o seu acesso a um público que por viver numa cidade “fora do circuito das exposições” tem que se deslocar até elas. Desta forma, a exposição parte do conceito de Artistes et Architecture: Dimensions Variables, que esteve em exibição no Pavilhão Arsenal em Paris de 16 de outubro de 2015, a 16 de janeiro de 2016, criando uma nova exposição, na qual são apresentadas mais de 60 obras de 52 artistas, 13 dos quais estiveram presentes na exposição em Paris.

Gregory Lang, que também foi curador da exposição em Paris, explicou que quando iniciou este projeto, se interessou em explorar a forma como os artistas podem alterar a nossa perceção de arquitetura. Esta perspetiva está presente na exposição que “propõe um novo olhar e inventa novos diálogos sobre esta relação entre artistas e arquitetura”. A exposição inicia-se com Measurments: Plant (1969-2017) de Mel Bochner, uma peça que pensa o ato banal da medição, que para Bochner é uma “operação inteiramente mental, uma «suposição»”. Esta peça remete-nos para o título da exposição Dimensões Variáveis, um termo que nos habituamos a ler em legendas de obra de arte, principalmente contemporâneas. Mas que que choca com a precisão da arquitetura, em que as dimensões nunca ficam sem definição.

A organização da exposição é feita através de núcleos temáticos, levando-nos numa viagem não só por esta relação, como pela reflexão proposta. Começamos por duas salas, em que os conceitos de construção, e mais uma vez de dimensão estão muito presentes. Aqui poderemos encontrar obras de dois artistas nacionais, Pedro Cabrita Reis e Carlos Bunga.  Railings (2004), do conceito artista belga, Francis Alӱs (em colaboração com Rafel Ortega), faz a transição, de um espaço de pensamento puramente arquitetónico, para a sua relação com a cidade, e com os seus habitantes. Em Railings, Alӱs percorre a cidade, relacionando-se com ela e tornando-a quase um instrumento musical. A cidade é assim ativada, e habitada. O que nos conduz para o conceito de “casa”, presente na última sala da exposição. O conceito é-nos introduzido através da frase “Inside the house the poet built”, que podemos ler na peça The House the Poet Built (2013) de Jorge Méndez Blake, mas é também pensado nas obras de Julião Sarmento, Abraham Cruzvillegas, Juan Araujo e Daniela Ortiz.

Arquivo e Democracia ficará patente até dia 24 de abril, e contará com o curso teórico de vídeo instalação com Ana Rito e José Maçãs de Carvalho, Playground – Dispositivos de (in)visibilidade, de 1 a 8 de abril. A exposição Dimensões Variáveis – Artistas e Arquitetura poderá ser visitada até ao dia 29 de maio.

Texto de Joana Leão

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