O lado musical e lírico do “Senhor Atletismo”

1 AGOSTO, 2016 -

Mário Moniz Pereira foi um dos grandes nomes do desporto nacional, nomeadamente no que toca ao atletismo. Ao serviço do Sporting Clube de Portugal e ostentando a nação luta ao peito, levou nomes como Carlos Lopes ou Fernando Mamede ao lugar mais alto do pódio de muitas provas. O corolário de um trabalho desenvolvido por mais de cinco décadas originou num manancial de conquistas quase imensurável. Porém, não só de desporto se fez o “Senhor Atletismo“. Também ao serviço da música e da composição lírica se denotou como um nome importante e de vulto, especialmente no que ao fado concerne.

Nascido a 11 de fevereiro de 1921, compôs 114 temas elencados na Sociedade Portuguesa de Autores, dedicando parte do seu tempo livre à preparação de letras e de fados para respetiva entoação. Nomes grandes como Amália Rodrigues, Carlos do Carmo, Tony de Matos, Fernando Tordo ou João Braga beneficiaram do profícuo talento lírico de Moniz Pereira e conferiram um caráter perpétuo a alguns dos seus notáveis temas. Entre estes, perduram “Fado Varina”, “Chaves da vida”, “Rosa da Mandragoa”, “Leio em teus olhos” ou “Valeu a Pena”, tema este que se internacionalizou a partir de 23 versões distintas.

Esta paixão musical nasceu precocemente, revelando-se num improviso ao violino com somente cinco anos. Embora sem qualquer formação artística, Moniz Pereira nunca desprimorou a música na sua maratona de vida e deu azo à espontaneidade ao piano, criando a partir da sensibilidade auditiva exemplar que sempre demonstrou possuir. Este “tocar de ouvido” levou-o a ser convidado para orquestrar esforços na composição lírica e a providenciar letras cantadas então por Carlos Ramos ou Lucília do Carmo.  Para além destes instrumentos, não se inibiu na hora de projetar as suas cordas vocais e de sprintar com a emoção necessária na canção das letras e das melodias.

Desta feita, Mário Moniz Pereira foi mais do que uma figura de proa no atletismo e no desporto português. Tornou-se também numa personalidade insigne no contexto da composição lírica e poética e no sustento da celebrização de tantos temas de fado. Temas esses que são hoje reconhecidos como parte constituinte do Património Imaterial da Humanidade. Assim, Moniz Pereira não formou só campeões no desporto mas também conquistas no estilo musical geneticamente português e deu o mote para que a estafeta da vida fosse mais prazerosa. No final, o balanço traz uma medalha, para além das inúmeras que recebeu ainda em vida. Uma medalha de mérito pelo que formou, pelo que criou, pelo que arrecadou. Assim vale a pena, assim se expressou com melodia e suor o professor Mário Moniz Pereira.

“Valeu a pena
Ter vivido o que vivi
(…)
Valeu a pena
Sonhar o que sonhei”
Mário Moniz Pereira no tema: “Valeu a Pena”
Fotografia de capa Carla Rosado /Público – Moniz Pereira fotografado em Julho de 2012

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